segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Médica cobra atuação do MEC na fiscalização de cursos na área


O Ministério da Educação (MEC) deve fiscalizar os cursos de medicina em prol de um ensino melhor. Essa é a opinião de Beatriz Rodrigues Abreu da Costa, presidente da Associação Nacional dos Médicos Residentes (ANMR), que afirma, ainda, que a residência é imprescindível para dar qualidade à formação do médico. Em entrevista ao Jornal do Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) e publicada no site da entidade, a médica relata a dificuldade enfrentada no atendimento das reivindicações junto ao governo e afirma que a precarização do sistema público de saúde inclui a situação dos médicos residentes, que muitas vezes fazem o atendimento sem condições adequadas.

A residência pode ser vista como uma forma de suprir a má-formação na graduação?
Beatriz - É a residência que dá qualidade à formação do médico. Porém a (formação) que algumas escolas médicas oferecem pode prejudicar o ingresso na residência.

Concorda com a flexibilização na validação de diplomas estrangeiros, com a possível mudança do Revalida? 
Não. O atual Revalida é a melhor maneira de avaliar médicos com diplomas estrangeiros, formato defendido por todas as entidades médicas.

O Exame do Cremesp pode contribuir para trazer qualidade às escolas?
A atual Resolução do Cremesp é boa porque o formando tem de realizar essa avaliação para obter o registro. Mas, no caso de uma futura obrigatoriedade de passar na prova, o que fazer com quem estudou seis anos de graduação e não consegue atuar na profissão? A avaliação das escolas médicas deve ser feita pelo MEC durante o curso de medicina, para que alunos e faculdades se adequem, sejam fiscalizados e que o ensino seja melhor. A ANMR começou recentemente a discutir esse assunto em todo o País.

Qual a situação dos médicos residentes no sistema público de saúde?
Beatriz - Temos cerca de 26 mil médicos cursando residência no País. São eles que fazem a maioria dos atendimentos no SUS, uma vez que o sistema conta com poucos médicos. Para isso, recebem bolsa de R$ 2.384,82 mensais por uma carga horária de 60h semanais. Nos hospitais públicos em que há residência médica, existe o caos, mas esta ainda é a melhor forma de gerar médicos especialistas de qualidade. Os hospitais e serviços que têm residência médica possuem melhor qualidade e, ainda, produção científica.

O que a ANMR tem reivindicado? 
Beatriz - Temos brigado por melhores condições para que o médico possa atuar no SUS. A ANMR protocolou, em maio, junto ao MEC (Ministério da Educação), pedido oficial para a reativação de um grupo de trabalho e discussão da pauta conquistada na greve (de 2010) e que não foi cumprida. Queremos reajuste da bolsa, moradia, e valorização da preceptoria, já que apenas alguns professores titulados ganham bônus.

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