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segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Cursos de Medicina poderão ter testes a cada dois anos



O relator da Medida Provisória dos Mais Médicos, deputado federal Rogério Carvalho (PT-SE), incluiu no relatório a ser analisado pelo Congresso Nacional a realização de teste obrigatório de progresso dos estudantes durante o curso de Medicina.

Pela proposta, o aluno seria submetido a uma avaliação a cada dois anos e, na especialização, faria outras duas provas para avaliar o "ganho de competência." Carvalho afirmou que a medida foi incluída por sugestão da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) e de uma comissão de especialistas.

Essa medida, no entanto, já havia sido lançada pelo governo. Em outubro de 2012, a avaliação foi pivô de uma disputa pública entre os ministros da Saúde, Alexandre Padilha, e da Educação, Aloizio Mercadante. O ministro da Saúde anunciou a intenção da criação da avaliação, mas, poucas horas depois, foi desmentido, em nota, por Mercadante, que afirmou desconhecer a ideia.

Na defesa da proposta, Padilha argumentava que exames periódicos, feitos ao longo do curso, poderiam corrigir a tempo algumas distorções, algo que poderia trazer mais segurança aos estudantes. Atualmente, a avaliação é feita pela Lei do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes), por meio do Enade, uma prova nos 1.º e 6.º anos da graduação de Medicina. "A avaliação trará mais mecanismos para avaliar os cursos e corrigir problemas rapidamente, tão logo sejam identificados", disse o relator.

Impor avaliação aos universitários já é prática defendida pelas associações e conselhos. O "teste de progresso" serviria, segundo a Associação Médica Brasileira (AMB), para avaliar não apenas o aluno, mas também escolas. "Apoiamos integralmente essa medida", diz o presidente Florentino Cardoso.

Atualmente não existe padrão nem entre as faculdades nem entre os conselhos de Medicina quando o tema é avaliação dos estudantes. Para ele, os testes deveriam ainda definir se os formandos podem ou não praticar a Medicina, como ocorre com os formandos em Direito - submetidos à prova da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Atualmente, o Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) é o único que obriga os formandos a se submeterem a uma prova no fim do curso. Quem boicota pode ter dificuldades para obter o registro.

*A Tarde / Agência Senado

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Saiba como ter diploma de medicina de fora reconhecido sem o Revalida

USP, Unicamp, Uerj, UFMG, UFMT e UFF possuem processos próprios.
Em 2014, UFF participará do Revalida; USP também estuda adesão.


Atualmente, médicos formados em faculdades fora do Brasil têm pelo menos sete opções para validar o diploma no país e conseguir a permissão para exercer o ofício: o Revalida, que encerrou suas inscrições na terça-feira (30), e os processos independentes realizados por pelo menos seis instituições, com regras e calendários variados: as federais Fluminense (UFF), no Rio, de Mato Grosso (UFMT) e Minas Gerais (UFMG), e as universidades estaduais do Rio de Janeiro (Uerj), de Campinas (Unicamp) e de São Paulo (USP). No ano que vem, porém, essa lista será menos diversa, já que a UFF decidiu aderir à próxima edição do Revalida. A USP também estuda integrar a prova centralizada do Ministério da Educação a partir de 2014.

Por lei, são as universidades públicas que têm a competência de validar qualquer diploma estrangeiro (desde que a instituição ofereça o curso em questão). Desde que o MEC lançou, em 2009, o Revalida (então chamado de Projeto Piloto), a grande maioria das faculdades de medicina federais e estaduais que ofereciam o serviço adotaram a prova do governo como uma das fases do processo. Nesse caso, elas continuam realizando a análise curricular e emitindo o documento de validação.

O governo não tem estatísticas sobre quais são as alternativas atuais ao Revalida, porque as instituições são autônomas, mas, entre 2010 e 2013, o número de universidades que aderiram à prova do MEC subiu de 24 para 37.


Segundo levantamento feito pelo G1, pelo menos seis ainda oferecem um processo paralelo. A advogada Mirtys Fabiany Azevedo Pereira, assessora jurídica de um site na internet especializado no procedimento, afirma que ele é marcado pela burocracia. Além de centenas de páginas de documentos com tradução juramentada (que pode custar cerca de R$ 20 mil), a maioria das instituições exige que o candidato se inscreva pessoalmente ou envie uma pessoa com procuração. "Na inscrição na UFMT eu apresentei 400 pessoas em março", contou.

Diferenças nos processos
Os mais procurados são os das federais de Mato Grosso e Minas Gerais, que tiveram, em 2013, 840 e 1.036 inscritos, respectivamente. Em São Paulo, Mirtys diz que ninguém se inscreve na USP e na Unicamp porque não há qualquer chance de aprovação. "Sempre dá carga [horária] incompatível [na análise curricular]."

O presidente da Comissão de Graduação da Faculdade de Medicina da USP, Edmund Chadad Bacarat, explica que a análise documental avalia não só a quantidade de disciplinas do curso, que em geral são as mesmas, mas também o conteúdo de cada uma. Como na USP o conteúdo é considerado forte, na maioria dos casos o candidato à validação sequer é chamado para a segunda fase (prova), porque a equivalência curricular fica abaixo dos 70% exigidos por lei. Dos três candidatos deste ano no processo realizado pela faculdade da capital, foi isso que aconteceu. Na Unicamp, quatro candidatos se apresentaram neste ano, e três processos já foram concluídos, com três reprovações.

Os coordenadores da validação na UFMT e na UFMG afirmam que suas instituições realizam a validação há mais de 20 anos e o processo é considerado transparente e eficaz. Além de terem o maior número de inscritos entre as seis alternativas (igual ou até mais alto que o próprio Revalida), elas também são as únicas que oferecem um curso de complementação de estudos, que o candidato pode fazer na própria instituição, se houver vaga, ou em uma faculdade particular. A advogada Mirtys explica que conhece apenas três instituições privadas com estrutura curricular para oferecer esse serviço, em MG, SC e TO, com preços que podem chegar a até R$ 100 mil por um ano de estudos.

As duas instituições, porém, afirmam que o nível de exigência de suas provas é o mesmo que o do Revalida e das avaliações de seus próprios estudantes de medicina. 


segunda-feira, 20 de maio de 2013

Importação de médicos 'não é panaceia', diz OMS

Para entidade, contratação de médicos estrangeiros pelo Brasil deve ser solução de curto prazo até que o país consiga suprir a demanda interna com profissionais brasileiros

A Organização Mundial de Saúde (OMS) afirmou que a contratação de médicos estrangeiros pelo Brasil deve ser vista apenas como uma solução a curto prazo e defende que o país fortaleça seu sistema de saúde para que seus próprios profissionais possam suprir a demanda interna.

Contratação de médicos estrangeiros é
solução provisória para o Brasil, diz entidade
Para Hans Kluge, Diretor da Divisão dos Sistemas de Saúde e Saúde Pública da OMS, a importação de médicos "não é a panaceia" e deve ser feita com cautela pelo Brasil para garantir que médicos de fora tenham treinamento e qualificação adequados para exercer a medicina no país.

O Ministério da Saúde estuda trazer milhares de médicos espanhóis, portugueses e cubanos. Kluge defende que o governo estabeleça acordos bilaterais com os países que fornecerão essa mão de obra para facilitar sua adaptação em terras brasileiras.

"É importante que esses profissionais estejam preparados profissional e pessoalmente para ir para o Brasil", disse ele à BBC Brasil, acrescentando que a rede de apoio deve continuar depois que esses profissionais começarem a atuar.

"Temos exemplos em outros países de médicos estrangeiros que depois de dois anos de trabalho acabaram voltando para casa ou caindo no mercado informal por não ter conseguido se integrar no novo ambiente de trabalho. Alguns viraram taxistas", exemplifica ele.

Segundo o Ministério da Saúde, o governo ainda está discutindo os termos do programa de contratação de médicos estrangeiros e, no momento, está estudando como esquemas semelhantes foram implantados em outros países.

Grã-Bretanha

O diretor da OMS sugere que a Grã-Bretanha pode ser um exemplo a ser analisado pelo Brasil. Anos antes da criação do Código Global de Prática sobre o Recrutamento Internacional de Profissionais de Saúde da OMS, do qual o Brasil é signatário desde 2003, a Grã-Bretanha já vinha seguindo regras próprias de conduta para auxiliar na contratação de médicos estrangeiros. Essas regras se baseiam em parcerias com os países fontes de mão de obra para facilitar a transferência dos profissionais e garantir que eles sejam reinseridos no mercado de trabalho se decidirem voltar à sua terra natal.

Além disso, como parte do comprometimento com as regras do Código de Prática da OMS, na última década a Grã-Bretanha vem aumentando o número de vagas nas faculdades de medicina visando aumentar o número de médicos formados no país. A Grã-Bretanha conta com uma presença expressiva de médicos estrangeiros em várias áreas da Saúde desde os anos 60, quando as primeiras levas começaram a desembarcar no país. A maioria vinha da Índia e do Paquistão, nações fortemente ligadas à Grã-Bretanha por causa do passado colonial.

Até hoje, os médicos desses países, juntamente com os da África do Sul, encabeçam a lista de médicos estrangeiros. A Grã-Bretanha é hoje o país com segundo maior número de médicos estrangeiros (44 mil), atrás apenas dos Estados Unidos (cerca de 190 mil). Segundo dados do General Medical Council (GMC), equivalente na Grã-Bretanha ao Conselho Federal de Medicina, os médicos de fora representam 37% do total de profissionais.

Em 2011, mais de 3,8 mil médicos de fora ingressaram no país. Postos de trabalho abundantes, combinados a bons salários e à oportunidade de exercer a profissão em centros de saúde e pesquisas considerados referência mundial, são os principais atrativos para essa mão de obra estrangeira.

De acordo com a British Medical Association (BMA), um clínico geral na Grã-Bretanha ganha cerca de 95 mil libras (R$ 293 mil) por ano. Segundo dados da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), este valor fica acima da média paga em outros países do grupo, que é de R$ 170 mil por ano. Entre as nações que integram a OCDE estão Alemanha, Grécia, Portugal e Espanha. Isso pode explicar, em parte, porque tantos médicos europeus vêm buscando oportunidades na Grã-Bretanha.

De acordo com o General Medical Council, houve um "crescimento notável" no número de médicos do continente, especialmente gregos e espanhóis.

"Apesar deste cenário não ser muito surpreendente diante do clima econômico desfavorável nesses países e altas taxas de desemprego, isso nos mostra um ponto interessante sobre a natureza global da medicina", diz o GMC em seu último relatório The State of Medical Education and Practice in the UK (O Estado da Educação e Prática da Medicina no Reino Unido).

Fluência em idioma

O GMC é responsável pelos registros de todos os médicos que atuam na Grã-Bretanha. Para atuar no país, os médicos estrangeiros devem passar por um controle rigoroso, que inclui validação do diploma do país de origem, pedido para obtenção de uma licença para praticar a medicina, provas de inglês, certificado de boa conduta e documentos que provem a experiência do médico. As regras mudam ligeiramente para os profissionais europeus, que não precisam de prova de inglês para atuar no país.

Segundo a GMC, isto causa problemas porque muitos europeus não são fluentes no idioma, o que pode afetar seu desempenho profissional e eventualmente colocar a vida de pacientes em risco. Ainda segundo dados do GMC, 63% dos médicos que tiveram seus registros cassados ou suspensos na Grã-Bretanha nos últimos cinco anos foram treinados no exterior.

A entidade concluiu que esses profissionais teriam falhado ao demonstrar suas habilidades para praticar medicina e tinham conhecimento insuficiente sobre as leis e códigos que regem o sistema de saúde do país. Desde então, O GMC vem defendendo que o governo implemente mudanças para que esses profissionais sejam acompanhados mais de perto no início de suas carreiras na Grã-Bretanha e que os europeus também passem por testes de inglês para avaliar sua capacidade de comunicação.

Para o diretor da associação Patient Concern, Roger Goss, que representa os pacientes atendidos na Grã-Bretanha, a preocupação com o bom nível de português dos médicos deve ser prioridade para o Brasil.

"É essencial que médicos e pacientes se entendam para não haver confusões sobre diagnósticos e tratamentos" , disse Goss à BBC Brasil.

*IG

terça-feira, 7 de maio de 2013

CFM é contrário ao plano de trazer médicos estrangeiros ao Brasil

Ministro Antonio Patriota mencionou ideia de chamar profissionais de Cuba. CFM se opõe e diz que tomará medidas jurídicas caso acordo vá adiante.


O Conselho Federal de Medicina (CFM) divulgou nota nesta segunda-feira (6) condenando a possível vinda de médicos estrangeiros para trabalhar no país. O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, afirmou mais cedo que o Brasil negocia com Cuba um acordo para receber cerca de 6 mil médicos daquele país para atendimento em regiões pobres onde a assistência à saúde é deficiente. 

O CFM afirmou repudiar "qualquer iniciativa que proporcione a entrada irresponsável de médicos estrangeiros e de brasileiros com diplomas de medicina obtidos no exterior sem sua respectiva revalidação".

Na visão da entidade de classe, medidas como essa ferem a lei e configuram uma "pseudoassistência com maiores riscos para a população e, por isso, além de temporárias, são temerárias por se caracterizarem como programas políticos-eleitorais". 

O comunicado afirma ainda que o CFM e os Conselhos Regionais de Medicina (CRMs) "envidarão todos os esforços possíveis e necessários, inclusive as medidas jurídicas cabíveis, para assegurar o Estado Democrático de Direito no país". 

Além de apontar que os médicos estrangeiros, sem a revalidação de seus diplomas no Brasil, não têm uma comprovação de que têm uma formação à altura do necessário, o CFM alega que existem estudos que indicam que esses profissionais, após algum tempo, tendem a migrar para os grandes centros. 

O CFM defende ainda a criação de uma carreira pública para o médico do SUS, com ênfase na atenção primária, para assegurar a presença de profissionais nas áreas remota e nas periferias dos grandes centros. 

"O que precisamos é de médicos bem formados, bem preparados, bem avaliados e com estímulo para o trabalho. Tratar a população de maneira desigual é sinal de desconsideração e de desrespeito para com seus direitos de cidadania", conclui a nota do conselho federal. 

Visita Oficial 

Patriota apresentou a ideia de trazer médicos cubanos em entrevista no Palácio do Itamaraty, em Brasília, após encontro com o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Eduardo Rodríguez Parrilla, que faz visita oficial ao Brasil. 

"Estamos nos organizando para receber um número maior de médicos aqui, em vista do déficit de profissionais de medicina no Brasil. Trata-se de uma cooperação que tem grande potencial e à qual também atribuímos um valor estratégico", disse o ministro brasileiro. 

De acordo com Patriota, "está se pensando em algo em torno de 6 mil ou pouco mais". Segundo ele, a negociação também envolve a Organização Panamericana de Saúde (Opas).

O Itamaraty ainda não faz previsão de prazo para a chegada dos médicos cubanos e não se manifestou sobre o registro desses profissionais. 

Outra parceria que deve ser estabelecida entre os dois países é na área farmacêutica, na qual Cuba "tem uma clara vantagem comparativa", afirmou Patriota. 

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Brasil quer contratar médicos do exterior para atuarem na Amazônia


Estratégia tenta suprir escassez de especialidades médicas.
Senador Eduardo Braga disse que médicos terão CRM provisório.


O senador e líder do Governo Federal no Senado, Eduardo Braga (PMDB), disse, na manhã deste sábado (2), em entrevista ao G1, que o Governo Federal estuda a contratação de médicos estrangeiros para atuar no interior da região Amazônica. O parlamentar comentou ainda sobre a eleição de Renan Calheiros para a presidência do Senado e assumiu voto no peemedebista.

"Nós na Amazônia temos grandes e graves carências de médicos especialistas no interior da nossa região. Não temos ginecologistas, ortopedistas, pediatras, obstetras, neurocirurgiões, anestesistas, enfim, faltam médicos especialistas no interior, e falta porque não há no país. Não adianta colocarmos salários de até R$ 25 mil porque esses médicos ganham isso ou quase isso em outras cidades e preferem morar em Ipanema do que em Tabatinga, por exemplo", disse o senador ao G1.

Segundo ele, a ideia está sendo estudada pela presidente Dilma Roussef, que já traça estratégias para que esses especialistas venham trabalhar no Brasil. "A presidente Dilma tem estudado com afinco a possibilidade de o Brasil aproveitar este momento econômico mundial para trazer médicos de Portugal, da Espanha, Cuba, Colômbia, Peru, Bolívia, que queiram vir trabalhar no interior do Brasil, concedendo a eles um CRM provisório por dois anos e estabelecendo uma bolsa de ajuda aos municípios que eles tenham condições de pagar esses médicos", completou Braga.

Eduardo Braga acredita que a estratégia de trazer médicos é necessária, pois o Brasil não pode formar médicos o suficiente para suprir a necessidade do país. "Não é um tema fácil porque tem a reação do Conselho Federal de Medicina, mas em contrapartida, nós não formaremos médicos para atender a nossa demanda nem daqui a 15 anos. Portanto, a única maneira de diminuir a dor e o sofrimento do nosso povo é nós trazermos esses especialistas de fora", enfatizou.

O líder do Governo no Senado falou ainda da estratégia para manter os médicos nas localidades para onde eles forem designados. "E temos que dar um CRM provisório, porque se ele sair de Tabatinga, por exemplo, nós temos que cancelar o CRM dele, se não ele pode vir pra Manaus ou ir pra qualquer cidade que não tem problema de falta de especialistas. Isso são mecanismos para fazer com que eles venham para atender em regiões onde nós temos extremadas carências", explicou.

*G1

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Prefeito de Fortaleza - CE quer contratar médicos do exterior


Medida seria para atender à demanda da periferia da Capital e atuar no Programa Saúde da Família

O prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, afirmou, em encontro com a presidente Dilma Rousseff, defender a proposta do governo federal de contratar médicos estrangeiros para atuar em hospitais da rede pública da Capital. A iniciativa seria uma forma de atender às reclamações de gestores municipais de todo o País sobre a falta de profissionais interessados em trabalhar nas periferias das grandes cidades.

Segundo a assessoria da Prefeitura, Roberto Cláudio também é favorável à "importação" de médicos de Portugal e da Espanha para que atuem temporariamente nas regiões de baixa cobertura do Programa Saúde da Família. O posicionamento do gestor, no entanto, é motivo de debate entre representantes da categoria.

Para José Maria Pontes, presidente do Sindicato de Médicos do Ceará (Simec), o Ceará possui profissionais suficientes para atender à demanda dos hospitais da periferia. Em todo o Estado, de acordo com dados do Conselho Regional de Medicina do Ceará (Cremec), existem 10.181 médicos atuando, sendo 7.729 somente na Capital.

Entretanto, Pontes destaca que a baixa remuneração e as más condições de trabalho estão afastando os profissionais da rede pública de saúde. Segundo ele, nenhuma das prefeituras municipais cearenses paga o valor do piso salarial determinado pela Federação Nacional de Médicos (Fenam), R$ 9.813,00.

"Está cheio de médicos querendo trabalhar, mas as prefeituras não têm responsabilidade sobre eles. Eu tenho 28 anos de carreira e ganho um salário miserável que nem é dos piores aqui no Ceará", critica o presidente do Simec.

Pontes afirma que a situação no Interior do Estado é ainda pior. Conforme ele, o sindicato tem recebido denúncias de cidades onde os salários estão atrasados há meses. "Tem locais onde estão pagando R$ 1.500,00 aos médicos, não oferecem carteira assinada e ainda demitem na hora que querem", alega Pontes.

O presidente do Simec afirma que não é contra a proposta do governo federal de trazer médicos de outros países, mas destaca que o nível de qualidade destes profissionais é uma grande preocupação da categoria. Pontes ressalta, ainda, que irá solicitar uma audiência com o prefeito para discutir a situação.

Regulamentação

Segundo o diretor do Cremec, Ivan Moura, caso a proposta do governo venha a se concretizar, os médicos estrangeiros terão de passar por todo um processo de regulamentação antes de exercer a profissão no Estado.

"Não é algo muito simples. Eles vão precisar estar inscritos no Conselho e o diploma deles terá de ser revalidado. Vai ser analisado se há correspondência com o curso médico daqui ou se precisa haver alguma complementação de estudo ou de prova", explica Moura.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Jornal Nacional: Médicos formados fora do país têm dificuldades para validar o diploma

Cerca de 10% desses recém-formados passam no revalida, a prova nacional com testes, questões escritas e uma parte prática.




Durante toda a semana, o Jornal Nacional mostrou a formação dos médicos brasileiros. Neste sábado (15), na última reportagem da série especial, você conhece o desafio dos profissionais que estudaram no exterior e têm de validar o diploma no Brasil para não trabalhar na ilegalidade.

Marcos deixou a Bahia para fazer medicina na Bolívia. Lucas saiu do Paraná e se formou em Cuba. São médicos com diplomas tirados no exterior, mas que só poderão exercer a profissão por aqui depois de uma avaliação.

Marcos acha natural. “É pertinente, é um exame que deve ser feito”, diz ele.

O pernambucano Maicon Nunes Martins reclama. “Esse exame, para mim, é uma injustiça. Tenho certeza que nem os graduados no Brasil teriam condições de aprovar”, opina ele, que se formou em Cuba.

Cerca de 10% desses recém-formados passam no revalida, a prova nacional com testes, questões escritas e uma parte prática. Mas há faculdades com autonomia para fazer suas próprias provas.

Isso não é ilegal, diz o ministro da Educação, Aloizio Mercadante. Mas também não é o ideal. “Não acho um bom caminho. É muito melhor que a gente tenha um exame nacional reconhecido. Todas as universidades federais respeitam o revalida”, avalia.

Um médico prefere não se identificar por temer preconceito. Ele fez faculdade na Bolívia e a prova de revalidação foi no Rio Grande do Norte.

JN: Foram 200 perguntas, tipo teste?

Médico: É, tipo teste, múltipla escolha.

JN: Teve prova prática?

Médico: Não, não teve prova prática.

Aprovado, conseguiu um emprego no Recife.

“Trabalho no pronto-socorro e estudo para fazer a residência”, conta ele.

Ele conta ainda que vários amigos seguiram o mesmo caminho, mas que existe gente sem diploma reconhecido exercendo a profissão ilegalmente:

"Tem muita gente sem CRM trabalhando em pequenos interiores em estados do Norte."

Foi o que constatou o Conselho Regional de Medicina do Acre. Em uma blitz recente, o flagrante: duas mulheres trabalhando sem registro no município de Tarauacá. Um problema grave, denunciado também em outras regiões do país.

“É uma situação de polícia, uma situação criminosa que vem ocorrendo”, destaca Mário Jorge Lôbo, presidente do Sindicato dos Médicos de Pernambuco.

Uma situação que precisa ser resolvida. Afinal, muitos dos que estudaram longe de casa, fazendo sacrifício, não querem ser vítimas de preconceito, e sonham poder exercer a profissão de médico, dentro da lei, e com toda a dignidade.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Comentário: Jornal Nacional mostra resultado do exame aplicado nos futuros médicos paulistas

Dos 2400 formandos que fizeram a prova do Conselho Regional de Medicina de SP, 54,5% não atingiram a nota mínima. O pior é que os erros se concentraram em áreas básicas. (clique aqui para acompanhar a notícia completa e o vídeo)

"Vale frisar que este exame é de um nível fácil a médio, contendo questões básicas que qualquer médico deve saber. Observem que a aprovação no vestibular não significa que formará um profissional com bom nível. Este ano, o CREMESP realizou um exame nacional de avaliação da qualidade dos recém formados em SP. 56,5% foram reprovados no exame! O engraçado é que isso foi apenas uma prova teórica. Nós, formados no exterior, somos submetidos a uma prova a nível difícil e ainda existe a prova prática. Será que algum médico formado no Brasil sobreviveria a este critério de seleção já que NENHUM médico formado em Universidades particulares NO BRASIL conseguiu aprovação no EXAME NACIONAL DO CRM??? Afinal de contas, o que é que o vestibular mede? Você ser bom de literatura? Matemática? História? O fato é que apenas no Brasil existe esta cultura do vestibular como uma verdadeira máquina de ganhar dinheiro por anos e anos a fio. Na Europa e Estados Unidos não funciona assim. O aluno obtendo uma média boa acima de 70% automaticamente o mesmo pode escolher a profissão que deseja seguir em muitos países. Comece a repensar se vale a pena você se desgastar anos e anos num cursinho. Faça Medicina no exterior, pois economiza tempo, dinheiro, dor de cabeça e você poderá conhecer um outro País, aprender um novo idioma e conhecer novas culturas."

Vale a reflexão.


*Postado no Facebook



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sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Jornal Nacional: Futuros médicos reprovados em exame vão poder exercer profissão

Dos 2400 formandos que fizeram a prova do Conselho Regional de Medicina de SP, 54,5% não atingiram a nota mínima. O pior é que os erros se concentraram em áreas básicas.


Mais da metade dos recém-formados nas faculdades de medicina de São Paulo foi reprovada em um exame do Conselho Regional de Medicina do estado. Mesmo assim, esse grupo vai poder exercer a profissão.

Obrigatório pela primeira vez, o exame do Cremesp, o Conselho Regional de Medicina de São Paulo, teve este ano seis vezes mais participantes do que no ano passado. Mas o resultado continua ruim. Dos 2.400 formandos do estado que fizeram a prova, 54,5% não atingiram a nota mínima. E ela nem era tão alta: seis. O pior é que os erros se concentraram em áreas básicas, como saúde pública e clínica médica, que ensina como atender um paciente. 

"É uma prova de nível fácil para médio. Aquele aluno que não consegue acertar 60% de uma prova desse tipo tem sérios problemas na sua formação e vai ter dificuldades para atender as pessoas", aponta o presidente do Conselho Regional de Medicina-SP, Renato Azevedo Júnior. 

O Cremesp não divulga os nomes e os resultados das faculdades, mas informa que os erros foram maiores em alunos de escolas privadas. 

Os principais objetivos do Cremesp, com essa prova, são avaliar as faculdades de medicina do estado, tanto públicas quanto privadas, e mostrar ao MEC que em vez de autorizar a abertura de novas escolas, o Ministério da Educação tem que ser mais rigoroso na fiscalização dos cursos já existentes. 

O Brasil é o segundo país do mundo em número de cursos de medicina, são 196. Só perde para a Índia, que tem uma população seis vezes maior. Apenas em São Paulo, são 36 faculdades, das quais sete foram abertas no último ano. 

O mau resultado na prova não impede o registro profissional do formando. Alguns alunos são contrários a prova e boicotaram o exame. 

"A gente defende é uma avaliação que seja feita em vários pontos da graduação, seriada, de dois em dois anos. Uma avaliação que englobe a faculdade como um todo e que não caia todo o peso da instituição em cima do estudante", defende a diretora-executiva nacional dos estudantes de Medicina, Erika Plascak Jorge. 

"O Ministério da Educação também tem que assumir sua responsabilidade nessa história e tem que tomar providência no sentido, inclusive, de fechar escolas de medicina que não tem condições de formar médicos", ressaltou Renato Júnior. 

O Ministério da Educação declarou que desconhece as bases em que foram aplicadas as provas do Conselho Regional de Medicina de São Paulo e que avalia, constantemente, as faculdades de todo o país. Segundo o ministério, o ciclo de avaliação do ensino superior é de três anos e as faculdades de medicina que já receberam notas baixas, no passado, poderão ser descredenciadas em 2013, se mantiveram o nível baixo de ensino. 

*Jornal Nacional

domingo, 21 de outubro de 2012

Estudante de Batatais cursa medicina em Cuba


Fernanda Mara ganha bolsa e divide um quarto com alunos da Guatemala, Bolívia, Venezuela e Honduras

A estudante Fernanda Mara da Silva, 27 anos, precisou embarcar para Cuba para realizar o sonho de cursar Medicina.

Sem condições financeiras de pagar o curso no Brasil, ela deixou a faculdade de Pedagogia na USP (Universidade de São Paulo) depois que ganhou a bolsa do governo cubano em 2008.

Na época, foram oferecidas 100 bolsas de estudos para pessoas que passaram por processos seletivos em movimentos sociais ou foram indicadas por partidos políticos.

"Eu estava no movimento estudantil e fiz uma entrevista no Consulado de Cuba em São Paulo e em cinco dias deram a resposta e cinco dias depois eu estava em Havana", diz ela.

Antes da entrevista, enfrentou as aulas de espanhol em um cursinho de quatro meses e quando chegou em território cubano também fez um curso intensivo para dominar a língua. Atualmente, além do espanhol ela também fala inglês porque a língua é obrigatória para quem faz Medicina no país.

Para ela, a maior dificuldade é enfrentar as várias culturas que se misturam na Universidade de Cuba. As bolsas de estudo são oferecidas para países da América Latina, África e Ásia. "No meu quarto tem pessoas da Guatemala, Bolívia, Brasil, Venezuela e Honduras".

No começo, confessa Fernanda, ela teve vontade de voltar para o Brasil porque tudo era desconhecido e era difícil não dominar a língua e enfrentar os hábitos de vida diferentes, mas hoje o país já é sua segunda casa. Ela termina o curso em 2014 e pretende voltar para o Brasil.

"Quero voltar para o país e minha expectativa é aplicar no meu país o que eu estou aprendendo aqui".

Ela diz que sabe que o diploma cubano não é reconhecido no Brasil. "Quero trabalhar com saúde da família. A área não é valorizada, mas sei que falta este profissional no país".

Candidatos

Nos dois primeiros anos de Medicina em Cuba o aluno tem a teoria nas salas de aula complementadas pelas visitas aos postos de saúde e a partir do terceiro enfrenta a rotina dos hospitais. "É uma medicina social e desde o primeiro ano temos o contato com a prática. Eles dão valor na medicina preventiva", diz Fernanda Mara da Silva, universitária.

A partir do terceiro ano, os alunos têm contato com a atenção secundária e terciária e a rotina em hospitais é diária.

"Tem pessoas que acham que a medicina em Cuba é só prevenção e que não servimos para trabalhar em hospital, mas esta ideia é descontruída aqui porque temos uma excelente qualidade de ensino em todas as áreas".

Ela comenta que os alunos sabem que Cuba é um país subdesenvolvido e não tem tecnologia de ponta a oferecer, mas segundo Fernanda a prevenção faz com que o governo cubano economize recursos para casos mais graves de saúde.

"Mesmo assim, Cuba utiliza tecnologia de ponta em oftalmologia e também tem universidade de Ciências e Informática e anualmente 10 mil alunos que se formam nesta área." Ela acrescenta que a tecnologia, por enquanto, não faz falta em solo cubano. "Aqui não somos proibidos de acessar redes sociais, mas temos que dividir os computadores entre 4 mil alunos. Aqui temos que dividir melhor os recursos oferecidos".

Ela conta que no curso de Ciências Básicas estudou informática ao lado de índios da Bolívia que nunca tinham visto computador. "Foi o primeiro acesso deles, então não é apenas em Cuba que não tem tecnologia".

Diploma não vale

O médico Isac Jorge Filho, conselheiro do Cremesp (Conselho Regional de Medicina de São Paulo) afirma que o diploma de medicina de Cuba não é válido no Brasil.

"Aceitamos diplomas de faculdades fiscalizadas pelo Ministério da Educação. Não fiscalizamos cursos de Cuba", afirma. Para ele, não tem o menor sentido uma pessoa que "foge" dos vestibulares e que se forma no exterior exercer a Medicina no Brasil. "É uma profissão muito séria", salienta.

Para ele, não há comprovação de que a medicina de Cuba é séria. "Sabemos que é certa na prevenção. Exceto isto é medicina primária e não tem nada de excepcional". Os médicos que se formam no exterior devem fazer uma prova de revalidação. "Faz a prova e se mostrar que tem conhecimentos pode exercer a profissão aqui", diz Jorge.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Médica cobra atuação do MEC na fiscalização de cursos na área


O Ministério da Educação (MEC) deve fiscalizar os cursos de medicina em prol de um ensino melhor. Essa é a opinião de Beatriz Rodrigues Abreu da Costa, presidente da Associação Nacional dos Médicos Residentes (ANMR), que afirma, ainda, que a residência é imprescindível para dar qualidade à formação do médico. Em entrevista ao Jornal do Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) e publicada no site da entidade, a médica relata a dificuldade enfrentada no atendimento das reivindicações junto ao governo e afirma que a precarização do sistema público de saúde inclui a situação dos médicos residentes, que muitas vezes fazem o atendimento sem condições adequadas.

A residência pode ser vista como uma forma de suprir a má-formação na graduação?
Beatriz - É a residência que dá qualidade à formação do médico. Porém a (formação) que algumas escolas médicas oferecem pode prejudicar o ingresso na residência.

Concorda com a flexibilização na validação de diplomas estrangeiros, com a possível mudança do Revalida? 
Não. O atual Revalida é a melhor maneira de avaliar médicos com diplomas estrangeiros, formato defendido por todas as entidades médicas.

O Exame do Cremesp pode contribuir para trazer qualidade às escolas?
A atual Resolução do Cremesp é boa porque o formando tem de realizar essa avaliação para obter o registro. Mas, no caso de uma futura obrigatoriedade de passar na prova, o que fazer com quem estudou seis anos de graduação e não consegue atuar na profissão? A avaliação das escolas médicas deve ser feita pelo MEC durante o curso de medicina, para que alunos e faculdades se adequem, sejam fiscalizados e que o ensino seja melhor. A ANMR começou recentemente a discutir esse assunto em todo o País.

Qual a situação dos médicos residentes no sistema público de saúde?
Beatriz - Temos cerca de 26 mil médicos cursando residência no País. São eles que fazem a maioria dos atendimentos no SUS, uma vez que o sistema conta com poucos médicos. Para isso, recebem bolsa de R$ 2.384,82 mensais por uma carga horária de 60h semanais. Nos hospitais públicos em que há residência médica, existe o caos, mas esta ainda é a melhor forma de gerar médicos especialistas de qualidade. Os hospitais e serviços que têm residência médica possuem melhor qualidade e, ainda, produção científica.

O que a ANMR tem reivindicado? 
Beatriz - Temos brigado por melhores condições para que o médico possa atuar no SUS. A ANMR protocolou, em maio, junto ao MEC (Ministério da Educação), pedido oficial para a reativação de um grupo de trabalho e discussão da pauta conquistada na greve (de 2010) e que não foi cumprida. Queremos reajuste da bolsa, moradia, e valorização da preceptoria, já que apenas alguns professores titulados ganham bônus.

A qualidade dos médicos no Brasil




O Brasil é medalhista no número de escolas médicas. Temos a medalha de prata, com 196 escolas em atividade. Perdemos apenas para a Índia. China e EUA, países com população bastante superior --e, no caso dos EUA, muito mais rico-- contam com 150 e 137 escolas médicas cada.

A expansão se acentuou desde a década de 1990, principalmente no ensino privado, mas também no público. Muitos cursos, inclusive de instituições públicas, abrem sem hospital-escola ou mesmo uma rede básica de ambulatórios para o treinamento prático.

Não bastasse a expansão desordenada, vivemos uma invasão de médicos formados no exterior, muitos deles brasileiros, vindo principalmente de Cuba e da Bolívia.

Segundo estimativas do Colégio Médico da Bolívia, há 25 mil brasileiros em cursos de medicina lá. Ausência de vestibular, mensalidades irrisórias e o baixo custo de vida comparado com o Brasil atraem os jovens para o eldorado boliviano.

O problema é que, além de essas escolas terem centenas de alunos por turma, nelas falta tudo, inclusive pacientes para o treinamento prático. A tentativa de revalidação de diploma desses candidatos a médicos revela números alarmantes.

Nossas universidades estatais têm autonomia para realizar a avaliação de egressos de universidades estrangeiras. Por causa da baixa qualidade das avaliações em alguns locais e por pressão de entidades médicas, o Inep criou em 2010 o Revalida, exame para unificar esta avaliação.

Aderiram ao projeto piloto 37 instituições públicas de ensino superior. Na primeira edição, de 517 inscritos, somente dois foram aprovados. Na segunda edição, em 2011, de 677 inscritos, apenas 65 foram aprovados (9,6%). Ainda não temos data para o exame em 2012, por quê?

Hoje, as escolas médicas no Brasil oferecem 16.892 vagas por ano. Nos programas de residência, padrão para formação de especialistas, há 10.196 vagas de acesso direto disponíveis para os recém-formados.

Desconsiderando a ociosidade nos programas de residência e as desistências durante o curso, podemos inferir que só 60% dos médicos têm acesso à especialização. Entram no mercado, sem treinamento adicional, mais de 6.000 médicos ao ano.

O exame realizado desde 2005 pelo Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) é prova da péssima qualidade da formação médica no Brasil. Em sete anos, 46,7% dos 4.821 alunos que realizaram o exame foram reprovados.

Como a adesão era voluntária, é cabível supor que os alunos que se consideravam mais bem preparados prestaram o exame. Aguardamos os números do exame de 2012, que será obrigatório para os formados no Estado de São Paulo, mas ainda não restringirá o exercício profissional em caso de reprovação.

Cabe ressaltar que o Revalida e o exame do Cremesp são provas básicas, que avaliam a capacidade de diagnóstico e tratamento de doenças frequentes. Muito diferentes dos exames de seleção para a residência, que têm caráter eliminatório e são mais abrangentes e complexos.

Tal contingente de médicos mal formados, sem especialização, entra no mercado de trabalho e nele fica por cerca de 40 anos. Muitas vezes não sabe coletar a história clínica nem examinar o paciente. Solicita exames além do necessário, pois não soube chegar ao diagnóstico na consulta.

São médicos que não sabem interpretar exames e terminam encaminhando o paciente para recursos de maior complexidade, superlotando hospitais e prontos-socorros, abarrotados de casos que deveriam ter sido resolvidos no posto de saúde.

Não existem duas medicinas. Os que defendem a abertura indiscriminada de faculdades com o argumento de ampliar o acesso da população aos médicos, ou como ouvimos frequentemente para "formar médicos para o SUS", são os responsáveis pela precarização da saúde dos brasileiros e pelo desperdício dos insuficientes recursos que nosso sistema de saúde dispõe.

Está instalado o SUS pobre de resolubilidade para os mais carentes. Enquanto isso, os políticos vão se consultar nos hospitais privados e nos grandes hospitais públicos universitários, onde só entra médico com título de especialista.

JOSÉ BONAMIGO, 35, clínico e hematologista, é tesoureiro da Associação Médica Brasileira; FLORENTINO CARDOSO, 50, cirurgião oncológico, é presidente da Associação Médica Brasileira

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Vídeo alerta sobre o estudo da Medicina em São Paulo



Não é uma crítica. É apenas um Alerta!

"No ano de 2010, dos 594 processos para Revalidação do Diploma, 184 foram deferidos, um total de 31% de APROVADOS e 69% de REPROVADOS. Manteve-se a mesma média 31% do ano de 2009."
(Antônio José de Amorim, diretor da Faculdade de Medicina da UFMT).
http://www.revalmed.com.br/noticias/universidade-sobre-pressoes

No último exame realizado pelo CREMESP com os médicos formados em SP, dos 533 participantes, 170 alunos foram bem sucedidos, um total de 32% de APROVADOS e 68% de REPROVADOS.
http://www.youtube.com/watch?v=kIUkECPs95c

Números de 2010 são parecidos: 31% contra 32% ••• 69% contra 68%.
SABE QUAL É A MAIOR DIFERENÇA?
Os 69% dos formados no exterior, não foram liberados para trabalhar no Brasil. 
Os 68% dos formados no Brasil, foram liberados!

VEJAM COMO AS APROVAÇÕES DOS FUTUROS MÉDICOS BRASILEIROS VEM CAINDO:
2005 - de 998 avaliados - 69% aprovados.
2006 - de 686 avaliados - 62% aprovados.
2007 - de 833 avaliados - 44% aprovados.
2008 - de 690 avaliados - 39% aprovados.
2009 - de 650 avaliados - 44% aprovados.
2010 - de 533 avaliados - 32% aprovados.

O Cremesp dará início à campanha em defesa de um Exame Nacional obrigatório, como condição para a obtenção do registro profissional de médico junto aos Conselhos Regionais de Medicina.

*Descrição do vídeo

Médicos graduados em São Paulo terão de fazer prova que fiscaliza a qualidade do ensino

Segundo o Cremesp, o principal motivo da obrigatoriedade do exame é a queda acentuada na qualidade do ensino médico em decorrência da abertura de novas faculdades no país



A partir deste ano, os alunos que se formarem em medicina terão que realizar uma prova para poderem se registrar no estado de São Paulo. O exame, que será realizado anualmente pelo Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp), vai avaliar a formação dos novos médicos que estão entrando no mercado de trabalho. No entanto, um desempenho ruim não reprovará o aluno – ele terá de apresentar apenas a declaração de participação no exame, e não a nota, na hora do registro.

A primeira prova deve ser aplicada em novembro deste ano. A nota de cada aluno será confidencial. O resultado geral do exame deve ser entregue a cada escola, ao Ministério da Educação e à imprensa.  O objetivo é avaliar a qualidade do ensino de medicina do país. “O médico mal formado vai passar 45 anos atuando de maneira errada. Nós não vamos punir o aluno, mas proteger a população”, diz Bráulio Luna Filho, conselheiro do Cremesp.

Segundo a direção do Cremesp, o principal motivo da obrigatoriedade do exame é a queda acentuada na qualidade do ensino médico em decorrência da abertura de novas faculdades no país. “Hoje temos 96 cursos de medicina no Brasil, só perdemos para Índia”, diz Renato Azevedo Júnior, presidente do Cremesp. Nesses últimos dez anos, o número de processos contra médicos aumentou 302%.

Para mostrar a precariedade do ensino, o Cremesp aplica há sete anos um exame opcional entre os formandos em medicina. Dos 4.821 alunos que já participaram, 46,7% foram reprovados. “É uma prova de conhecimentos básicos, que todo médico deveria saber para atender bem à população”, diz Azevedo Junior. Ainda por cima, se trata de um exame voluntário, no qual só participam os alunos que se sentem à vontade para fazer a prova. De todos os formados desde 2004, só 15% participaram do exame.


Legislação – Os Conselhos Regionais de Medicinas têm o papel de fiscalizar o exercício da medicina e são os responsáveis por autorizar o exercício da profissão no país. Segundo a lei, eles podem exigir que o candidato apresente os documentos que achar necessários na hora do registro. No entanto, eles não podem reprovar o candidato que não passar na prova. “Infelizmente não temos poder para impedir o registro desse aluno”, diz Azevedo Junior.

Para que a prova funcione como o Exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), com poder de reprovar em escala nacional os alunos com desempenho ruim, é necessário que haja uma mudança na legislação. O diretor do Cremesp cita o Projeto de Lei do Senado de numero 217, de 2004, do ex-senador Tião Vianna, como ideal. Ele institui o “Exame Nacional de Proficiência em Medicina como requisito para exercício legal da Medicina”, mas ainda está tramitando no Senado.

Prova – A prova deverá ser aplicada a 3.000 alunos neste ano. Ela será formulada e aplicada pela Fundação Carlos Chagas, que já faz a prova atual do Cremesp. A inscrição será gratuita. Os formados de outros estados que queiram se registrar em São Paulo terão de passar pelo exame.  No entanto, o Cremesp não pode impedir a atuação em São Paulo de médicos que estejam inscritos nos conselhos de outros estados do Brasil. Segundo Renato Azevedo Júnior, os outros Conselhos Regionais de Medicina vão acompanhar a experiência, a fim de observar os resultados alcançados. 

terça-feira, 22 de maio de 2012

Em artigo para O Estado de S.Paulo, Dr. Adib Janete propõe alternativas para distribuir médicos no País


Membro da Academia Nacional de Medicina e ex-ministro da Saúde, Dr. Adib D. Jatene, teve seu artigo “Equívocos sobre distribuição de médico” publicado nesta terça-feira, 22 de maio, no jornal O Estado de S. Paulo. Segundo o especialista, a falta de médicos no Brasil não se deve apenas a escassez de profissionais, mas a má distribuição deles. A maioria prefere trabalhar nos grandes centros, pertos dos hospitais, que lhes dão suporte.

Para Jatene, “talvez seja o momento de pensar uma carreira de Estado capaz de orientar a distribuição desses profissionais no seio da população, oferecendo-lhes condições de trabalho, supervisão e até suporte informatizado.”

Leia a seguir na íntegra:


Equívocos sobre distribuição de médico 

Em medicina se aprende que o diagnóstico correto é que determina a terapêutica. Se o diagnóstico estiver errado, a terapêutica também será errada. Isso me ocorreu quando tomei conhecimento de estratégia em elaboração no governo para garantir a presença de médicos em pequenos municípios, em áreas remotas e nas periferias das grandes cidades. 

O diagnóstico, a meu ver, equivocado, seria baseado em informações de prefeitos, e até governadores, de que não conseguem contratar médicos para o Programa de Saúde da Família (PSF), mesmo oferecendo salários superiores a R$ 10 mil. Concluem, a partir daí, que o problema é falta de médicos. O corolário seria a ampliação de vagas em faculdades públicas, abertura de novas faculdades e, pasmem, flexibilização nos critérios de revalidação de diplomas obtidos no estrangeiro. Esses critérios foram recentemente revistos e consolidados no projeto Revalida. 

Segundo as informações, propõe-se a contratação de médicos no exterior (leia-se Bolívia e Cuba, entre outros), que viriam como estagiários para trabalhar nas áreas específicas para as quais não se consegue contratar médicos. O estágio seria cumprido por dois anos sob supervisão, após os quais o diploma seria reconhecido, beneficiado pela anunciada flexibilização dos critérios. Como o assunto está em apreciação e, ao que me consta, a decisão ainda não foi tomada, atrevo-me a algumas considerações sobre o tema. 

Concordo com a ideia de que nos faltam médicos. Acontece que, baseadas nessa constatação, diversas universidades, não apenas privadas, mas também públicas, criaram mais cursos, ampliando o número de vagas. Em 1996 tínhamos 82 faculdades de medicina. Hoje temos 187. Nos últimos 15 anos foram criados 105 cursos de medicina, 70 dos quais privados. Quando todos tiverem completado pelo menos seis anos, oportunidade em que formarão sua primeira turma, estaremos graduando aproximadamente 18 mil médicos por ano, o que significa quase duplicar o número de formados. 

Se hoje temos 1,9 médico por mil habitantes, dentro de poucos anos ultrapassaremos os 2,5/1.000, considerados adequados. O problema que temos enfrentado é o de capacitar esses médicos para atender a população, sem utilizar a alta tecnologia, e criar condições nos diferentes locais em que irão atuar capazes de lhes oferecer condições de trabalho e o adequado suporte. 

Por outro lado, a má distribuição não tem relação direta com o número de profissionais existentes. Se fosse assim, as capitais, onde vivem 20% da população do País e onde se concentram 50% dos médicos, estariam todas bem servidas. Exatamente nas capitais, e nas respectivas áreas metropolitanas, é onde se observam em suas periferias as carências mais sentidas desses profissionais, limitando a ampliação do PSF. 

Isso ocorre porque tradicionalmente os médicos se localizam perto dos hospitais, que lhes dão suporte. Nas grandes cidades, os hospitais concentram-se nas áreas mais antigas e ricas, deixando as periferias sem eles e, em consequência, sem médicos. Em 1999, demonstrei que na capital de São Paulo, em 25 distritos onde vivia 1,8 milhão de pessoas, existiam na média 13 leitos por mil habitantes. Nos outros 71 distritos, onde moravam 8,1 milhões de habitantes, havia 0,6 leito por mil. Nesse grupo foi possível destacar 39 distritos com mais de 4 milhões de habitantes onde não havia nenhum leito. Portanto, na capital de São Paulo, para colocar nestas áreas dois leitos por mil habitantes, há um déficit de 12 mil leitos, o que significaria 60 hospitais de 200 leitos. E isso para atendimento de casos eletivos e de urgência. Não se está cogitando de leitos para doentes crônicos. 

As equipes de Saúde da Família necessitariam de ambulatórios de especialidade para referir pacientes, os quais, por sua vez, precisariam de oportunidade para eventuais internações. Acontece que esses leitos não existem onde está a maior concentração de população. 

Criou-se em nosso meio a ideia de que os graduados em medicina devem complementar sua formação com a residência médica. Como as vagas para residência são em número menor que o de formandos, estabeleceu-se, na verdade, um novo vestibular para ingresso nela. No 6.º ano, antes de se aprimorarem no internato para atender os pacientes, dispensando a alta tecnologia, os alunos fazem "cursinhos" e se preparam para ingressar na residência. Os que não passam vão trabalhar, sem supervisão e mal preparados, em ambulatórios de convênios e plantões de pronto socorro. Já os que cumprem a residência - que, como já afirmei, só existe onde está implantada toda a moderna tecnologia - saem com títulos de especialistas e não vão trabalhar nos locais onde se constata a deficiência do profissional médico. 

Temos de agir, e rápido, na revisão do curso médico. Talvez seja necessário fazer os médicos que se formarem em determinado Estado, por exemplo, permanecerem por um ou dois anos nesse mesmo Estado, designados para as áreas onde há falta deles, mantendo-os sob supervisão da escola em que se graduaram, como pré-requisito obrigatório para pleitearem a residência médica. 

Como se vê, o problema de distribuição de médicos é por demais complexo e não se resolve com medidas simples e equivocadas. Talvez seja o momento de pensar uma carreira de Estado capaz de orientar a distribuição desses profissionais no seio da população, oferecendo-lhes condições de trabalho, supervisão e até suporte informatizado. 

As entidades médicas estão mobilizadas e dispostas a colaborar na busca de solução racional e permanente, em que não cabe a ideia de corporativismo e se coloque em primeiro lugar a pessoa humana, que sofre, merece respeito e deve ter acesso a médicos competentes e preparados para atendê-la sem o emprego da alta tecnologia, que deve ser utilizada por especialistas.

Fonte: O Estado de S.Paulo


quinta-feira, 17 de maio de 2012

VITÓRIA: Justiça mantém Provalida e UPE prorroga inscrições até dia 29



A juíza da 12a. Vara Federal da Secção de Pernambuco, Dra. Joana Carolina, julgou improcedente o pedido de liminar que suspendia o edital No. 01/2012, referente ao Programa de Revalidação de Diplomas de Médicos Graduados no Exterior (PROVALIDA UPE). O pedido foi feito pelo Conselho Regional de Medicina (Cremepe), Sindicato dos Médicos (Simepe) e Associação dos Médicos de Pernambuco. Por conta do julgamento, a Universidade de Pernambuco havia prorrogado as inscrições até a próxima sexta-feira (18).

Em seu despacho, a juíza Joana Carolina afirma que o Governo do Estado, a Universidade de Pernambuco e a Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe) demonstraram suficientemente a carência de médicos atuando nas unidades do Programa de Saúde na Família no interior do Estado; assim como também as tentativas da administração pública em estimular a opção dos médicos pelo exercício da medicina da famíia preventiva e social, sem no entanto atrair um número suficiente de interessados. Nesse sentido, afirma a juíza em sua argumentação, ficou demonstrada a carência de profissionais para atender à população carente no interior do Estado de Pernambuco.

A juíza Joana Carolina ainda afirmou que o PROVALIDA UPE não viola o livre exercício da profissão nem a exiegência constitucional do concurso público – uma vez que estes foram realizados sem, entretanto, atrair número suficiente de intressados. Por fim, a juíza também argumenta que o PROVALIDA UPE não contraria o princípio da isonomia, pois os médicos que estudarem no País e que se dispuserem a trabalhar no interior do Estado também poderão ser contratados.

Sobre o processo de avaliação e revalidação dos diplomas expeditos no Exterior, a juíza Joana Carolina ainda afirmou que a Universidade de Pernambuco se esforçou para demonstrar a lisura do procedimento impessoal, que consiste em quatro fases e que poderão, inclusive, ser acompanhadas pelo Conselho Regional de Medicina (Cremepe), Sindicato dos Médicos (SImepe) e Associação dos Médicos de Pernambuco.

Por fim, em seu despacho, a juíza Joana Carolina afirma que entende que não há irregularidades que justifiquem a concessão de liminar que suspenda o processo de seleção de médicos graduados fora do País.

*UPE

sábado, 12 de maio de 2012

Senadora se compromete a mudar proposta que valida diplomas estrangeiros

O projeto pretende facilitar a entrada de médicos estrangeiros no Brasil para atender às demandas do interior, mas a proposta não é aceita pelos profissionais da área.





Manaus - A senadora Vanessa Grazziontin (PCdoB), autora do projeto de lei que facilita a revalidação do diploma de medicina de estrangeiros, se dipôs a fazer mudanças na proposta. A senadora mudou de postura depois de uma audiência pública no plenário da Câmara Municipal de Manaus (CMM) na manhã desta sexta-feira (11) com estudantes e membros do Conselho Regional de Medicina (CRM).

O projeto da senadora tem o objetivo de facilitar a entrada de médicos estrangeiros no Brasil para atender às demandas do interior do Estado, que sofrem com a falta de profissionais da área. O problema é que a proposta não é vista com bons olhos pelos profissionais da área.

Durante a audiência, o presidente do CRM criticou a proposta da senadora. Ele disse que para levar médicos para o interior do Amazonas, é necessário melhorar a estrutura de trabalho. Ele defendeu uma política de carreira, como acontece nas Forças Armadas, onde o médico, depois de formado, teria que passar dois anos atuando em municípios do interior, como forma de incentivo.

Estudantes de medicina da Universidade Federal da Amazonas (UFAM), também participaram do debate. Para a presidente do Diretória Acadêmico de Medicina da Ufam, Alexandra Procópio, 19 anos, o projeto não está bem elaborado e pode compromoter a carreira de estudantes que se formam pelo estado.

O acadêmico de medicina da UFAM, Raphael Naranzo, 19 anos, também apontou a falta de estrutura de hospitais do interior como o principal motivo de muitos profissionais da área se negarem a ir para esses municípios. “Do que adianta o médico ir se ele não tem o básico para atender um paciente? Vai lá para segurar a mão dele”.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Revalidação de diplomas estrangeiros de médicos vai a debate na CMM nesta sexta



A revalidação dos diplomas dos cursos de graduação em Medicina expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras vai ser debatida em Audiência Pública nesta sexta-feira (11/05), pela Comissão de Saúde da Câmara Municipal de Manaus (CMM), às 10h, no plenário da Casa.

A discussão vai girar em torno do Projeto de Lei nº 015/2012, de autoria da senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB), que “altera as Leis nºs 9.394, de 20 de dezembro de 1996 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação), e 3.268, de 30 de setembro de 1957, para dispor acerca da revalidação e do reconhecimento simplificado de diplomas de cursos de graduação em medicina expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras e sobre o exercício profissional de seus portadores”. Em outras palavras, essa revalidação de diploma de forma simplificada acaba com os exames de proficiência e reconhece, sem critério, os diplomas dos cursos de Medicina de instituições estrangeiras, principalmente os das instituições cubanas.

O projeto não conta com o apoio dos médicos brasileiros. No dia 10 de abril, os presidentes dos 27 Conselhos Regionais de Medicina (CRMs) divulgaram nota pública contra a revalidação indiscriminada de diplomadas de Medicina obtidos no exterior. No texto, os presidentes pediram ao Governo a manutenção do Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos expedidos por Universidades Estrangeiras (Revalida), aplicado desde 2010 pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e reconhecido pelo uso de critérios uniformes, justos e transparentes na avaliação dos candidatos.

Foram convidados para participar da audiência, estudantes, entidades de classe, como Sindicato dos Médicos do Amazonas (Simeam) e Conselho Regional de Medicina (CRM), centros acadêmicos das universidades locais e a senadora Vanessa Grazziotin.

A Comissão de Saúde da CMM é presidida pelo vereador Homero de Miranda Leão (PHS).

domingo, 6 de maio de 2012

PROVALIDA-UPE: Entidades médicas questionam programa


Estudar Medicina é o sonho de muita gente. O curso é um dos mais concorridos nas universidades federais e estaduais brasileiras. Algumas pessoas veem como uma boa alternativa para realizarem seu sonho, estudar fora do Brasil. Na semana passada, a Secretaria Estadual de Saúde em parceria com a Secretaria de Ciência e Tecnologia, através da UPE, anunciou uma medida que vai incentivar o retorno desses profissionais depois de formados ou a entrada de estrangeiros no mercado de trabalho médico do Estado, para trabalharem no Programa de Saúde da Família (PSF). O Provalida teve suas inscrições iniciadas, mas causou grande discordância por parte de entidades ligadas à profissão, como o Sindicato de Médicos de Pernambuco (Simepe), o Conselho Regional de Medicina (Cremepe) e a Associação Municipalista de Pernambuco (AMPE).

Vários são os argumentos dos órgãos contrários ao Provalida, os quais entraram com uma Ação Civil Pública na Justiça Federal em Pernambuco, questionando o edital do programa. De acordo com o presidente do Simepe, Mário Jorge Lôbo, já existe no Brasil um criterioso sistema de validação chamado Revalida. “O Provalida parece, para mim, uma troca de favores. É uma medida paliativa, que ao invés de trazer uma melhoria nas condições de trabalho das cidades do Interior, traz apenas novos profissionais. O que provavelmente acontecerá é que as pessoas irão trabalhar os dois anos exigidos e depois irão sair, surgindo novamente a necessidade de contratação e a falta de profissionais. É bastante assustador ver que o Estado está proporcionando isso”, relata.

O presidente do Simepe ainda afirma que a medida é discriminatória com os médicos formados em Pernambuco. “É como se tivessem vagas reservadas para os que estudam fora, o que é injusto. Além disso, a medida é antidemocrática, pois a população não foi consultada em relação a isso”, declarou. As divergências entre as universidades brasileiras e as internacionais também foram mencionadas pelo presidente. “Na Bolívia, por exemplo, a carga horária não chega nem à metade do tempo daqui. Algumas, privadas, basta o estudante pagar que entra. Entendemos que eles também formam profissionais competentes, não estamos afirmamos o contrário, mas não temos controle sobre essa formação”, acrescenta Mário Jorge Lôbo.

Segundo o secretário de Ciência e Tecnologia de Pernambuco, Marcelino Granja, no Brasil, as universidades têm liberdade de criarem os seus próprios processos de validação de diploma estrangeiro. Além disso, o secretário alertou que o Provalida atenderá às mesmas exigências do sistema nacional (o Revalida). “O Provalida não é uma iniciativa da UPE, mas sim, do Governo do Estado. Com ele, estamos apenas buscando uma melhor distribuição dos profissionais de Medicina no Estado. Temos falta de médicos e isso é um fato. Não é porque não são realizados concursos públicos, como o Simepe está dizendo, mas sim, porque os médicos não querem trabalhar nos PSFs. Os médicos não são direcionados para isso nas universidades”, informou.

Ainda conforme o gestor, o Provalida apenas se alia aos outros programas de incentivo para levar os médicos para o Interior. “A principal diferença entre o Provalida e o Revalida é que o primeiro vai direcionar essas pessoas que cursaram fora do País para os PSFs, mas em relação ao processo não haverá diferenças”, acrescentou o secretário. Marcelino Granja ainda reforçou que os médicos dos PSFs são, em sua grande maioria, clínicos gerais, mas os de qualquer área são bem-vindos. “30% dos PSFs em Pernambuco estão sem médicos e são nos lugares mais pobres. Esse programa, no mínimo, servirá para aumentar a quantidade de médicos, mas ainda depende dos municípios aceitarem esses profissionais”, finaliza o secretário.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Audiência pública discute em Manaus a revalidação automática dos diplomas médicos

Audiência será na CMM, onde médicos, acadêmicos de Medicina, representantes do Simeam e CRM/AM apresentaram um abaixo-assinado contra o Projeto de Lei de autoria da senadora Vanessa Grazziotin 



Na próxima sexta-feira (11), a Câmara Municipal de Manaus (CMM) realizará uma audiência pública que vai discutir a revalidação automática dos diplomas médicos.

O Sindicato dos Médicos do Amazonas (Simeam) com o apoio dos Diretórios Acadêmicos das Faculdades de Medicina e do Conselho Regional de Medicina (CRM/AM) iniciou a campanha em Manaus contra a revalidação automática dos diplomas, proposto pelo projeto de lei nº015/2012, de autoria da senadora Vanessa Grazziotin (PC do B).

De acordo com o presidente do Simeam, Mario Vianna, um abaixo assinado, contra o projeto, que visa alterar as regras de validação do diploma de médicos estrangeiros no Brasil será apresentado durante audiência.

“Vamos mostrar que os estudantes de medicina, os médicos, outros profissionais da saúde e a sociedade são contra esta afronta que visa privilegiar uma pequena parcela de estudantes”, disse.

Em resposta aos argumentos de que há deficiência de profissionais médicos Mario Vianna afirma que é necessária uma redistribuição geográfica dos médicos, com uma carreira de estado, através de concurso público, com piso nacional digno e retorno programado para que o profissional possa se qualificar.

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