Exma Sra. Presidenta,
Nós, estudantes brasileiros de medicina do exterior, que lutamos com todas as forças para seguirmos em uma profissão que requer muito amor e dedicação pela vida e saúde das pessoas, desde já queremos deixar bem claro nossa grandiosa admiração por sua intenção de ajudar as pessoas mais necessitadas de apoio médico no Brasil, principalmente nos interiores e confins deste imenso país.
Os mais de 10 mil brasileiros que estão agora em Santa Cruz de la Sierra - Bolivia, ficaram muito entusiasmados com as últimas notícias que estão sendo veiculadas nas redes de notícias oficiais nacionais em aumentar o numero de médicos.
O projeto sofre muita resistência principalmente pelos reguladores médicos do Brasil, como as entidades médicas e faculdades de medicina, mas tudo isso é apenas pelo corporativismo e hora nenhuma estão pensando na população que necessita de uma atenção básica de saúde.
O problema maior que toda população estudantil do exterior enxerga nesta resistência é apenas o corporativismo. Onde os médicos têm medo de perder postos de trabalho, diminuir o salário no fim do mês e perder o status que têm no momento, porque é a antiga e velha lei da oferta e da procura: mais trabalho, menos médicos, é igual a salário maior. Mas e a população que necessita desses médicos que não largam uma capital para ir para um interior, o povo tem que morrer, é isso? Mas de acordo com o CFM e outras entidades, está tudo bem e todo mundo sabe que não está.
Alegam que estão protegendo a população de maus médicos formados no exterior, mas eles não respondem a pergunta dos maus médicos formados no Brasil. Ai já começa o equívoco, porque se a intenção é proteger a população, então porque não começam dentro de casa?
• Primeiro, é porque a maioria dos estudantes de Medicina no Brasil são filhos de empresários, médicos, políticos e de pessoas com influencia.
• Segundo, que não querem que eles passem vergonha em um exame nacional igual tem a OAB.
• Terceiro, porque pagam uma fortuna muito mais de 400 mil reais, a donos de faculdade que muitas vezes são políticos ou parentes dos mesmos, assim como todo mundo sabe.
• Quarto, não querem dividir o mercado de trabalho porque acham um desaforo eles terem gastado mais de 400 mil reais para se formar enquanto outros menos de 90 mil no exterior para ter uma formação igual ou até mesmo melhor que em muitas faculdades do Brasil.
Esse discurso corporativista dos médicos e entidades médicas do Brasil de que estão somente protegendo a população, senhora presidenta, tem que ser enfrentado pelo governo com a seguinte pergunta: Porque não começamos a proteção separando os alunos brasileiros também? A população não pode ser protegida só de quem se formou no exterior não, tem que ser protegida de quem se formou no Brasil também, porque esses médicos mal formados no Brasil também matam pessoas, deixam sequelas iguais a um que teve uma má formação no exterior. Prova de que o ensino médico do Brasil está mal é o exame que o CREMESP faz de forma voluntária, onde apenas os alunos que se sentem mais bem preparados fazem, que foi assunto até de veículos de imprensa a nível nacional que mais de 60% desses alunos voluntários foram reprovados, imagina os que não estavam!
Aos formados no exterior, obrigam a fazer o Revalida, onde esse exame é feito no sentido de reprovar os médicos que pretendem trabalhar, pois é um exame feito para médicos especialistas e não para médicos recém formados em medicina geral. Senhora presidenta, solicite que um membro do seu governo leve algumas provas de forma aleatória para que médicos clínicos gerais formados no Brasil façam esse exame, solicite que médicos recém formados façam esse exame, garanto a Exma Sra. Presidenta que mais de 70% reprova no exame. Levem no interior, em faculdades fora da capital... A presidenta vai se assuntar com o resultado, vai ver que o exame não é para clínicos gerais, não tem valor de avaliar nenhum conhecimento básico, é apenas preconceituoso para alimentar as estatísticas do CFM para brigarem para que não entrem mais médicos no Brasil, a população que fique refém dessa situação.
Para exercer a medicina no Brasil, tanto para médicos formados no exterior, como no próprio Brasil, teria que haver apenas um exame, esse sendo único para todos. Aí sim filtraria quem merece praticar a medicina, porque a maioria que faz esse curso e no exterior é porque realmente ama essa profissão, realidade muitas vezes não vista por muitos alunos no Brasil, que só buscam status.
Exma. Sra Presidenta nós estudantes de medicina do exterior não estamos querendo o fim dos exames, estamos querendo apenas que exista um único exame para todos, tanto formados no exterior assim como no Brasil, porque o que existe é o preconceito contra a gente, assim como existe médicos que se forma mal aqui no exterior, existem médicos mal formados no Brasil. Tem que haver sim um exame, mas que seja digno pedagógico, que realmente avalie o médico recém formado como um clinico geral e não como um especialista.
Mas para acabar de vez com essa guerra que passa o governo com as entidades médicas, o governo deveria solicitar um exame único nacional a todos os que pretendem exercer a profissão médica no Brasil, porque assim o exame seria justo, que o CRM não iria interferir tanto nos exames pois iria demonstrar a debilidade do ensino médico no Brasil.
Exma Sra. Presidenta, lute por esse exame único para todos, assim ajudaria a proteger de verdade a população dos maus médicos pois eles existem de verdade, mas lhe asseguro que não são apenas os formados no exterior não, muitos estão dentro da nossa própria casa.
Sra Presidenta, os milhares de estudantes que hoje estão fora deste nosso glorioso Brasil, que um dia sonham em voltar para poder praticar aquilo que viemos aprender fora muitas vezes por uma falta de oportunidade em nosso proprio país, mas que têm a intenção de trabalhar duro pelo povo, ajudar a aliviar o sofrimento dessas pessoas que estão no interior e nos confins desse nosso mundão brasileiro, deposita na sua pessoa que é mais que uma Presidenta, é uma mulher que tem a grande sensibilidade de ver o que seus filhos estão necessitando, estão implorando, estão nas filas de espera por um médico que não tem. Uma mãe não deixa seu filho morrer sem lutar. Lute por nós que estamos sendo massacrados pelo corporativismo e deixe que a gente ajude a salvar as vidas desses nossos irmãos que estão agonizando à espera de um profissional médico. Somos o remédio para esse problema. Estamos sim, dispostos e capacitados para atender onde quer que seja, onde o Brasil nos chame, há sempre um médico brasileiro formado no exterior pronto para acudir um irmão que nos chama. E a mãe de todo esses Brasil, a Sra Presidenta, tenho certeza que nos vai ajudar a ir fazer esse socorro, a cuidar dos seus filhos que clamam por ajuda.
Seremos iguais a nossa gloriosa Forças Especiais do Brasil, aceitaremos “qualquer missão, a qualquer hora em qualquer lugar e de qualquer maneira”, se o objetivo for levar a saúde a quem precisa.
O que queremos é apenas uma oportunidade de demonstrar que somos bons iguais a muitos formados no Brasil.
Um exame nacional seria a forma mais sensata de demonstrar esse conhecimento de igual para igual, sem preconceito, sem discriminação, de forma saudável e transparente.
Um forte abraço e a certeza de uma mão amiga de todos os estudantes de medicina do Exterior.
BRASIL ACIMA DE TUDO.
A FORMAÇAO PODE SER ESTRANGEIRA, MAS O SANGUE, O CORAÇÃO, SERÃO SEMPRE BRASILEIROS.
*Patrickpablo; comentário em Revalidação Médica


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