segunda-feira, 9 de abril de 2012

A Grande Medicina da América do Sul



Estava lendo alguns artigos, notícias, fazendo aquela boa ronda. Sou viciado em informação, em conhecimento. E me deparei com um comentário muito legal de um cara que se identifica como Eduardo Costa, sobre conquistas de médicos argentinos, e a medicina da Colômbia. Lógico que as conquistas dos outros países têm grande valor também... Enfim, acompanhem:


Se ficar doente, eu gostaria de tratar-me na Colômbia (primeira opção ) ou na Argentina (segunda opção). Médicos argentinos paparam 3 prêmios Nobel em medicina.

1 -- O primeiro Nobel argentino (Bernardo Houssay) argentino descobriu o papel dos hormônios da pituitária na regulação da quantidade de açúcar no sangue.

2-- Leloir, o segundo Nobel argentino, estudou os nucleotides, o metabolismo dos carboidratos,  e contribuiu para o entendimento da hipertensão renal, além do diagnóstico e tratamento da galactossemia.

3-- Finalmente, Cesar Milstein devotou-se ao estudo da estrutura dos anticorpos, o que lhe deu um prêmio Nobel.

4-- Luis Agote fez a primeira transfusão de sangue não direta, usando citrato de sódio como anticoagulante (esse negócio de guardar o sangue, etc. Coisa importantíssima na medicina). 

5-- Ricardo Asch desenvolveu a técnica de transferência intrafalopiana de gametas; esse argentino, professor na Universidade da Califórnia, foi acusado de comportamento não-ético, o que não retira seu brilhantismo científico.

6-- Ramón Carrillo é um dos descobridores das células gliais (células do cérebro que não são neurônios). Foi um dos precursores da tomografia e o criador da tomoencefalografia. Descobriu a doença de Carrillo (papilite aguda).

7-- O professor Miguel Rolando Covian é tão conhecido dos brasileiros que dispensa comentários. Foi fundador e presidente da Sociedade Brasileira de Fisiologia.

8 -- René Favarolo também dispensa comentário. Que médico no mundo não ouviu falar no criador da "coronary bypass surgery"? Esta técnica cirúrgica, desenvolvida por um argentino, é considerada a mais importante das cirurgias cardíacas.

9 -- Enrique Finochietto  inventou vários dos intrumentos cirúrgicos; para dizer a verdade, quase a metade dos intrumentos usados pelos modernos cirurgiões foram criados por esse argentino. Senão, vejamos: a mesa cirúrgica, que permite mover o paciente para qualquer posição; o "rib spreader"; o vácuo cirúrgico (que até dentista usa); as "Finochietto scissors". Até o banquinho em que o médico fica sentado foi inventado por Finochietto.

10 -- Cecília Grierson é a pioneira da kinesiologia.

11 -- José Maria Mainetti é pioneiro da bioética e mento de Favaloro.

12 -- Julio Isidro Maiztegui desenvolveu o tratamento da febre hemorrágica.

13 -- Marcelo Martinez Ferro desenvolveu a cirurgia fetal.

14 -- Angel Roffo desenvolveu a radioterapia. Aliás, ele foi o médico que conversou com Madame Curie sobre a utilização da radioterapia. Esse cientista argentino é, porém, mais conhecido por ter estabelecido a relação entre o tabaco e o câncer de pulmão.  Robert Proctor, da Universidade de Stanford, disse que Roffo era o mairo inimigo da indústria do cigarro. O instituto de oncologia da Universidade de Buenos Aires denomina-se Angel Roffo.

15 -- Cecilio Romaña deu o nome à marca de Romaña.

16 -- Juan Rosai caracterizou várias condições médicas, como a doença de Rosai-Dorfman e o tumor desmoplástico.  Ele é o autor do principal livro de patologia cirúrgica. Foi mentor de vários patologistas americanos.

17 -- Alberto Carlos Taquini descobriu a angiotensina e descobriu a natureza enzigmática do sistema renina-angiotensina, assim como seu papel na hipertensão (descoberta importantíssima, você há de concordar comigo). Foi eleito presidente da World Heart Federation. Foi membro honorário do American College of Physicians, da American Heart Association e da European Society of Cardiology. Foi professor em Stanford, UCLA, Columbia, Toronto, Oxford e Cornell (onde tive o prazer de conhecê-lo, quando eu estudava lá).

Como você pode ver, a medicina da Argentina é uma das melhores do mundo. A escola de medicina da UBA, alma mater desses grandes cientistas e local de algumas das maiores descobertas da ciência médica, não deixa a desejar para as grandes instituições americanas e européias.

E a Colômbia? Bem a Colômbia, segundo a WHO (Organização Mundial de Saúde) a medicina da Colômbia está na frente da medicina da Argentina, da Suécia e da Suiça.  Para não ir muito longe, vou citar apenas Alejandro Jadad Bechara, o gênio da moderna medicina globalizada e computadorizada. Foi o criador da escala de Jadad. Não podemos nos esquecer também de Salomon Hakin, precursor do tratamento da hidrocefalia.

*Disponível em Periscopio

Mais sobre a possível facilitação na revalidação que o governo quer!

Uma notícia já dada aqui no blog, mas agora em forma de vídeo. Há também uma entrevista com o presidente do Cremesp, que fez uma infeliz generalização em sua fala ao dizer que a formação nas faculdades de medicina da Bolívia era muito precária. Tenho acompanhado discussões sobre medicina no exterior pelo Facebook, e vi que há um problema que se aplica a maioria dos que criticam: falta de conhecimento. Deveria haver mais cuidado ao criticar o gramado do vizinho, quando o próprio quintal está uma verdadeira capoeira. No próprio estado de São Paulo, como também noticiado aqui, os estudantes do sexto ano de medicina foram reprovados, em sua maioria, em uma avaliação do próprio Cremesp. Vamos pegar mais leve na hipocrisia.


domingo, 8 de abril de 2012

Brasil precisa formar o dobro de médicos para cumprir meta


O Brasil precisará mais do que dobrar o número de médicos formados anualmente para cumprir a meta do governo de elevação do número desses profissionais até 2020. Os Ministérios da Saúde e da Educação trabalham com a ideia de atingir uma taxa de 2,5 médicos para cada mil habitantes no fim desta década, embora o martelo ainda não tenha sido batido. Em 2011, o índice era de 1,95, segundo o Conselho Federal de Medicina.

O Ministério da Saúde projeta que serão formados 14.660 médicos este ano. Considerando o crescimento populacional, o Brasil precisaria ter 520 mil profissionais em exercício em 2020 para atingir a marca de 2,5 médicos por mil habitantes. Em 2011, eram 371 mil. Isso exigiria diplomar cerca de 228 mil profissionais nesta década, já que é necessário também substituir quem se aposenta, abandona a profissão ou morre.

Um dos obstáculos é que a abertura de uma faculdade só dá resultado seis anos depois, quando começam as formaturas. Projeções do Ministério da Saúde indicam que, em 2014, deverão se formar 16.240 médicos no país. Para atingir a meta, seria necessário formar mais de 30 mil médicos nos últimos anos desta década. Ou seja, mais do que o dobro do previsto para 2012.

Apenas 20% dos médicos estão interessados em áreas carentes


BRASÍLIA - Mesmo a peso de ouro, prefeituras enfrentam dificuldades para contratar médicos no interior e até na periferia das grandes cidades. Nada menos do que 1.228 municípios pediram ajuda ao Ministério da Saúde para atrair recém-formados neste ano. A intenção era preencher 7.193 vagas, mas só 1.460 médicos demonstraram interesse, o equivalente a 20% da demanda.

Os números são do Programa de Valorização do Profissional da Atenção Básica (Provab), iniciativa do Ministério da Saúde para levar médicos a rincões do país e áreas carentes nas capitais e regiões metropolitanas. O Provab oferece bônus de 10% nas provas de ingresso em residências médicas a recém-formados que trabalharem por um ano em cidades do programa.

Balanço do Ministério da Saúde mostra que 233 cidades não atraíram nenhum interessado. Todos os 1.640 médicos inscritos foram selecionados em fevereiro, isto é, ficaram aptos a fechar contrato imediatamente com as prefeituras. Até a semana passada, porém, só 460 profissionais já tinham começado a trabalhar, enquanto outros 140 estavam em processo de contratação.

A formação e distribuição de médicos em território brasileiro entrou na agenda do Palácio do Planalto. A presidente Dilma Rousseff determinou aos ministérios da Saúde e da Educação que preparem um plano para aumentar o número de médicos no país. O governo está convencido de que faltam profissionais e estuda criar ou ampliar faculdades, assim como facilitar a validação de diplomas de quem se formou no exterior, em países como Cuba, Bolívia e Argentina. Outro projeto é abrir mais 4 mil vagas de residência.

Alta rotatividade entre os problemas

A movimentação do governo desperta reações negativas nas corporações médicas. O Conselho Federal de Medicina divulgou, em novembro, o estudo "Demografia Médica no Brasil", que apontou 371.788 profissionais em exercício naquele ano, o correspondente a uma taxa de 1,95 médico por mil habitantes. O governo quer elevar essa taxa para 2,5 até 2020 - ou até mesmo 2,7. O CFM, porém, considera o atual número suficiente, e diz que o problema está na má distribuição.

- É uma polêmica enorme dizer que falta ou sobra médico. Ninguém tem estudo consistente. O que temos incontestavelmente é que os médicos são distribuídos de forma trágica e injusta com a sociedade. Enquanto temos um a cada 200 habitantes em certos lugares, em outros temos um para cada 10 mil - diz o presidente da Federação Nacional dos Médicos, Cid Célio Jayme Carvalhaes.

O Ministério da Saúde identificou 2.130 municípios com dificuldade de manter ou expandir o Programa Saúde da Família. As cidades têm direito a um número de equipes proporcional à população. Cada equipe é chefiada por um médico. Segundo o ministério, boa parte das cidades tem direito a mais equipes, mas não consegue criá-las por falta de profissionais.

Outro problema é a alta rotatividade. Em 1.190 cidades, mais de 75% das equipes trocam de médico pelo menos uma vez por ano, o que o governo considera excessivo. Em março, o ministério listou 26 municípios que não tinham médico da Família e outros quatro que não tinham nenhum profissional, conforme o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES). O cadastro revela que apenas 2% dos municípios possuíam taxa superior a 2,5 médicos por mil habitantes, no ano passado.

Sempre que um profissional deixa o emprego, é comum que cidades fiquem semanas ou meses sem médico. Com pouca procura, é preciso elevar salários. Em geral, quanto mais longínquo e precário o município, maior o valor pago ao médico.

No Amapá, o governo do estado cede seus profissionais aos municípios. Sem isso, pequenas cidades ficariam desassistidas. Só que, além do salário estadual, os médicos recebem pagamento das prefeituras, com dinheiro repassado pelo ministério ao Saúde da Família. O Portal da Transparência estadual revela que há médicos ganhando R$ 39 mil brutos por mês. Um deles recebe mais R$ 5 mil da prefeitura de Marzagão (AP) por só um dia de trabalho na semana.

Em Pracuúba (AP), com 3 mil habitantes, a secretária de Saúde, Marly Gomes Vilhena, conta que a cidade passou 8 meses sem médico ano passado. Nesse período, dois enfermeiros cuidavam da população. Hoje, há só uma médica, com salário bruto de R$ 28 mil do estado e R$.5.500 da prefeitura.

- Por causa de nossa carência, o médico está supervalorizado - resume o secretário de Saúde de Macapá, Otacílio Barbosa.

No Pará, a situação não é diferente. Em Santa Maria das Barreiras (PA), o único médico em atividade no mês passado era cubano.

- Os médicos vêm com interesse de ganhar dinheiro. Depois de juntar uma boa quantia, vão em busca de conforto. Não querem ficar a vida inteira aqui - reclamou o assessor da Secretaria de Saúde Charles Lopes Peres.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...