sábado, 24 de novembro de 2012

Medicina 2013 na Argentina, Bolívia ou em Cuba!



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quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Médica brasileira se diz satisfeita com formação e vida na Bolívia




Depois de terminar o colégio na rede pública da cidade de Ariquemes, em Rondônia, Rafaela Vieira Mota se viu diante de um problema. Na universidade federal que atende a região, a Unir, não havia o curso de medicina. Como teria de sair de lá, optou por buscar a formação em outro país. "Sempre quis fazer medicina fora. Minha mãe viu um convênio pelo Ministério da Educação, que permite a estudantes estudarem em outros lugares da América do Sul. Acabei o ensino médio e já fui estudar em Sucre (Bolívia)", conta a brasileira, hoje com 29 anos e já formada.

O convênio citado é o Andrés Bello (CAB), parceria entre países sul-americanos para desenvolvimento educacional, cultural e científico que uniformiza as disciplinas educacionais, permitindo que estudantes e pesquisadores possam estudar em diversas universidades, cujo currículo similar facilita na hora de revalidar o diploma. Foi através dele que Rafaela conseguiu transferência para a Universidade Autônoma de Gabriel Rene Moreno, em Santa Cruz de la Sierra, após seis meses na Universidad San Francisco Xavier de Chuquisaca. "Não sabia que tinha tanto brasileiro fazendo medicina nesta cidade", comenta.

"Não queria voltar como a menina do interior que foi estudar fora e retornou com uma filha como diploma" 
Rafaela Mota, médica

Os compatriotas, contudo, eram minoria nas universidades públicas bolivianas. A médica, que chegou em 2000 a Santa Cruz, notou que o processo de seleção local também era uma barreira para os brasileiros, que se concentram, geralmente, em faculdades particulares. "Poucos estudavam na universidade estatal. Existe um vestibular com 300 vagas, mas só os melhores conseguem entrar. Por não ter tanto brasileiro, o curso de medicina é melhor. Não tem muito aquele clima de oba-oba de morar fora de casa. Os estudantes são mais focados e aprendem melhor", afirma.

Após dois anos de faculdade, Rafaela se apaixonou por um ex-professor, engravidou e se casou. Foi um período conturbado. "Tive dificuldades para me formar. Primeiro, pelo preconceito. Eles acham que toda brasileira é p... por ser mais extrovertida. Eu me apaixonei, engravidei, fiquei muito mal, senti que tinha traído a confiança dos meus pais, pensei em desistir, mas não queria voltar para o Brasil como a menina do interior que foi estudar fora e retornou com uma filha como diploma", reflete.

Rafaela se ergueu e foi em frente. Acabou o curso e voltou ao Brasil para revalidar o diploma. E apesar de ter estudado em uma universidade pública, que tem a grade curricular parecida com a de faculdades brasileiras, ela acredita que contou com o acaso no exame. "Tive 50% de sorte na prova. Aqui na Bolívia se faz muita prática, desde o primeiro ano se começa a fazer estágios nos hospitais públicos. Mas a parte teórica é falha. Quando fui fazer o teste, tive problema com os nomes técnicos, pois na Bolívia é um e no Brasil, outro. Além disso, não temos algumas matérias, como Sistema Único de Saúde (SUS)".

Sorte ou não, ela conseguiu o registro. E, com família constituída na Bolívia, se preparou para voltar ao país. Mas não sem uma parcela de dúvida. "Fiquei entre a cruz e a espada. Poderia voltar ao Brasil, ganhar mais, mas meu marido é médico, já tinha estabilidade e não me acompanharia imediatamente na mudança. No Brasil se trabalha muito, é plantão de segunda a segunda. Se eu voltasse, estaria ganhando muito dinheiro e talvez não tivesse nem começado minha especialização. Aqui não me falta nada. Tenho minha casa, carro novo, sítio, minha mãe mora aqui, minha filha não estuda na pior escola de Santa Cruz. Por isso não penso em regressar rápido. Estou feliz sendo médica na Bolívia", relata Rafaela.

A brasileira, que está terminando uma especialização em medicina legal e leciona esta disciplina em universidades no curso de Direito, reforça que uma família vive muito bem com cerca de US$ 2 mil em Santa Cruz. "Temos uma lei chamada Financial, que estabelece o teto salarial do funcionário público em 15 mil pesos bolivianos (cerca de R$ 5 mil), que é o salário do presidente Evo Morales. Meu marido dá aulas na universidade e eu trabalho no hospital. Juntando os salários o valor não pode passar deste teto. Mas ele faz cirurgias particulares em que tira US$ 1 mil, fazendo uma cirurgia por mês. Então, temos tudo aqui. No Brasil é mais status. Aqui, como dizem, todo mundo é doutor neste Pueblo", brinca, antes de concluir. "Mas quero morrer na minha terra. Quando vou voltar, ainda não sei".

Burocracia barra trabalho de estrangeiros no País


A intenção do governo brasileiro de facilitar a entrada de profissionais estrangeiros de alta qualificação esbarra na própria burocracia. A validação dos diplomas, necessária para que os estrangeiros possam trabalhar regularmente, é um processo longo, complicado e caro, o que leva muitos, mesmo com o visto de trabalho em mãos, a desistirem.

O problema afeta especialmente a área que o governo Dilma Rousseff quer mais atrair, a de engenheiros, arquitetos e técnicos de inovação tecnológica.

Hoje, a escassez de profissionais dessas áreas no Brasil faz com que muitas empresas tentem importar estrangeiros para ocupar as vagas ociosas. A falta de um diploma válido não impede que essas pessoas trabalhem, mas não permite que assinem projetos, o que limita a possibilidade de contratação e aproveitamento de profissionais qualificados.

A validação do diploma no Brasil pode ser feita por qualquer universidade pública, de acordo com uma determinação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação, aprovada em 1996. O que parece ser uma facilidade, no entanto, termina por ser um complicador. Cada instituição tem exigências e critérios próprios, que normalmente passam pela análise do currículo e do conteúdo das disciplinas.

Algumas dessas instituições exigem tradução juramentada de todo o material, enquanto outras aplicam uma prova. Raramente um candidato é aprovado sem que seja obrigado a fazer pelo menos algumas disciplinas complementares. Todo o processo pode levar até dois anos e custar até R$ 5 mil, entre taxas da universidade e a tradução do material. Muitos desistem antes mesmo de começar.

O problema da validação dos diplomas de profissionais estrangeiros já está no radar do governo. É um dos temas que a força-tarefa coordenada pela Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República estuda para facilitar a entrada de profissionais qualificados, como mostrou reportagem do Estado na última segunda-feira.

Em março de 2013, a SAE deve entregar um relatório sobre as vantagens e desvantagens do atual processo de entrada de estrangeiros no País. Com base nesse estudo, os ministérios envolvidos vão começar a discutir as mudanças. Ou seja, é improvável que se veja alguma alteração antes do segundo semestre do próximo ano.

Medicina

Em pelo menos um caso, o dos médicos, o governo federal decidiu centralizar a prova de certificação. Nesse caso, para atender a um lobby específico, o das famílias de jovens brasileiros que foram fazer medicina em Cuba e de partidos da base do governo, como o PT e o PCdoB, que encabeçavam o sistema de seleção para as vagas na escola de medicina do país de Fidel Castro.

O Revalida, como é chamada a prova, foi criado em 2010 e é preparado pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Pesquisas Educacionais (Inep) e aplicado por 38 universidades públicas. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo

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Exame para médicos formados no exterior aprova só 12,5% de candidatos na 1ª fase

Segunda etapa do Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos (Revalida) será realizada nos dias 1º e 2 de dezembro, em Brasília com apenas 98 participantes


Apenas 12,5% dos 782 médicos estrangeiros – ou brasileiros que fizeram o curso de medicina fora do país – que realizaram a primeira etapa do Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos (Revalida) foram aprovados para a segunda etapa da avaliação. Os noventa e oito médicos realizarão os exames nos dias 1º e 2 de dezembro, em Brasília, no Hospital das Forças Armadas (HFA). Na prática, o diploma desses profissionais obtidos em universidades fora do Brasil não tem validade no país.

Realizado, desde 2011, pelo Instituto de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o Revalida é feito em duas etapas. A primeira delas é composta por uma prova objetiva, com questões de múltipla escolha, e uma prova do tipo discursiva.


Já na segunda etapa, é realizada a parte prática, com uma avaliação de habilidades clínicas. Tal exame tem o objetivo de verificar conhecimentos, habilidades e competências requeridas para o exercício profissional adequado ao Sistema Único de Saúde (SUS), em nível equivalente ao exigido dos médicos formados no Brasil.

As duas fases têm caráter eliminatório. Os candidatos precisam, ainda, apresentar o Certificado de Proficiência em Língua Portuguesa para Estrangeiros (Celpe-Bras), no nível intermediário-superior.

Médicos em atuação no Brasil

De acordo com informações do Conselho Federal de Medicina (CFM), o país tem 371.788 médicos em atuação. O número foi registrado em outubro de 2011 e confirma tendência de crescimento da categoria, o que ocorre há 40 anos. De 1970 até hoje, houve um aumento de 530% de profissionais - naquele ano o país tinha 58.994 médicos. A estimativa do conselho é que, desde o ano passado, cerca de 16.800 novos profissionais entram no mercado de trabalho anualmente.

A entidade defende o atual formato do exame e condena a revalidação automática de diplomas estrangeiros. “Sem observar estes critérios, se colocará em risco a saúde da população e não solucionará o problema da falta de médicos em algumas regiões e em determinados serviços públicos de saúde no Brasil”, afirma, em nota, o CFM.

*IG

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