segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Estudantes brasileiros podem fazer Medicina na Argentina

Mensalidade chega a custar até três vezes menos em relação ao valor cobrado pelas faculdades no Brasil.


O Instituto Sul-Americano de Pesquisa e Desenvolvimento (Isped), empresa mantida pela Associação Educacional Latino Americana, possui convênio com a Universidad de Morón (UM), em Buenos Aires, para permitir que estudantes brasileiros ingressem no curso de Medicina na Argentina.

O convênio entre as instituições possui atualmente cerca de 250 graduandos brasileiros e estará ingressando no ano de 2013 a sua 4º turma. O programa oferecido pelo Isped dispõe de 2.000 horas aulas inseridas no histórico da universidade, com matérias da medicina brasileira, preparando o futuro médico para a prova de revalidação exigida para os formados no exterior e complementando a carga horária do curso.

Disciplinas ministradas apenas no Brasil também são oferecidas nesta graduação, que tem por objetivo preparar o brasileiro para a prova de revalidação e complementar a carga horária do seu curso superior, tendo em vista que este é um requisito essencial para o retorno e consequente trabalho no Brasil.

Outro diferencial está relacionado aos valores, pois eles são muito mais acessíveis se comparado a qualquer Instituição privada existente no Brasil. A mensalidade é, em média, três vezes menor que no Brasil.

Vestibular

O processo seletivo do Isped, que substitui o CBC (uma espécie de vestibular argentino), acontecerá no dia 30 de setembro em 40 cidades brasileiras. Há, também, processo de seleção diferenciado para quem já possui formação superior. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo site www.isped.com.br .

Atualmente, cerca de 5 mil alunos brasileiros estudam Medicina na Argentina, distribuídos em diversas universidades que são consideradas as melhores do mundo e referências em diversos assuntos relacionados à carreira.

Mais informações podem ser obtidas pelo e-mail processoseletivo@isped.com.br ou pelo telefone (11) 3105.8080. O Isped está localizado em São Paulo.

Por Adriano Lesme
*com informações do Isped

Prova de revalidação de diploma tem data marcada na UFMG




A Comissão Permanente de Revalidação de Diploma Médico da UFMG marcou as datas, o local e os horários das provas de conhecimentos gerais em Medicina. As provas serão, exclusivamente, na cidade de Belo Horizonte, no campus Pampulha, nos dias 29 de setembro de 2012 (sábado), de 13h30 às 17h30 e 30 de setembro de 2012 (domingo), de 13h30 às 18h30 (horários de Brasília).

Dos candidatos inscritos no processo, só serão convocados para as provas os que não apresentarem pendências nos documentos ou no pagamento da taxa de inscrição, conforme previsto pelo edital do processo. Quem for convocado, deverá comparecer ao local de realização de suas provas com uma hora de antecedência do horário previsto para início das mesmas. Os portões serão fechados às 13h30.

Os detalhes do processo serão enviados para os convocados no e-mail informado no ato da inscrição, e por carta. As informações e atualizações sobre o processo também deverão ser acompanhadas consultando o site da Pró-Reitoria de Graduação – PROGRAD (www.ufmg.br/prograd ).

Aos convocados que guardam o sábado por motivos religiosos

Em respeito à liberdade de consciência e de crença preconizada pela Constituição Federal, os convocados que guardam o sábado por motivos religiosos poderão optar por realizar a prova do sábado (dia 29 de setembro) em horário especial (após o pôr-do-sol), de 18h30 às 22h30. Para isso, deverão solicitar o horário especial, à PROGRAD, por meio do endereço eletrônico comunicacao@prograd.ufmg.br, até às 23h59 do dia 21 de setembro de 2012.

Entretanto, por questões de logística e segurança do processo, deverão comparecer ao local das provas no mesmo horário dos demais convocados, ou seja, até às 12h30 (os portões serão fechados às 13h30) e deverão permanecer em sala especial até às 18h30, quando se dará para estes requerentes em condição especial, o início das provas, garantindo-lhes o mesmo tempo de duração da prova que foi oferecido aos demais convocados.

As provas do dia 30 de setembro serão realizadas no mesmo horário (13h30 às 18h30) para todos os convocados.

(Assessoria de Comunicação da Prograd)

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Médica cobra atuação do MEC na fiscalização de cursos na área


O Ministério da Educação (MEC) deve fiscalizar os cursos de medicina em prol de um ensino melhor. Essa é a opinião de Beatriz Rodrigues Abreu da Costa, presidente da Associação Nacional dos Médicos Residentes (ANMR), que afirma, ainda, que a residência é imprescindível para dar qualidade à formação do médico. Em entrevista ao Jornal do Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) e publicada no site da entidade, a médica relata a dificuldade enfrentada no atendimento das reivindicações junto ao governo e afirma que a precarização do sistema público de saúde inclui a situação dos médicos residentes, que muitas vezes fazem o atendimento sem condições adequadas.

A residência pode ser vista como uma forma de suprir a má-formação na graduação?
Beatriz - É a residência que dá qualidade à formação do médico. Porém a (formação) que algumas escolas médicas oferecem pode prejudicar o ingresso na residência.

Concorda com a flexibilização na validação de diplomas estrangeiros, com a possível mudança do Revalida? 
Não. O atual Revalida é a melhor maneira de avaliar médicos com diplomas estrangeiros, formato defendido por todas as entidades médicas.

O Exame do Cremesp pode contribuir para trazer qualidade às escolas?
A atual Resolução do Cremesp é boa porque o formando tem de realizar essa avaliação para obter o registro. Mas, no caso de uma futura obrigatoriedade de passar na prova, o que fazer com quem estudou seis anos de graduação e não consegue atuar na profissão? A avaliação das escolas médicas deve ser feita pelo MEC durante o curso de medicina, para que alunos e faculdades se adequem, sejam fiscalizados e que o ensino seja melhor. A ANMR começou recentemente a discutir esse assunto em todo o País.

Qual a situação dos médicos residentes no sistema público de saúde?
Beatriz - Temos cerca de 26 mil médicos cursando residência no País. São eles que fazem a maioria dos atendimentos no SUS, uma vez que o sistema conta com poucos médicos. Para isso, recebem bolsa de R$ 2.384,82 mensais por uma carga horária de 60h semanais. Nos hospitais públicos em que há residência médica, existe o caos, mas esta ainda é a melhor forma de gerar médicos especialistas de qualidade. Os hospitais e serviços que têm residência médica possuem melhor qualidade e, ainda, produção científica.

O que a ANMR tem reivindicado? 
Beatriz - Temos brigado por melhores condições para que o médico possa atuar no SUS. A ANMR protocolou, em maio, junto ao MEC (Ministério da Educação), pedido oficial para a reativação de um grupo de trabalho e discussão da pauta conquistada na greve (de 2010) e que não foi cumprida. Queremos reajuste da bolsa, moradia, e valorização da preceptoria, já que apenas alguns professores titulados ganham bônus.

A qualidade dos médicos no Brasil




O Brasil é medalhista no número de escolas médicas. Temos a medalha de prata, com 196 escolas em atividade. Perdemos apenas para a Índia. China e EUA, países com população bastante superior --e, no caso dos EUA, muito mais rico-- contam com 150 e 137 escolas médicas cada.

A expansão se acentuou desde a década de 1990, principalmente no ensino privado, mas também no público. Muitos cursos, inclusive de instituições públicas, abrem sem hospital-escola ou mesmo uma rede básica de ambulatórios para o treinamento prático.

Não bastasse a expansão desordenada, vivemos uma invasão de médicos formados no exterior, muitos deles brasileiros, vindo principalmente de Cuba e da Bolívia.

Segundo estimativas do Colégio Médico da Bolívia, há 25 mil brasileiros em cursos de medicina lá. Ausência de vestibular, mensalidades irrisórias e o baixo custo de vida comparado com o Brasil atraem os jovens para o eldorado boliviano.

O problema é que, além de essas escolas terem centenas de alunos por turma, nelas falta tudo, inclusive pacientes para o treinamento prático. A tentativa de revalidação de diploma desses candidatos a médicos revela números alarmantes.

Nossas universidades estatais têm autonomia para realizar a avaliação de egressos de universidades estrangeiras. Por causa da baixa qualidade das avaliações em alguns locais e por pressão de entidades médicas, o Inep criou em 2010 o Revalida, exame para unificar esta avaliação.

Aderiram ao projeto piloto 37 instituições públicas de ensino superior. Na primeira edição, de 517 inscritos, somente dois foram aprovados. Na segunda edição, em 2011, de 677 inscritos, apenas 65 foram aprovados (9,6%). Ainda não temos data para o exame em 2012, por quê?

Hoje, as escolas médicas no Brasil oferecem 16.892 vagas por ano. Nos programas de residência, padrão para formação de especialistas, há 10.196 vagas de acesso direto disponíveis para os recém-formados.

Desconsiderando a ociosidade nos programas de residência e as desistências durante o curso, podemos inferir que só 60% dos médicos têm acesso à especialização. Entram no mercado, sem treinamento adicional, mais de 6.000 médicos ao ano.

O exame realizado desde 2005 pelo Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) é prova da péssima qualidade da formação médica no Brasil. Em sete anos, 46,7% dos 4.821 alunos que realizaram o exame foram reprovados.

Como a adesão era voluntária, é cabível supor que os alunos que se consideravam mais bem preparados prestaram o exame. Aguardamos os números do exame de 2012, que será obrigatório para os formados no Estado de São Paulo, mas ainda não restringirá o exercício profissional em caso de reprovação.

Cabe ressaltar que o Revalida e o exame do Cremesp são provas básicas, que avaliam a capacidade de diagnóstico e tratamento de doenças frequentes. Muito diferentes dos exames de seleção para a residência, que têm caráter eliminatório e são mais abrangentes e complexos.

Tal contingente de médicos mal formados, sem especialização, entra no mercado de trabalho e nele fica por cerca de 40 anos. Muitas vezes não sabe coletar a história clínica nem examinar o paciente. Solicita exames além do necessário, pois não soube chegar ao diagnóstico na consulta.

São médicos que não sabem interpretar exames e terminam encaminhando o paciente para recursos de maior complexidade, superlotando hospitais e prontos-socorros, abarrotados de casos que deveriam ter sido resolvidos no posto de saúde.

Não existem duas medicinas. Os que defendem a abertura indiscriminada de faculdades com o argumento de ampliar o acesso da população aos médicos, ou como ouvimos frequentemente para "formar médicos para o SUS", são os responsáveis pela precarização da saúde dos brasileiros e pelo desperdício dos insuficientes recursos que nosso sistema de saúde dispõe.

Está instalado o SUS pobre de resolubilidade para os mais carentes. Enquanto isso, os políticos vão se consultar nos hospitais privados e nos grandes hospitais públicos universitários, onde só entra médico com título de especialista.

JOSÉ BONAMIGO, 35, clínico e hematologista, é tesoureiro da Associação Médica Brasileira; FLORENTINO CARDOSO, 50, cirurgião oncológico, é presidente da Associação Médica Brasileira

MPF defende contratação de médicos uruguaios na fronteira do RS


Em parecer, o Ministério Público Federal (MPF) manifestou-se a favor de quatro médicos uruguaios e da Fundação Hospital de Caridade de Quaraí (RS). Todos são parte de ação civil pública movida pelo Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers) que, em apelação contra decisão de juiz federal, solicita que os profissionais sejam suspensos das atividades porque seus diplomas não foram revalidados por universidades brasileiras. Defende, ainda, que o hospital não contrate médicos uruguaios sob tais circunstâncias.

Contrariado em primeira instância, o Cremers apelou ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Porém, segundo o procurador regional da República Marcus Vinícius Aguiar Macedo, da Procuradoria Regional da República da 4ª Região, os argumentos do conselho são improcedentes. Ele lembra que Quaraí encontra-se em localidade fronteiriça onde incide acordo entre Brasil e Uruguai que permite a população local o exercício de profissão nas cidades que compõe o documento (Decreto nº 5.105/2010).

Posteriormente, um ajuste complementar (Decreto nº 7.239/10) tratou especificamente da prestação de serviços de saúde em determinados municípios na fronteira do Brasil com o Uruguai. O mesmo assegura que "a prestação de serviços poderá ser feita tanto pelos respectivos sistemas públicos de saúde quanto por meio de contratos celebrados entre pessoa jurídica como contratante, de um lado, e pessoa física ou pessoa jurídica como contratada, de outro, tanto de direito público quanto de direito privado".

Macedo afirma que o ajuste complementar visa justamente a aproximação dos sistemas de saúde brasileiro e uruguaio nas regiões de fronteira, como forma de encontrar soluções comuns para as deficiências no atendimento. Segundo ele, é notória a falta de profissionais nestas localidades, sobretudo especialistas em determinadas áreas de atuação. Assim, é comum que pacientes busquem tratamento no outro lado da fronteira. "Tal permissão considerou a situação de intensa busca de serviços médicos especializados por pacientes de ambos os lados da fronteira, especialmente quando há caráter de urgência. A contratação de médicos formados no Uruguai é a solução encontrada para possibilitar o acesso imediato da população às especialidades não antes contempladas pelos serviços de saúde locais", argumenta.

Para o procurador, a lentidão do processo de revalidação dos diplomas obtidos no exterior tem impedido a atuação de médicos estrangeiros, quando sabidamente faltam profissionais de saúde no País, sobretudo no interior. No entendimento de Macedo, a ausência de revalidação do diploma ou a não inscrição do médico uruguaio no Cremers em uma das localidades vinculadas não afasta a permissão dos tratados internacionais firmados entre Brasil e Uruguai para a prestação de serviços de saúde. "No cenário atual, a contratação de médicos uruguaios concretiza o princípio constitucional da eficiência, visto que atende ao fim mais relevante: o aprimoramento do atendimento de saúde ofertado à sociedade", conclui.

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