Ivonei Sachinello, atualmente tem 34 anos, mas desde a adolescência sonhava em se tornar médico. Em 1997, aos 19 anos, a oportunidade surgiu. Depois de tentar por duas vezes uma vaga nas universidades Estadual do Paraná (UEPR), Federal de Mato Grosso (UFMT) e de Santa Catarina (UFSC) sem obter êxito, o jovem participou de uma pré-seleção em Rondônia, estado onde morava, à época para a Universidad de La Habana, em Cuba. Após ser aprovado e concluir o curso, em 2003, Ivonei passou por outro desafio, este, em terras brasileiras: validar o diploma cubano em seu País de origem.
“Sempre quis cursar Medicina fora do Brasil, mas não tinha pretensão de permanecer por lá. Assim que concluí, voltei. Quando retornei, tive que fazer a prova de validação do diploma. Era um teste bastante difícil. Passei de primeira, mas vários amigos meus não conseguiram. Recordo que ela era composta por uma redação, uma prova de conhecimentos gerais e outra de específicos. Eram perguntas de alto nível, para especialistas mesmo. Fiz em Maceió. A média da Universidade de Medicina de lá (Cuba), na época, era cinco e meio. Já a da validação era sete”, relembrou o atual cardiologista.
No momento, Ivonei trabalha em hospitais públicos e em uma clínica privada em Caruaru, no Agreste de Pernambuco. O médico ainda conta que, quando voltou de Cuba, sofreu preconceito por ter estudado fora do Brasil. “O preconceito sempre existe. No começo era mais complicado. Temos que provar nossa competência para que as pessoas acreditem que realmente podemos realizar os trabalhos. Hoje, vejo que o curso que fiz foi muito bom, pois tanto a parte teórica quanto a prática (em Cuba, a etapa prática é iniciada mais cedo do que no Brasil) são boas e temos muito contato com os pacientes. Achei muito válido”, acrescentou.
Se ainda não tivesse apto legalmente a trabalhar no Brasil, Ivonei poderia se candidatar ao Processo de Revalidação de Diploma de Médico Graduado no Exterior (Provalida) da Universidade de Pernambuco. O programa, cujas inscrições começaram na última segunda-feira, aprovará médicos para trabalhar em unidades do Programa Saúde da Família (PSF) e em outras unidades municipais de Saúde espalhadas em todo o Estado de Pernambuco. O resultado do processo seletivo será divulgado no dia 28 de setembro deste ano.
Assim como aconteceu com Ivonei, o estudante Fernando Santana, de 20 anos, desde mais jovem sonhava em estudar Medicina em uma grande universidade da América Latina. Ainda na adolescência, investiu nos estudos da língua espanhola, pois sabia que esse era um importante passo para realizar o seu desejo e pesquisou sobre as melhores opções para o estudo de seu curso fora do País. Há dez meses, o jovem garantiu uma vaga na Universidad de Buenos Aires (UBA, ou Universidade de Buenos Aires), na Argentina, após ter tentando uma vaga na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e na Universidade de Pernambuco (UPE).
Fernando, diferentemente de Ivonei, ainda não sabe se irá permanecer na Argentina ou se retornará ao Brasil. “São sete anos de curso, sendo um no ciclo básico, onde estou, e outros seis distribuídos nos ciclos bioquímico, clínico, internato e rotatório. Então, ainda tenho muito tempo para pensar. A única coisa de que tenho certeza agora é que quero fazer minha residência por aqui (na Argentina). O que também sei, por ter pesquisado bastante antes de escolher a faculdade, é que os programas da UBA e das instituições brasileiras são parecidos”, informou o estudante, em entrevista por e-mail.
Fernando também afirma que foi muito bem recebido pelos argentinos e esse é um dos motivos para querer continuar naquele país. “Escolhi a Argentina por diversas razões, como a qualidade da universidade, o câmbio favorável e não precisar de muitos documentos para estar legalizado”, relatou. Em relação ao Provalida, o estudante diz estar dividido. “Ao mesmo tempo que existem faculdades sérias e de níveis até superiores a algumas do Brasil, outras não são assim. Em Pernambuco, por exemplo, temos um deficit de médicos, e em algumas regiões, de certos tipos de especialistas. Acho que isso ajudaria a preencher essas vagas, mas a prova deve ser criteriosa para que só os bons profissionais sejam escolhidos”, finalizou Fernando.


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