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quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Governo desiste de aumentar em dois anos os cursos de medicina

O governo oficializou o recuo que havia sinalizado semana passada, mas a obrigação de fazer dois anos de residência médica no SUS está mantida.

Depois da pressão, o governo voltou atrás e desistiu de aumentar em dois anos os cursos de medicina, mas manteve outro ponto polêmico: quer que os médicos façam residência obrigatória no SUS. Essa proposta também enfrenta resistência.

Médicos dizem que o risco é que falte supervisão na residência em serviços de emergência e nos postos de saúde do SUS, comprometendo o atendimento aos pacientes e a formação de profissionais.

O recuo do governo foi depois de uma reunião com diretores de cursos de medicina de universidades federais, representantes da comissão de especialistas e outras entidades médicas.
O governo enterrou de vez a ideia de aumentar o período de duração dos cursos de medicina de seis pra oito anos, mas a obrigação de trabalhar no Sistema Único de Saúde continua.

Pela nova proposta, feita pela Comissão Nacional de Expansão dos Cursos de Medicina, assim que se formar, o médico vai fazer dois anos de residência médica no SUS: o primeiro, nas áreas de urgência, emergência e atenção básica, como em postos de saúde; a partir do segundo ano, ele poderá se dedicar a uma especialidade, como pediatria e ginecologia.

“O que nós vamos fazer é médicos que têm uma vivência muito mais rica do que a medicina e serão especialistas na sua área, mas acima de tudo especialistas no ser humano”, declara Aloizio Mercadante.

Ainda pela proposta, a residência médica, que hoje é opcional, seria obrigatória a partir de 2018. Para isso, o governo pretende aumentar a oferta de vagas na residência. De acordo com o Ministério da Educação, atualmente, são oferecidas 12 mil bolsas, sendo que 15 mil alunos se formam todos os anos.

O Conselho Federal de Medicina, que alega falta de estrutura, se mostrou preocupado com a qualidade da residência que será oferecida.

“Nós temos inclusive muita preocupação de que isso no fundo não seja naturalmente uma forma ou outra de disfarce de um trabalho civil obrigatório, haja vista que essa residência pode ser feita, como se fala em área básica, em um posto de saúde, onde o egresso fica lá sem a supervisão presencial, sem estrutura de ensino e aprendizado prevista em lei”, diz Carlos Vital, vice-presidente do CFM.

O governo oficializou o recuo que havia sinalizado semana passada. Depois da pressão de entidades médicas e universidades, que reclamaram de não terem sido consultadas sobre o programa “Mais Médicos”. Segundo o Ministério da Saúde, a possibilidade de transformar os dois anos em residência no SUS já estava prevista na medida provisória que criou o programa.

O governo também temia que, como estava, a proposta fosse derrubada no Congresso. O Conselho Nacional de Educação ainda precisa regulamentar as mudanças.

A Justiça Federal negou o pedido de entidades médicas para suspender o programa “Mais Médicos”. Na semana passada, o ministro do Supremo Tribunal Federal negou um pedido semelhante da Associação Médica Brasileira.

*G1

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Importação de médicos 'não é panaceia', diz OMS

Para entidade, contratação de médicos estrangeiros pelo Brasil deve ser solução de curto prazo até que o país consiga suprir a demanda interna com profissionais brasileiros

A Organização Mundial de Saúde (OMS) afirmou que a contratação de médicos estrangeiros pelo Brasil deve ser vista apenas como uma solução a curto prazo e defende que o país fortaleça seu sistema de saúde para que seus próprios profissionais possam suprir a demanda interna.

Contratação de médicos estrangeiros é
solução provisória para o Brasil, diz entidade
Para Hans Kluge, Diretor da Divisão dos Sistemas de Saúde e Saúde Pública da OMS, a importação de médicos "não é a panaceia" e deve ser feita com cautela pelo Brasil para garantir que médicos de fora tenham treinamento e qualificação adequados para exercer a medicina no país.

O Ministério da Saúde estuda trazer milhares de médicos espanhóis, portugueses e cubanos. Kluge defende que o governo estabeleça acordos bilaterais com os países que fornecerão essa mão de obra para facilitar sua adaptação em terras brasileiras.

"É importante que esses profissionais estejam preparados profissional e pessoalmente para ir para o Brasil", disse ele à BBC Brasil, acrescentando que a rede de apoio deve continuar depois que esses profissionais começarem a atuar.

"Temos exemplos em outros países de médicos estrangeiros que depois de dois anos de trabalho acabaram voltando para casa ou caindo no mercado informal por não ter conseguido se integrar no novo ambiente de trabalho. Alguns viraram taxistas", exemplifica ele.

Segundo o Ministério da Saúde, o governo ainda está discutindo os termos do programa de contratação de médicos estrangeiros e, no momento, está estudando como esquemas semelhantes foram implantados em outros países.

Grã-Bretanha

O diretor da OMS sugere que a Grã-Bretanha pode ser um exemplo a ser analisado pelo Brasil. Anos antes da criação do Código Global de Prática sobre o Recrutamento Internacional de Profissionais de Saúde da OMS, do qual o Brasil é signatário desde 2003, a Grã-Bretanha já vinha seguindo regras próprias de conduta para auxiliar na contratação de médicos estrangeiros. Essas regras se baseiam em parcerias com os países fontes de mão de obra para facilitar a transferência dos profissionais e garantir que eles sejam reinseridos no mercado de trabalho se decidirem voltar à sua terra natal.

Além disso, como parte do comprometimento com as regras do Código de Prática da OMS, na última década a Grã-Bretanha vem aumentando o número de vagas nas faculdades de medicina visando aumentar o número de médicos formados no país. A Grã-Bretanha conta com uma presença expressiva de médicos estrangeiros em várias áreas da Saúde desde os anos 60, quando as primeiras levas começaram a desembarcar no país. A maioria vinha da Índia e do Paquistão, nações fortemente ligadas à Grã-Bretanha por causa do passado colonial.

Até hoje, os médicos desses países, juntamente com os da África do Sul, encabeçam a lista de médicos estrangeiros. A Grã-Bretanha é hoje o país com segundo maior número de médicos estrangeiros (44 mil), atrás apenas dos Estados Unidos (cerca de 190 mil). Segundo dados do General Medical Council (GMC), equivalente na Grã-Bretanha ao Conselho Federal de Medicina, os médicos de fora representam 37% do total de profissionais.

Em 2011, mais de 3,8 mil médicos de fora ingressaram no país. Postos de trabalho abundantes, combinados a bons salários e à oportunidade de exercer a profissão em centros de saúde e pesquisas considerados referência mundial, são os principais atrativos para essa mão de obra estrangeira.

De acordo com a British Medical Association (BMA), um clínico geral na Grã-Bretanha ganha cerca de 95 mil libras (R$ 293 mil) por ano. Segundo dados da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), este valor fica acima da média paga em outros países do grupo, que é de R$ 170 mil por ano. Entre as nações que integram a OCDE estão Alemanha, Grécia, Portugal e Espanha. Isso pode explicar, em parte, porque tantos médicos europeus vêm buscando oportunidades na Grã-Bretanha.

De acordo com o General Medical Council, houve um "crescimento notável" no número de médicos do continente, especialmente gregos e espanhóis.

"Apesar deste cenário não ser muito surpreendente diante do clima econômico desfavorável nesses países e altas taxas de desemprego, isso nos mostra um ponto interessante sobre a natureza global da medicina", diz o GMC em seu último relatório The State of Medical Education and Practice in the UK (O Estado da Educação e Prática da Medicina no Reino Unido).

Fluência em idioma

O GMC é responsável pelos registros de todos os médicos que atuam na Grã-Bretanha. Para atuar no país, os médicos estrangeiros devem passar por um controle rigoroso, que inclui validação do diploma do país de origem, pedido para obtenção de uma licença para praticar a medicina, provas de inglês, certificado de boa conduta e documentos que provem a experiência do médico. As regras mudam ligeiramente para os profissionais europeus, que não precisam de prova de inglês para atuar no país.

Segundo a GMC, isto causa problemas porque muitos europeus não são fluentes no idioma, o que pode afetar seu desempenho profissional e eventualmente colocar a vida de pacientes em risco. Ainda segundo dados do GMC, 63% dos médicos que tiveram seus registros cassados ou suspensos na Grã-Bretanha nos últimos cinco anos foram treinados no exterior.

A entidade concluiu que esses profissionais teriam falhado ao demonstrar suas habilidades para praticar medicina e tinham conhecimento insuficiente sobre as leis e códigos que regem o sistema de saúde do país. Desde então, O GMC vem defendendo que o governo implemente mudanças para que esses profissionais sejam acompanhados mais de perto no início de suas carreiras na Grã-Bretanha e que os europeus também passem por testes de inglês para avaliar sua capacidade de comunicação.

Para o diretor da associação Patient Concern, Roger Goss, que representa os pacientes atendidos na Grã-Bretanha, a preocupação com o bom nível de português dos médicos deve ser prioridade para o Brasil.

"É essencial que médicos e pacientes se entendam para não haver confusões sobre diagnósticos e tratamentos" , disse Goss à BBC Brasil.

*IG

domingo, 12 de maio de 2013

Por que os médicos cubanos assustam

Elite corporativista teme que mudança do foco no atendimento abale o nosso sistema mercantil de saúde

Só em 2011, médicos cubanos recuperaram a visão gratuitamente de 2 milhões de pessoas em 35 países

A virulenta reação do Conselho Federal de Medicina contra a vinda de 6 mil médicos cubanos para trabalhar em áreas absolutamente carentes do país é muito mais do que uma atitude corporativista: expõe o pavor que uma certa elite da classe médica tem diante dos êxitos inevitáveis do modelo adotado na ilha, que prioriza a prevenção e a educação para a saúde, reduzindo não apenas os índices de enfermidades, mas sobretudo a necessidade de atendimento e os custos com a saúde.

Essa não é a primeira investida radical do CFM e da Associação Médica Brasileira contra a prática vitoriosa dos médicos cubanos entre nós. Em 2005, quando o governador de Tocantins não conseguia médicos para a maioria dos seus pequenos e afastados municípios, recorreu a um convênio com Cuba e viu o quadro de saúde mudar rapidamente com a presença de apenas uma centena de profissionais daquele país.

A reação das entidades médicas de Tocantins, comprometidas com a baixa qualidade da medicina pública que favorece o atendimento privado, foi quase de desespero. Elas só descansaram quando obtiveram uma liminar de um juiz de primeira instância determinando em 2007 a imediata “expulsão” dos médicos cubanos.

No Brasil, o apego às grandes cidades

Dos 371.788 médicos brasileiros, 260.251 estão nas regiões Sul e Sudeste

Neste momento, o governo da presidenta Dilma Rousseff só está cogitando de trazer os médicos cubanos, responsáveis pelos melhores índices de saúde do Continente, diante da impossibilidade de assegurar a presença de profissionais brasileiros em mais de um milhar de municípios, mesmo com a oferta de vencimentos bem superiores aos pagos nos grandes centros urbanos.

E isso não acontece por acaso. O próprio modelo de formação de profissionais de saúde, com quase 58% de escolas privadas, é voltado para um tipo de atendimento vinculado à indústria de equipamentos de alta tecnologia, aos laboratórios e às vantagens do regime híbrido, em que é possível conciliar plantões de 24 horas no sistema público com seus consultórios e clínicas particulares, alimentados pelos planos de saúde.

Mesmo com consultas e procedimentos pagos segundo a tabela da AMB, o volume de  clientes é programado para que possam atender no mínimo dez por turnos de cinco horas. O sistema é tão direcionado que na maioria das especialidades o segurado pode ter de esperar mais de dois meses por uma consulta.

Além disso, dependendo da especialidade e do caráter de cada médico, é possível auferir faturamentos paralelos em comissões pelo direcionamento dos exames pedidos como rotinas em cada consulta.

Sem compromisso em retribuir os cursos públicos

Há no Brasil uma grande “injustiça orçamentária”: a formação de médicos nas faculdades públicas, que custa muito dinheiro a todos os brasileiros, não presume nenhuma retribuição social, pelo menos enquanto não se aprova o projeto do senador Cristóvam Buarque, que obriga os médicos recém-formados que tiveram seus cursos custeados com recursos públicos a exercerem a profissão, por dois anos, em municípios com menos de 30 mil habitantes ou em comunidades carentes de regiões metropolitanas.

Cruzando informações, podemos chegar a um custo de R$ 792.000,00 reais para o curso de um aluno de faculdades públicas de Medicina, sem incluir a residência. E se considerarmos o perfil de quem consegue passar em vestibulares que chegam a ter 185 candidatos por vaga (UNESP), vamos nos deparar com estudantes de classe média alta, isso onde não há cotas sociais.

Um levantamento do Ministério da Educação detectou que na medicina os estudantes que vieram de escolas particulares respondem por 88% das matrículas nas universidades bancadas pelo Estado. Na odontologia, eles são 80%.

Em faculdades públicas ou privadas, os quase 13 mil médicos formados anualmente no Brasil não estão nem preparados, nem motivados para atender às populações dos grotões. E não estão por que não se habituaram à rotina da medicina preventiva e não aprenderam como atender sem as parafernálias tecnológicas de que se tornaram dependentes.

Concentrados no Sudeste, Sul e grandes cidades

Números oficiais do próprio CFM indicam que 70% dos médicos brasileiros concentram-se nas regiões Sudeste e Sul do país. E em geral trabalham nas grandes cidades. Boa parte da clientela dos hospitais municipais do Rio de Janeiro, por exemplo, é formada por pacientes de municípios do interior.

Segundo pesquisa encomendada pelo Conselho, se a média nacional é de 1,95 médicos para cada mil habitantes, no Distrito Federal esse número chega a 4,02 médicos por mil habitantes, seguido pelos estados do Rio de Janeiro (3,57), São Paulo (2,58) e Rio Grande do Sul (2,31). No extremo oposto, porém, estados como Amapá, Pará e Maranhão registram menos de um médico para mil habitantes.

A pesquisa “Demografia Médica no Brasil” revela que há uma forte tendência de o médico fixar moradia na cidade onde fez graduação ou residência. As que abrigam escolas médicas também concentram maior número de serviços de saúde, públicos ou privados, o que significa mais oportunidade de trabalho. Isso explica, em parte, a concentração de médicos em capitais com mais faculdades de medicina. A cidade de São Paulo, por exemplo, contava, em 2011, com oito escolas médicas, 876 vagas – uma vaga para cada 12.836 habitantes – e uma taxa de 4,33 médicos por mil habitantes na capital.

Mesmo nas áreas de concentração de profissionais, no setor público, o paciente dispõe de quatro vezes menos médicos que no privado. Segundo dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar, o número de usuários de planos de saúde hoje no Brasil é de 46.634.678 e o de postos de trabalho em estabelecimentos privados e consultórios particulares, 354.536. Já o número de habitantes que dependem exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS) é de 144.098.016 pessoas, e o de postos ocupados por médicos nos estabelecimentos públicos, 281.481.

A falta de atendimento de saúde nos grotões é uma dos fatores de migração. Muitos camponeses preferem ir morar em condições mais precárias nas cidades, pois sabem que, bem ou mal, poderão recorrer a um atendimento em casos de emergência.

A solução dos médicos cubanos é mais transcendental pelas características do seu atendimento, que mudam o seu foco no sentido de evitar o aparecimento da doença. Na Venezuela, os Centros de Diagnósticos Integrais espalhados nas periferias e grotões, que contam com 20 mil médicos cubanos, são responsáveis por uma melhoria radical nos seus índices de saúde.

Cuba é reconhecida por seus êxitos na medicina e na biotecnologia

Em sua nota ameaçadora, o CFM afirma claramente que confiar populações periféricas aos cuidados de médicos cubanos é submetê-las a profissionais não qualificados. E esbanja hipocrisia na defesa dos direitos daquelas pessoas.

Não é isso que consta dos números da Organização Mundial de Saúde.  Cuba, país submetido a um asfixiante bloqueio econômico, mostra que nesse quesito é um exemplo para o mundo e tem resultados melhores do que os do Brasil.

Quando esteve em Cuba, em 2003, a deputada Lilian Sá foi conhecer com outros parlamentares o médico de família, uma equipe residente no próprio conjunto habitacional

Graças à sua medicina preventiva, a ilha do Caribe tem a taxa de mortalidade infantil mais baixa da América e do Terceiro Mundo – 4,9 por mil (contra 60 por mil em 1959, quando do triunfo da revolução) – inferior à do Canadá e dos Estados Unidos. Da mesma forma, a expectativa de vida dos cubanos – 78,8 anos (contra 60 anos em 1959) – é comparável a das nações mais desenvolvidas.

Com um médico para cada 148 habitantes (78.622 no total) distribuído por todos os seus rincões que registram 100% de cobertura, Cuba é, segundo a Organização Mundial de Saúde, a nação melhor dotada do mundo neste setor.

Segundo a New England Journal of Medicine, “o sistema de saúde cubano parece irreal. Há muitos médicos. Todo mundo tem um médico de família. Tudo é gratuito, totalmente gratuito. Apesar do fato de que Cuba dispõe de recursos limitados, seu sistema de saúde resolveu problemas que o nosso [dos EUA] não conseguiu resolver ainda. Cuba dispõe agora do dobro de médicos por habitante do que os EUA”.

O Brasil forma 13 mil médicos por ano em 200 faculdades: 116 privadas, 48 federais, 29 estaduais e 7 municipais. De 2000 a 2013, foram criadas 94 escolas médicas: 26 públicas e 68 particulares.

Formando médicos de 69 países

Estudantes estrangeiros na Escola Latino-Americana de Medicina
Em 2012, Cuba, com cerca de 13 milhões de habitantes, formou em suas 25 faculdades, inclusive uma voltada para estrangeiros, mais de 11 mil novos médicos: 5.315 cubanos e 5.694 de 69 países da América Latina, África, Ásia e inclusive dos Estados Unidos.

Atualmente, 24 mil estudantes de 116 países da América Latina, África, Ásia, Oceania e Estados Unidos (500 por turma) cursam uma faculdade de medicina gratuita em Cuba.

Entre a primeira turma de 2005 e 2010, 8.594 jovens doutores saíram da Escola Latino-Americana de Medicina. As formaturas de 2011 e 2012 foram excepcionais com cerca de oito mil graduados. No total, cerca de 15 mil médicos se formaram na Elam em 25 especialidades distintas.

Isso se reflete nos avanços em vários tipos de tratamento, inclusive em altos desafios, como vacinas para câncer do pulmão, hepatite B, cura do mal de Parkinson e da dengue.  Hoje, a indústria biotecnológica cubana tem registradas 1.200 patentes e comercializa produtos farmacêuticos e vacinas em mais de 50 países.

Presença de médicos cubanos no exterior

Desde 1963, com o envio da primeira missão médica humanitária à Argélia, Cuba trabalha no atendimento de populações pobres no planeta. Nenhuma outra nação do mundo, nem mesmo as mais desenvolvidas, teceu semelhante rede de cooperação humanitária internacional. Desde o seu lançamento, cerca de 132 mil médicos e outros profissionais da saúde trabalharam voluntariamente em 102 países.

No total, os médicos cubanos trataram de 85 milhões de pessoas e salvaram 615 mil vidas. Atualmente, 31 mil colaboradores médicos oferecem seus serviços em 69 nações do Terceiro Mundo.

No âmbito da Alba (Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América), Cuba e Venezuela decidiram lançar em julho de 2004 uma ampla campanha humanitária continental com o nome de Operação Milagre, que consiste em operar gratuitamente latino-americanos pobres, vítimas de cataratas e outras doenças oftalmológicas, que não tenham possibilidade de pagar por uma operação que custa entre cinco e dez mil dólares. Esta missão humanitária se disseminou por outras regiões (África e Ásia). A Operação Milagre dispõe de 49 centros oftalmológicos em 15 países da América Central e do Caribe. Em 2011, mais de dois milhões de pessoas de 35 países recuperaram a plena visão.

Quando se insurge contra a vinda de médicos cubanos, com argumentos pueris, o CFM adota também uma atitude política suspeita: não quer que se desmascare a propaganda contra o regime de Havana, segundo a qual o sonho de todo cubano é fugir para o exterior. Os mais de 30 mil médicos espalhados pelo mundo permanecem fiéis aos compromissos sociais de quem teve todo o ensino pago pelo Estado, desde a pré-escola e de que, mais do que enriquecer, cumpre ao médico salvar vidas e prestar serviços humanitários.

* PEDRO PORFÍRIO é Jornalista desde 1961, quando foi repórter da ÚLTIMA HORA, PEDRO PORFÍRIO acumulou experiências em todos os segmentos da comunicação. Já aos 18 anos, no início do governo revolucionário (1961-62) trabalhou em Cuba como editor de língua portuguesa da Rádio Havana.Trabalhou também nos jornais O DIA e CORREIO DA MANHÃ, TRIBUNA DA IMPRENSA, da qual foi seu chefe de Redação, nas revistas MANCHETE, FATOS & FOTOS, dirigiu a Central Bloch de Fotonovelas. Chefiou a Reportagem da Tv Tupi, foi redator da Radio Tupi teve programa diário na RÁDIO CARIOCA. Em propaganda, trabalhou nas agências Alton, Focus e foi gerente da Canto e Mello. Foi assessor de relações públicas da ACESITA e assessor de imprensa de várias companhias teatrais. Teatrólogo, escreveu e encenou 8 peças, no período de 1973 a 1982, tendo ganho o maior prêmio da crítica com sua comédia O BOM BURGUÊS. Escreveu e publicou 7 livros, entre os quais O PODER DA RUA, O ASSASSINO DAS SEXTAS-FEIRAS e CONFISSÕES DE UM INCONFORMISTA. Foi coordenador das regiões administrativas da Zona Norte, presidente do Conselho de Contribuintes e, por duas vezes, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social. Exerceu também mandatos em 4 legislaturas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo autor de leis de grande repercussão social. Publicado em http://www.blogdoporfirio.com/2013/05/por-que-os-medicos-cubanos-assustam.html



segunda-feira, 6 de maio de 2013

ATENÇÃO! Dilma assina em junho decreto para contratar médicos estrangeiros para trabalhar no interior do país

Ministério da Saúde ficará responsável pelo pagamento dos salários desses profissionais



TERESINA — A presidente Dilma Rousseff vai autorizar a contratação de médicos estrangeiros para atuarem no interior do país. A informação foi divulgada pela ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, Ideli Salvatti, durante participação no Encontro Estadual com Novos Prefeitos e Prefeituras, nesta terça-feira, em Teresina. Ela declarou que no Piauí, por uma orientação equivocada, poucas administrações municipais aderiram ao Programa de Valorização do Profissional da Atenção Básica (Provab).

O decreto será assinado em junho e os médicos estrangeiros serão pagos pelo Ministério da Saúde. Ideli Salvatti falou que atualmente os prefeitos pagam de R$ 25 mil a R$ 30 mil para um médico no interior do país, mas, mesmo assim, não encontram profissionais para as comunidades de menor perspectiva profissional para eles.

— Está muito difícil conseguir médicos que queiram atuar no interior do país. Por isso, a presidente resolveu adotar a medida para que médicos estrangeiros venham para cá. Além disso, é uma forma de reduzir o custeio dos prefeitos, já que o Ministério da Saúde irá pagar os benefícios desses médicos — afirmou Ideli.

O governo federal encontrou dificuldades para que as prefeituras do interior do país aderissem ao Provab. O programa oferece curso de pós-graduação em Saúde da Família, e uma bolsa mensal do governo federal no valor de R$ 8 mil durante um ano. Neste ano, o Provab recebeu 4.392 médicos nos serviços de atenção básica de saúde em 1.407 municípios.

O Nordeste absorveu a maior parte com 2.494 profissionais para trabalhar em 696 municípios. No Sudeste, foram 1.018 em 357 cidades. O Sul concentrou 370 médicos em 169 localidades. Para o Centro-Oeste, 269 para 101 municípios, e o Norte com 241 profissionais, que atuam em 84 regiões. O Piauí, que tem uma grande demanda por médicos no interior, recebeu 131 médicos do programa para apenas 51 dos 224 municípios do Estado.

— Muitos municípios não aderiram ao Provab. Eu não sei quem deu a orientação equivocada, mas a maior parte dos municípios não aderiu, e nós vamos pedir ao ministro da Saúde, Alexandre Padilha, se há possibilidade de reabrir o Provab novamente — comentou a ministra.

O decreto da presidente Dilma Rousseff permitirá ao Ministério da Saúde contratar, por um período, ainda a ser definido, médicos de todos os países. Entretanto, a maior demanda deve ser de profissionais vindos da Espanha e Portugal. De acordo com o Ministério da Saúde, já existe uma grande procura deles por causa da crise financeira europeia.

*O Globo
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sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Dermatologia vive crise de identidade com a estética

Atraídos pelo ramo mais lucrativo da beleza, médicos deixam de dar atenção e 'perdem a mão' no tratamento de doenças da pele

As bolinhas vermelhas que apareceram no corpo da designer Patricia Panza, de 22 anos, foram identificadas primeiro como catapora. Depois, como alergia. Mais tarde, quando veio o diagnóstico correto - de psoríase -, o périplo da paciente por consultórios de dermatologistas estava só começando. Ao longo dos oito anos em que convive com a doença, já encontrou desde médicos que mostraram desconhecimento sobre o assunto até especialistas que indicaram para seu caso carboxiterapia e bronzeamento artificial, técnicas comumente associadas a tratamentos de beleza.

Assim como ela, muitos pacientes com doenças de pele têm a impressão de que os dermatologistas, ao focarem suas práticas em procedimentos estéticos, estão cada vez mais se afastando do contato com doenças de verdade. A percepção é comum também entre os próprios profissionais, que creditam a tendência a problemas na formação do dermatologista e aos valores baixos pagos por convênios, o que leva os especialistas a optarem pelo ramo mais lucrativo da especialidade: a cosmiatria.

A dermatologista Marcia Ramos e Silva, chefe do Serviço de Dermatologia do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), conta que tem pacientes que, ao final da consulta, dizem estar felizes por finalmente terem encontrado um dermatologista "que entende de doença" e não apenas de beleza.

"A gente lamenta isso porque conhecer dermatologia clínica é imprescindível para fazer uma boa cosmiatria. Como alguém vai saber se pode ou não fazer determinado método cosmético sem conhecer anatomia, fisiopatologia e imunologia da pele?", questiona a médica.

O professor da disciplina de Dermatologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Silvio Alencar Marques, tem a mesma percepção. "Não são raros os médicos residentes de muita competência que, aos poucos, vão se envolvendo com uma prática dermatológica que os afasta da dermatologia tradicional e 'perdendo a mão' para diagnosticar e tratar doenças reais."

"Também é comum ter pacientes que vão ao médico com uma queixa específica, ele dá uma pomadinha e já diz que o paciente tem de fazer laser ou outro procedimento estético", diz Marcia.

A situação já foi experimentada por Patrícia Panza. Uma vez, ela viu uma dermatologista em um programa de televisão que dizia ter tratamentos inovadores para psoríase e vitiligo. "Fui ao consultório em Alphaville. Ela indicou carboxiterapia, usado em estrias e celulite. Cheguei a gastar R$1,5 mil por mês porque ela dizia que o tratamento só daria resultado depois de seis meses."

A mesma médica indicou que ela fizesse bronzeamento artificial e sugeriu que ficasse um período em um spa de tratamento de pele no Guarujá, do qual ela era proprietária. As recomendações foram seguidas por Patrícia. Cada procedimento era pago à parte e, ao final do período, nenhum resultado foi notado.

"É por essas e outras que fiquei um tanto desesperançosa com os dermatologistas", lamenta Patricia.

Invenção. O conceito de "dermatologista estético" formalmente não deveria existir, de acordo com o médico Carlos D'Apparecida Santos Machado Filho, titular da disciplina de Dermatologia da Faculdade de Medicina do ABC (FMABC), já que faz parte da formação do profissional o conjunto de habilidades em clínica, cirurgia e cosmiatria.

"A própria população criou esse conceito", diz. Ele recebe pacientes que, apesar de frequentarem uma 'dermatologista estética', recorrem a outro profissional quando têm algum problema de verdade. "Eles dizem: 'Vou a uma clínica super chique, não vou mostrar essa unha encravada horrível'."

Machado Filho observa que, se no passado a formação do dermatologista exigia, além dos seis anos de graduação, dois anos de clínica médica e mais dois de dermatologia, hoje o médico sai da graduação e entra direto no programa de dermatologia, com duração de três anos. "Isso gera distorções. Em escolas menores, onde o curso não é consolidado, tem aluna que já no primeiro ano da faculdade resolve que quer fazer dermatologia porque gosta de estética. Ela não se dedica, tem formação pouco sólida e ainda cai direto no programa de dermatologia", diz.

Para o médico Paulo Eduardo Velho, coordenador da Disciplina de Dermatologia da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o desafio dos formadores em dermatologia é escolher alunos que não tenham definida a intenção de focar sua prática apenas na medicina estética.

Ele acrescenta que existe um conceito equivocado de que a dermatologia seria uma especialidade fácil, de pouca demanda científica e menor compromisso com a saúde dos pacientes.

"Tem crescido a impressão de que ser dermatologista é ser um profissional que cuida da beleza. A dermatologia não é só isso; é fazer medicina através da pele. Inclui não só as doenças da pele, mas também as doenças sistêmicas que têm manifestações cutâneas", diz.

sábado, 18 de agosto de 2012

Medicina: ministro defende novas vagas onde haja demanda do SUS


O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou a importância de abertura de vagas nos cursos de medicina em regiões com maior demanda do Sistema Único de Saúde (SUS). Desta forma, segundo ele, será possível aumentar o número de médicos e promover uma melhor distribuição desses profissionais no País. O ministro se pronunciou nesta sexta-feira durante inauguração da Faculdade Santa Marcelina (Fasm), na zona leste da capital paulista.



"Fechamos uma parceria com o Ministério da Educação desde o ano passado. A abertura de vagas em cursos de medicina agora leva em conta a demanda do SUS. Nossa prioridade é abrir vagas nas instituições federais ou nas particulares, desde que com qualidade. Sobretudo em regiões que não têm vagas de medicina. A zona leste de São Paulo é um exemplo disso", afirmou o ministro. Segundo ele, a maioria das novas vagas em medicina foi para as regiões norte e nordeste.

Padilha informou que atualmente o País conta com 1,83 médico para cada mil habitantes. Dentre os países com sistemas universais de saúde, o Brasil é o de menor percentual de médicos. A taxa é menos da metade da de países como Cuba (6), Espanha (3,96) e Portugal (3,87).

Quando a comparação é feita entre os Estados, a situação é ainda mais crítica. Enquanto Brasília tem 4 médicos para cada mil habitantes, no Maranhão a proporção é 0,6 por mil. Em São Paulo, a taxa é 1,9 médico por mil habitantes.

O ministro destacou o financiamento dos estudos de alunos de medicina como mais um instrumento no combate à desigualdade na distribuição de médicos no Brasil. "Criamos uma regra, junto com o Ministério da Educação, na qual, se o estudante que tiver Fies (Fundo de Financiamento Estudantil) e for atuar onde o SUS precisa dele, além do salário, ele vai ter descontada a sua dívida", explicou.

A primeira turma de medicina da Fasm é formada por 55 alunos, dos quais cinco têm bolsa do Programa Universidade para Todos (ProUni). O curso será integrado ao hospital de mesmo nome, que já mantém 42 programas de residência médica. O Hospital Santa Marcelina é o único de alta complexidade da zona leste de São Paulo, com 87% dos atendimentos do SUS.

De acordo com Pedro Félix Vital, gestor do curso de medicina da Fasm, a formação de profissionais permitirá a ampliação da assistência médica na região. Além disso, acredita que, futuramente, poderão ingressar no curso estudantes que sejam moradores da zona leste, o que facilitaria o aumento do número de médicos na região.

*Terra

Médicos poderão ser proibidos de receber benefícios da indústria da saúde


BRASÍLIA (Agência Senado) -  Médicos e sociedades médicas poderão ficar proibidos de receber benefícios da indústria e comércio de produtos para a saúde. É o que propõe projeto de lei apresentado pela senadora Maria do Carmo Alves (DEM-SE).

A intenção da senadora com o projeto de lei do senado (PLS 225/2012) é preservar a autonomia profissional do médico ao prescrever ou indicar medicamentos ou tratamentos. Para isso, a proposta modifica a lei dos Conselhos de Medicina (Lei 3.268/1957) para exigir que o Código de Ética Médica ou Código de Deontologia Médica contenham dispositivos que impeçam os profissionais de receberem quaisquer tipos de pagamentos, incentivos ou benefícios dos setores da indústria e comércio de produtos para a saúde.

Maria do Carmo explicou, ao justificar a proposta, que a iniciativa do projeto deveu-se ao “retrocesso” do posicionamento do Conselho Federal de Medicina (CFM) quanto à relação entre médicos e indústria de produtos médico-farmacêuticos. A senadora ressaltou que foi instigada a apresentar o projeto de lei a partir de artigo da presidente da Academia Sergipana de Medicina e professora de Ética Médica (Universidade Federal de Sergipe), Deborah Pimentel, que relata essa relação, denominada por ela de “promíscua”.

O texto Conselho Federal de Medicina se rende à indústria, informou a senadora, aponta as sucessivas decisões do CFM no que se refere ao assunto. Para a doutora Deborah Pimentel, o maior avanço aconteceu em 2010 ao ser inserido no novo Código de Ética Médica proibição de que médicos recebam brindes, viagens, inscrições em congressos, livros, equipamentos, bem como a montagem de consultórios.

No entanto, ressaltou a senadora, o artigo da professora informa que, em fevereiro de 2012, acordo entre o CFM e associações médicas permitiu que indústrias financiem viagens de médicos a congressos, o que inclui inscrição, transporte, refeição e hospedagem.

Ainda que o acordo determine que a seleção dos convidados deva ser feita por critérios objetivos e não pela quantidade de prescrição dos produtos pelo profissional, a senadora considera um “retrocesso” tal permissão.

O referido acordo, explica ainda a presidente da Academia Sergipana de Medicina, manteve a proibição de distribuição de brindes mais baratos, como canetas e blocos, mas permitiu o oferecimento aos médicos de presentes no valor de até R$ 200,00.

Outro retrocesso, na avaliação da senadora, foi a mudança na resolução que estabelece as regras de publicidade médica para retirar a proibição de venda de selos de aprovação em produtos. Essa é uma prática adotada por algumas sociedades, explicou Maria do Carmo, como a Sociedade Brasileira de Cardiologia, que aprova cerca de 35 produtos, entre eles, margarinas, grelhas elétricas, sanduíches e sucos. A sociedade Brasileira de Pediatria, informa, já decidiu não renovar os selos que aprovam sabonetes bactericidas e calçados.

“A especialista em ética médica considera o acordo do CFM como uma rendição vergonhosa ao poder econômico, apresentando como fato inquestionável e provado que a relação estabelecida entre a indústria e os profissionais compromete a autonomia dos médicos na escolha de medicamentos, órteses, próteses e outros produtos para seus pacientes” - disse a senadora Maria do Carmo.

O projeto aguarda designação do relator na Comissão de Assuntos Sociais (CAS), onde receberá decisão terminativa.

domingo, 27 de maio de 2012

Ronco forte aumenta chance de câncer, diz estudo

Pessoas que roncam muito e sofrem de graves distúrbios respiratórios durante o sono têm uma probabilidade quase cinco vezes maior de morrer de câncer, segundo uma pesquisa americana.

Cientistas da Universidade de Wisconsin-Madison acreditam que a correlação pode ser explicada pelo suprimento inadequado de oxigênio durante a noite nos pacientes com o problema.


Testes de laboratório já haviam mostrado que a interrupção intermitente da respiração leva a um crescimento mais acelerado de tumores, já que a falta de oxigênio estimula o crescimento de vasos sanguíneos que nutrem os tumores.

'Sem ar'

Os pesquisadores analisaram dados de mais de 1,5 mil pacientes que participaram de um estudo sobre Distúrbios Respiratórios Obstrutivos do Sono (DROS) ao longo de 22 anos.

A forma mais comum de DROS é a apneia obstrutiva do sono, na qual a respiração é bloqueada deixando a pessoa sem ar. Isso provoca ronco e a interrupção do sono e o problema é geralmente associado a obesidade, diabetes, pressão alta, ataques cardíacos e derrames.

Os participantes do estudo nos Estados Unidos passaram por testes a cada quatro anos que incluíam análises de sono e respiração.

Os resultados mostraram que a probabilidade de morte por câncer aumentava drasticamente de acordo com a gravidade do distúrbio.

Enquanto pacientes com uma forma leve de DROS tinham apenas 0,1 vez mais chance de morrer de câncer que aqueles não sofrem com o problema, nos pacientes com uma forma moderada de DROS a chance de morte por câncer dobrava.

Já naqueles com distúrbios graves de respiração, o risco aumentava 4,8 vezes.

Diagnóstico e tratamento

O estudo - apresentado na conferência internacional da American Thoracic Society, em San Francisco, e que será publicado no American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine - fez ajustes para levar em conta outros fatores como idade, sexo, índice de massa corporal e fumo, que poderiam influenciar o resultado.

"A consistência dos indícios dos experimentos com animais e deste novo estudo epidemiológico em humanos é muito convincente", disse o líder do estudo Javier Nieto, da Escola de Medicina e Saúde Pública da Universidade de Wisconsin.

Agora, os cientistas querem ampliar os estudos sobre a questão e examinar a relação entre DROS, obesidade e mortalidade por câncer.

"Se a relação entre DROS e mortalidade por câncer for confirmada em outros estudos, o diagnóstico e tratamento de DROS em pacientes com câncer pode ser indicado para aumentar a sobrevida."

domingo, 6 de maio de 2012

DEPOIMENTO: Estudante brasileiro de Medicina na Bolívia à Dilma Rousseff



Exma Sra. Presidenta,

Nós, estudantes brasileiros de medicina do exterior, que lutamos com todas as forças para seguirmos em uma profissão que requer muito amor e dedicação pela vida e saúde das pessoas, desde já queremos deixar bem claro nossa grandiosa admiração por sua intenção de ajudar as pessoas mais necessitadas de apoio médico no Brasil, principalmente nos interiores e confins deste imenso país.

Os mais de 10 mil brasileiros que estão agora em Santa Cruz de la Sierra - Bolivia, ficaram muito entusiasmados com as últimas notícias que estão sendo veiculadas nas redes de notícias oficiais nacionais em aumentar o numero de médicos.

O projeto sofre muita resistência principalmente pelos reguladores médicos do Brasil, como as entidades médicas e faculdades de medicina, mas tudo isso é apenas pelo corporativismo e hora nenhuma estão pensando na população que necessita de uma atenção básica de saúde.

O problema maior que toda população estudantil do exterior enxerga nesta resistência é apenas o corporativismo. Onde os médicos têm medo de perder postos de trabalho, diminuir o salário no fim do mês e perder o status que têm no momento, porque é a antiga e velha lei da oferta e da procura: mais trabalho, menos médicos, é igual a salário maior. Mas e a população que necessita desses médicos que não largam uma capital para ir para um interior, o povo tem que morrer, é isso? Mas de acordo com o CFM e outras entidades, está tudo bem e todo mundo sabe que não está.

Alegam que estão protegendo a população de maus médicos formados no exterior, mas eles não respondem a pergunta dos maus médicos formados no Brasil. Ai já começa o equívoco, porque se a intenção é proteger a população, então porque não começam dentro de casa?

• Primeiro, é porque a maioria dos estudantes de Medicina no Brasil são filhos de empresários, médicos, políticos e de pessoas com influencia.
• Segundo, que não querem que eles passem vergonha em um exame nacional igual tem a OAB.
• Terceiro, porque pagam uma fortuna muito mais de 400 mil reais, a donos de faculdade que muitas vezes são políticos ou parentes dos mesmos, assim como todo mundo sabe.
• Quarto, não querem dividir o mercado de trabalho porque acham um desaforo eles terem gastado mais de 400 mil reais para se formar enquanto outros menos de 90 mil no exterior para ter uma formação igual ou até mesmo melhor que em muitas faculdades do Brasil.

Esse discurso corporativista dos médicos e entidades médicas do Brasil de que estão somente protegendo a população, senhora presidenta, tem que ser enfrentado pelo governo com a seguinte pergunta: Porque não começamos a proteção separando os alunos brasileiros também? A população não pode ser protegida só de quem se formou no exterior não, tem que ser protegida de quem se formou no Brasil também, porque esses médicos mal formados no Brasil também matam pessoas, deixam sequelas iguais a um que teve uma má formação no exterior. Prova de que o ensino médico do Brasil está mal é o exame que o CREMESP faz de forma voluntária, onde apenas os alunos que se sentem mais bem preparados fazem, que foi assunto até de veículos de imprensa a nível nacional que mais de 60% desses alunos voluntários foram reprovados, imagina os que não estavam!

Aos formados no exterior, obrigam a fazer o Revalida, onde esse exame é feito no sentido de reprovar os médicos que pretendem trabalhar, pois é um exame feito para médicos especialistas e não para médicos recém formados em medicina geral. Senhora presidenta, solicite que um membro do seu governo leve algumas provas de forma aleatória para que médicos clínicos gerais formados no Brasil façam esse exame, solicite que médicos recém formados façam esse exame, garanto a Exma Sra. Presidenta que mais de 70% reprova no exame. Levem no interior, em faculdades fora da capital... A presidenta vai se assuntar com o resultado, vai ver que o exame não é para clínicos gerais, não tem valor de avaliar nenhum conhecimento básico, é apenas preconceituoso para alimentar as estatísticas do CFM para brigarem para que não entrem mais médicos no Brasil, a população que fique refém dessa situação.

Para exercer a medicina no Brasil, tanto para médicos formados no exterior, como no próprio Brasil, teria que haver apenas um exame, esse sendo único para todos. Aí sim filtraria quem merece praticar a medicina, porque a maioria que faz esse curso e no exterior é porque realmente ama essa profissão, realidade muitas vezes não vista por muitos alunos no Brasil, que só buscam status.

Exma. Sra Presidenta nós estudantes de medicina do exterior não estamos querendo o fim dos exames, estamos querendo apenas que exista um único exame para todos, tanto formados no exterior assim como no Brasil, porque o que existe é o preconceito contra a gente, assim como existe médicos que se forma mal aqui no exterior, existem médicos mal formados no Brasil. Tem que haver sim um exame, mas que seja digno pedagógico, que realmente avalie o médico recém formado como um clinico geral e não como um especialista.

Mas para acabar de vez com essa guerra que passa o governo com as entidades médicas, o governo deveria solicitar um exame único nacional a todos os que pretendem exercer a profissão médica no Brasil, porque assim o exame seria justo, que o CRM não iria interferir tanto nos exames pois iria demonstrar a debilidade do ensino médico no Brasil. 

Exma Sra. Presidenta, lute por esse exame único para todos, assim ajudaria a proteger de verdade a população dos maus médicos pois eles existem de verdade, mas lhe asseguro que não são apenas os formados no exterior não, muitos estão dentro da nossa própria casa.

Sra Presidenta, os milhares de estudantes que hoje estão fora deste nosso glorioso Brasil, que um dia sonham em voltar para poder praticar aquilo que viemos aprender fora muitas vezes por uma falta de oportunidade em nosso proprio país, mas que têm a intenção de trabalhar duro pelo povo, ajudar a aliviar o sofrimento dessas pessoas que estão no interior e nos confins desse nosso mundão brasileiro, deposita na sua pessoa que é mais que uma Presidenta, é uma mulher que tem a grande sensibilidade de ver o que seus filhos estão necessitando, estão implorando, estão nas filas de espera por um médico que não tem. Uma mãe não deixa seu filho morrer sem lutar. Lute por nós que estamos sendo massacrados pelo corporativismo e deixe que a gente ajude a salvar as vidas desses nossos irmãos que estão agonizando à espera de um profissional médico. Somos o remédio para esse problema. Estamos sim, dispostos e capacitados para atender onde quer que seja, onde o Brasil nos chame, há sempre um médico brasileiro formado no exterior pronto para acudir um irmão que nos chama. E a mãe de todo esses Brasil, a Sra Presidenta, tenho certeza que nos vai ajudar a ir fazer esse socorro, a cuidar dos seus filhos que clamam por ajuda.

Seremos iguais a nossa gloriosa Forças Especiais do Brasil, aceitaremos “qualquer missão, a qualquer hora em qualquer lugar e de qualquer maneira”, se o objetivo for levar a saúde a quem precisa. 
O que queremos é apenas uma oportunidade de demonstrar que somos bons iguais a muitos formados no Brasil.
Um exame nacional seria a forma mais sensata de demonstrar esse conhecimento de igual para igual, sem preconceito, sem discriminação, de forma saudável e transparente.

Um forte abraço e a certeza de uma mão amiga de todos os estudantes de medicina do Exterior.
BRASIL ACIMA DE TUDO.
A FORMAÇAO PODE SER ESTRANGEIRA, MAS O SANGUE, O CORAÇÃO, SERÃO SEMPRE BRASILEIROS.

*Patrickpablo; comentário em Revalidação Médica

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Comitiva cubana conhecerá Atenção Básica da Bahia



Como parte da cooperação técnica entre Bahia e Cuba, uma comitiva cubana visitará, nesta sexta-feira (4), o município de Barra, no oeste baiano, onde os componentes conhecerão o funcionamento da Atenção Básica do estado. A vice-ministra de saúde de Cuba, Márcia Cobas, irá até duas unidades de Saúde da Família para verificar como se desenvolve o trabalho em um dos municípios em que todos os profissionais com nível superior são contratados através da Fundação Estatal Saúde da Família.

Além da visita às unidades, será feita uma reunião de trabalho da cooperação técnica e um encontro para a discussão da Atenção Básica com os gestores dos nove municípios que compõem a microrregião de Ibotirama. O diretor da Atenção Básica da Secretaria da Saúde do Estado, Ricardo Heinzelmann, explica que este é um desdobramento de uma visita que uma comitiva brasileira fez a Cuba em abril deste ano.

O encontro visa ainda levantar discussões sobre a revalidação de diploma de brasileiros que cursaram medicina em Cuba e também a atuação desses profissionais como apoiadores para a qualificação do modelo da Atenção Básica na Bahia.

A cooperação internacional, que na Sesab é intermediada pela Coordenação de Projetos Especiais, engloba ações voltadas a inovações tecnológicas em saúde, formação e qualificação de recursos humanos, na área de atenção básica e epidemiologia, intercâmbio de experiências em práticas de atenção básica, dentre outros.

A comitiva cubana é composta também pela diretora de Cooperação em Bio Tecnologia do Ministério da Saúde de Cuba, Tereza Matel e pela diretora de Cooperação Internacional, Yiliam Jimeniz. Participarão ainda das atividades o Diretor Geral da Fundação Estatal Saúde da Família, Carlos Alberto Trindade, a diretora da Escola Estadual de Saúde Pública da SESAB, Marcele Paim, o subsecretário de gestão do trabalho do Ministério da Saúde, Fernando Menezes, e Alexandro Dias, assessor do Ministério da Saúde.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Uma vacina contra o câncer de mama

Avança a promessa de um modelo que trata a doença em seu estágio inicial e evita sua reincidência


Pesquisadores da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, publicaram os resultados de um estudo com uma vacina que combate tumores mamários não invasivos. Depois de administrar a droga a 27 mulheres e, mais tarde, submetê-las a uma cirurgia na mama, eles notaram que o mal havia regredido para valer. Ao acompanhar as pacientes por quatro anos, os médicos também verificaram que em 85% dos casos a doença não havia voltado. "É uma forma inovadora e interessante de tratamento, mas temos de aguardar análises mais abrangentes. A imunoterapia é linda na teoria, só que ainda não funciona tão bem na prática", opina a oncologista Solange Sanches, do Hospital A.C. Camargo, em São Paulo.

Um estímulo às próprias defesas
Como se chega à vacina terapêutica e de que forma ela age nas mamas

1. O recrutamento
Células especiais do sistema imune são retiradas da paciente e instigadas, em laboratório, a reconhecer tecidos tomados pelo câncer. Elas são reinjetadas na região da axila da mulher.

2. O contra-ataque
Uma vez introduzidas no organismo, essas células deduram as áreas acometidas pelo tumor mamário. Aí, são convocadas outras unidades do sistema de defesa, que passam a destruir as células cancerosas.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Beber água durante provas ajuda a melhorar notas


Um dos autores do estudo, Chris Pawson, da Universidade de East London, disse que consumir água pode ter um benefício psicológico sobre o raciocínio, além de aliviar a ansiedade.



Londres - Estudantes que bebem água durante exames aumentam suas chances de conquistar notas mais altas, segundo um estudo feito na Grã-Bretanha.

A pesquisa, realizada pelas universidades londrinas de East London e Westminster com 447 estudantes, constatou um desempenho em média 5% melhor nos estudantes que beberam água em comparação com os que não ingeriram líquido.

Um dos autores do estudo, Chris Pawson, da Universidade de East London, disse que consumir água pode ter um benefício psicológico sobre o raciocínio, além de aliviar a ansiedade.

"São necessários outros estudos para determinar com mais precisão as causas disso, mas é evidente que os estudantes devem se esforçar para estarem hidratados durante as provas" disse ele.

Os resultados da pesquisa podem ter implicações em políticas adotadas sobre a acessibilidade da água durante os exames, dizem os pesquisadores.

domingo, 15 de abril de 2012

O estresse constante pode fazer adoecer

O mesmo hormônio que ajuda a combater doenças pode deixar o corpo doente. Saiba como isso ocorre



O estresse crônico e as doenças estão interligados. É de conhecimento geral que o estresse psicológico aumenta o risco de doenças do coração, gripe e resfriado, e até mesmo de alergias.

Mas como uma coisa leva à outra? Uma nova pesquisa sugere que o hormônio cortisol desempenha um papel fundamental. Liberado em quantidades maiores em momentos de estresse, esse hormônio fornece ao corpo uma invasão súbita de energia. Ele também ajuda a suprimir a resposta imunológica do organismo a infecções como a gripe, mantendo reações a inflamações como a tosse, os espirros e a febre sob controle.

Porém, quando os níveis de cortisol permanecem elevados, o corpo pode se tornar menos sensível a eles, da mesma forma que níveis elevados de insulina podem levar a resistência à insulina e consequentemente ao diabetes.

Cientistas da Universidade Carnegie Mellon decidiram testar essa ideia. Numa experiência, 276 adultos saudáveis foram expostos a vírus de resfriados. Em seguida, foram colocados em quarentena e monitorados durante cinco dias.

Os indivíduos que tinham passado por experiências estressantes recentemente estiveram mais propensos a mostrar resistência ao cortisol. Eles também ficaram mais propensos a desenvolver resfriados, de acordo com um estudo publicado no periódico Atas da Academia Nacional de Ciência.

Numa segunda fase da pesquisa, os pesquisadores descobriram que os participantes mais resistentes ao cortisol também produziram mais citocinas, componentes do sistema imunológico que promovem a inflamação e aumentam a gravidade dos sintomas.

"Como a inflamação desempenha um papel importante no aparecimento e na progressão de uma ampla gama de doenças", diz o estudo, esse processo "pode ter grandes implicações para a compreensão do papel do estresse".

Conclusão: o estresse crônico pode aumentar o risco de doenças por estimular a resistência ao cortisol.

* Por Anahad O'Connor, The New York Times; Disponível no IG

sábado, 14 de abril de 2012

Trabalhadores noturnos correm maior risco de ter diabetes




Pessoas que têm padrões de sono irregulares e não dormem tempo suficiente estão no grupo de maior risco de desenvolver síndrome metabólica e diabetes, de acordo com pesquisadores do Brigham and Women Hospital, nos Estados Unidos. Na pesquisa publicada no site da BBC, os profissionais da área sugerem que a perturbação do sono leva a um pior controle da glicose e do metabolismo que, ao longo do tempo, aumentam o risco de obesidade e diabetes.

Para o trabalho foram examinados 21 voluntários saudáveis durante um período de seis semanas. Os participantes foram incentivados a dormir menos e em camas variadas, padrões de sono semelhantes aos vividos por trabalhos de turnos.

Os pesquisadores controlaram quantas horas de sono cada participante tinha, bem como quando eles dormiam e outros fatores, como atividade e dieta. Os voluntários começaram com a obtenção de sono ideal (cerca de 10 horas por noite). Após três semanas eles começaram a apresentar 5,6 horas de sono por período de 24 horas e com o sono ocorrendo em todos os momentos do dia e da noite, simulando o calendário de rotação dos trabalhadores de turnos.

Os resultados mostraram que, durante este período, houve muitos dias em que os participantes estavam tentando dormir em horários incomuns dentro do ciclo circadiano interno do corpo, responsável por regular o sono e outros processos dentro do organismo. O estudo terminou com os participantes passando por nove noites de sono de recuperação no horário habitual.

Os pesquisadores viram que a restrição prolongada do sono com interrupções no ritmo circadiano reduziu a taxa metabólica de repouso. Além disso, durante este período, as concentrações de glicose no sangue aumentaram após as refeições em função da baixa secreção de insulina pelo pâncreas.

Segundo os autores, uma diminuição da taxa metabólica de repouso pode se traduzir em um ganho de peso anual. Maior concentração de glicose e baixa secreção de insulina poderiam levar a um risco maior de desenvolver diabetes.

De acordo com os pesquisadores, as descobertas atuais confirmam essa relação. "Como os trabalhadores noturnos muitas vezes têm dificuldade em dormir durante o dia eles podem enfrentar tanto interrupção do ritmo circadiano à noite e sono insuficiente durante o dia. Sabemos que dormir o suficiente é importante para a saúde e que o sono deve ser reservado ao período da noite para ter melhor efeito", conclui Buxton, um dos profissionais responsáveis pelo estudo.

*Terra

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Anencefalia: quanto tempo é possível sobreviver sem cérebro?

A anencefalia é caracterizada por uma má formação do feto, que não desenvolve o cérebro e o cerebelo


O Supremo Tribunal Federal (STF) vai decidir nesta quarta-feira se as mulheres podem interromper a gestação de fetos anencéfalos. A anomalia ocorre quando o embrião não desenvolve o cérebro e o cerebelo. Alguns especialistas defendem que o direito dessas crianças à vida deve ser respeitado, enquanto outros alertam para os riscos e traumas de uma gestação desse tipo. Mas afinal, é possível que um bebê que nasce sem cérebro sobreviva por muito tempo?

Segundo o médico docente em genética na Universidade de São Paulo (USP) e especialista em medicina fetal, Thomaz Rafael Gollop, a sobrevida sem a estrutura cerebral é, na maioria dos casos, de poucas horas. "A anencefalia é um defeito congênito, que atinge o embrião por volta da quarta semana de desenvolvimento, ou seja, numa fase muito precoce. Em função dessa anomalia, ocorre um erro no fechamento do tubo neural, sem o desenvolvimento do cérebro", diz. Para Gollop, a chance de sobrevida por um período prolongado é "absolutamente inviável".

Cinquenta por cento das mortes em casos de anencefalia são provocadas ainda na vida intrauterina. Dos que nascem com vida, 99% morrem logo após o parto e o restante pode sobreviver por dias, ou poucos meses. "Os que sobrevivem, conseguem fazer o movimento involuntário de engolir, respirar e manter os batimentos cardíacos, já que essas funções são controladas pelo tronco cerebral, a região que não é atingida pela anomalia. Alguns não precisam do auxílio de aparelhos e chegam até a serem levados para casa, mas vivem em estado vegetativo, sem a parte da consciência, que é de responsabilidade do cérebro", afirma o professor de bioética da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), José Roberto Goldim.

O especialista em bioética defende que é um equívoco afirmar que os bebês anencéfalos são "natimortos cerebrais". Ele diz que o Conselho Federal de Medicina revogou uma resolução em 2010 que tratava os casos de anencéfalos como morte encefálica, já que eles apresentam uma "viabilidade vital". "O mais importante é desmistificar a visão de que a anencefalia é incompatível com a vida extrauterina. Temos um caso em Porto Alegre, no Hospital de Clínicas da UFRGS, de paciente que viveu quatro meses. Enquanto para algumas mães é um sofrimento levar adiante uma gestação que vai resultar em morte, para outras é importante permitir o curso natural até a morte", diz ao defender o direito de escolha nesses casos.

Já os casos de bebês que apresentam uma sobrevida maior - de até 2 anos - os especialistas concordam que não podem ser considerados anencefalia. Thomaz Gollop cita como exemplo a menina Marcela de Jesus Galante Ferreira, que sobreviveu 1 ano e 8 meses após ser diagnosticada como anencéfala. Para o geneticista, esse é um caso extremamente raro de uma anomalia chamada merocrania - quando há resquícios do cérebro revestido por uma membrana que protege contra infecções e prolonga a expectativa de vida. "Mesmo assim, todos os casos também culminam na morte".

Brasil é o quarto País com maior incidência de casos

A incidência é de aproximadamente um em cada mil nascimentos no Brasil. "Isso corresponde a cerca de 3 mil casos por ano", afirma Gollop. Segundo ele, o País é o quarto do mundo com o maior número de casos de anencefalia. Em primeiro lugar está o País de Gales. "Não sabemos por que da incidência maior nesses países, já que apresentam características tão diferentes", afirma.

A ciência ainda não sabe explicar exatamente as causas da anencefalia. Gollop explica que ela é uma condição multifatorial, influenciada por fatores genéticos, ambientais, sazonais e geográficos. O médico disse ainda que há formas de prevenir pelo menos metade das ocorrências a partir da ingestão de ácido fólico (um tipo de vitamina B) dois meses antes e no primeiro mês da gestação.

Diagnóstico

O diagnóstico pode ser feito a partir do terceiro mês de gestação por meio de uma ultrassonografia. Segundo Gollop, mesmo que a anomalia seja detectada precocemente, não há mecanismos que possam ser adotados para salvar o feto. Segundo ele, a partir do diagnóstico as mães que querem interromper a gravidez precisam recorrer a uma decisão judicial, que normalmente leva em torno de 15 dias. Se os ministros do STF decidiram pela regulamentação da interrupção da gravidez nesses casos, Gollop destaca que as mães que desejarem manter a gestação terão seu direito assegurado. "Muitas mães preferem seguir com a gestação e isso também precisa ser respeitado", afirma.

Os especialistas afirmam que esse tipo de gestação apresenta alguns riscos. Como a criança não tem reflexos para engolir o líquido amniótico, ele fica retido no útero, que pode não contrair na hora do parto, provocando hemorragias. Outros problemas mais comuns em gestações de risco podem ocorrer, como desenvolvimento de hipertensão e deslocamento da placenta.

*Angela Chagas, do Terra

terça-feira, 10 de abril de 2012

Quase metade da população está acima do peso no Brasil


Percentual passou de 42,7% em 2006 para 48,5% em 2011.
De acordo com o levantamento, 52,6% dos homens estão acima do peso.

Pesquisa divulgada nesta terça-feira (10) pelo Ministério da Saúde revela que quase metade da população brasileira está acima do peso. De acordo com o estudo, o percentual passou de 42,7% em 2006, para 48,5% em 2011. No mesmo período, a proporção de obesos subiu de 11,4% para 15,8%.

“Existe uma tendência de aumento do peso e obesidade no país. Agora é a hora de virar o jogo para não chegarmos a países como os Estados Unidos, que tem mais de 20% de sua população obesa”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Ele citou acordos feitos no ano passado entre o governo e a indústria de alimentos e escolas para a redução de sal e gordura na comida. O ministro defendeu ainda a criação de "espaços de saúde", com máquinas para exercícios em áreas públicas.

Os números são da pesquisa Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), que coletou informações nas 26 capitais brasileiras e no Distrito Federal. O levantamento, divulgado anualmente pelo ministério desde 2006, traz um diagnóstico da saúde do brasileiro a partir de questionamentos sobre os hábitos da população, como tabagismo, consumo abusivo de bebidas alcoólicas, alimentação e atividade física. Em 2011 foram entrevistadas 54.144 pessoas de janeiro a dezembro.

O levantamento revela que o sobrepeso é maior entre a população masculina. Mais da metade dos homens – 52,6% – está acima do peso ideal, enquanto 44,7% das mulheres apresentam sobrepeso. A pesquisa do Ministério da Saúde mostra ainda que o excesso de peso entre homens começa na juventude. Entre os que têm entre 18 e 24 anos, 29,4% já estão acima do peso. Na faixa etária entre 25 e 34, 55% da população masculina apresenta excesso de peso. A porcentagem sobre para 63% na faixa etária entre 34 e 25 anos.

Já entre mulheres jovens (entre 18 e 24 anos), 25,4% apresentam sobrepeso. A proporção aumenta para 39,9% na faixa etária entre 25 e 34 anos, e mais que dobra entre brasileiras de 45 a 54 anos (55,9).

“Uma parte dessa tendência do aumento de peso que é que temos mais pessoas entre 18 e 24 anos com excesso de peso e obesidade. Agir sobre as crianças e adolescentes é fundamental para prevenir uma população obesa”, afirmou o ministro.

Alimentação

Segundo Padilha, Um dos fatores do aumento do excesso de peso e da obesidade no Brasil é o consumo de alimentos gordurosos. A pesquisa do Ministério da Saúde revela que 34,6% dos brasileiros comem em excesso carnes com gordura e mais da metade da população (56,9%) bebe leite integral regularmente.

Além disso, 29,8% dos brasileiros consumem refrigerantes pelo menos cinco vezes por semana. Por outro lado, apenas 20,2% ingerem a quantidade recomendada pela Organização Mundial de Saúde de cinco ou mais porções por dia de frutas e hortaliças.

“Alimentar-se bem é o primeiro passo para ter uma qualidade de vida saudável. Temos que ter maior oferta de produtos industrializados saudáveis. No tocante aos supermercados, o objetivo é colocar produtos saudáveis mais visíveis, como o leite desnatado”, afirmou Padilha.

A pesquisa revela que as mulheres comem mais frutas e hortaliças, enquanto os homens comem mais carne com excesso de gordura. Quem tem mais de 12 anos de escolaridade tende consumir mais frutas e hortaliças, de acordo com o levantamento.

Apesar de "comer pior", os homens se exercitam mais do que as mulheres. Segundo a pesquisa, 39,6% dos homens fazem exercícios com regularidade. Entre as mulheres, a frequência é de 22,4%. O percentual de homens sedentários no Brasil passou de 16% em 2009 para 14,1% em 2011.

De acordo com o Ministério da Saúde, o sedentarismo aumenta com a idade. Entre homens entre 18 e 24 anos, 60,1% praticam exercícios. Esse percentual reduz para menos da metade aos 65 anos (27,5%). Entre mulheres de 25 a 45 anos, 24,6% se exercitam regularmente. A proporção é de apenas 18,9% entre mulheres com mais de 65 anos.

Capitais

Segundo o Ministério da Saúde, Porto Alegre é a capital que possui a maior quantidade de pessoas com excesso de peso (55,4%), seguida por Fortaleza (53,7) e Maceió (53,1). Na outra ponta da lista, com a menor proporção de pessoas com sobrepeso, estão São Luís (39,8%), Palmas (40,3%), Teresina (44,5%) e Aracaju (44,5%).

São Paulo apresenta 47,9% de pessoas com excesso de peso. A proporção no Rio de Janeiro é de 49,6%, e no Distrito Federal é de 49,1%.

Já a capital com mais obesos é Macapá (21,4%), seguida por Porto Alegre (19,6%), Natal (18,5%) e Fortaleza (18,4%). As capitais com menor quantidade de obesos são: Palmas (12,5%), Teresina (12,8) e São Luís (12,9%).

Em São Paulo, a proporção de obesos é de 15,5%, no Rio de Janeiro é percentual é de 16,5% e no Distrito Federal os obesos representam 15% da população.

Pontos positivos

Se, por um lado, o avanço da obesidade preocupa, por outro, a queda do tabagismo é vista como um ponto positivo pelo Ministério. No mesmo levantamento, a taxa de fumantes ficou em 14,8% – é a primeira vez que o número cai para menos de 15%. O número de fumantes pesados – que fumam mais de 20 cigarros por dia – também caiu e está em 4,3%.

O governo também comemorou o crescimento do número de exames de mamografia feitos por mulheres com entre 50 e 69 anos de 2007 até agora.

“Na minha avaliação, tanto a questão do tabagismo quanto da mamografia mostram que o povo brasileiro adere sim às medidas de acesso à saúde”, apontou Padilha.

*G1
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