sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Polêmica do ENEM 2012: Candidatos reclamam da correção da redação

Grupo no Facebook reúne mais de 30 mil alunos em menos de uma semana, que estudam ação judicial.
Todos os candidatos terão acesso à correção em 6 de fevereiro, diz MEC.

Candidatos que conseguiram acessar as notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2012 e não gostaram do resultado na prova de redação usaram as redes sociais para reclamar da correção. Pela internet, eles se reuniram na tarde desta sexta-feira (28) para trocar experiências. Um candidato criou, no Facebook, um grupo para reunir pessoas interessadas em entrar na Justiça para conseguir uma nova correção. Em cerca de quatro horas, o grupo já reunia quase 200 membros.

Na maioria dos casos, candidatos insatisfeitos argumentam que levaram o rascunho da redação do Enem para casa e o mostraram a professores. Estes, depois de examinar o texto, teriam dito que suas notas seriam mais altas do que o resultado divulgado nesta sexta.

Maria Clara Lima, de 17 anos, fez o Enem neste ano para tentar uma vaga no curso de odontologia da Universidade Federal do Piauí (UFPI) pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu). A estudante de Teresina disse que dois professores de seu cursinho pré-vestibular corrigiram o rascunho de sua redação e lhe deram como nota não-oficial entre 850 e 940. Porém, sua nota final foi de 620 e, agora, ela teme que não seja suficiente para conquistar a vaga.

 "Estou indignada, afinal, ano passado, sem cursinho de redação obtive 800 no Exame", afirmou ela. "Acredito que se tivesse conseguido a mesma nota de redação teria dado certo. Em redação, esse ano fui bem melhor que o ano passado. Estava jurando que eu ia conseguir."

Maria Clara diz que aderiu ao grupo que estuda uma medida judicial para revisão das notas para buscar informações a respeito de uma possível mudança.

Andressa Suarez, de 19 anos, disse que ficou "surpresa" com a nota final de 320 pontos na redação. A estudante, que no ano passado tirou 860 na redação do Enem e conseguiu uma vaga no curso de letras na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), explicou ao G1 que decidiu refazer o Enem para mudar de curso e estudar jornalismo. Blogueira, ela contou que, durante o ensino médio, foi premiada por suas redações e chegou a ser a oradora de sua turma na cerimônia de formatura. Disse que, neste ano, se preparou para o Enem com simulados pela internet e que, em 2011, não estudou.

Apesar de considerar o tema do Enem 2012 menos tranquilo que no ano anterior, Andressa disse que não se conforma com a pontuação que recebeu.

Já o estudante Adriano Sousa Santos, de 18 anos, diz que fez o Enem 2012 para tentar uma bolsa de intercâmbio pelo programa Ciência sem Fronteiras. Estudante do primeiro período do curso de engenharia civil do Instituto Federal do Tocantins (IFTO), o jovem, que fez o ensino médio integrado ao técnico no Instituto Federal do Maranhão (IFMA), onde recebeu bolsa de iniciação científica da Petrobras, afirmou que se inscreveu no exame pelo terceiro ano consecutivo para tentar aumentar sua nota e, consequentemente, sua chance de receber uma bolsa do programa.

Porém, a nota de sua redação caiu de 560 para 420 --em 2010, no primeiro Enem de Adriano, sua redação teve nota 740. "Nos vestibulares tradicionais que eu faço minhas notas foram muito melhores, entre 8 e 8,50", afirmou o estudante, que agora não sabe se conseguirá atingir o objetivo de fazer intercâmbio na Espanha. "Posso usar a nota do ano passado, mas no Ciência sem Fronteira a melhor nota é a que se sobressai. Fiz novamente [o Enem] para melhorar, tinha tudo para ser melhor esse ano, sempre consegui boas notas", disse.

Agora, ele e outros candidatos que prestaram o Enem estão organizando uma petição online para que a correção seja refeita. "Vamos tentar todas as medidas possíveis, o que for viável a gente vai fazer."

Vista pedagógica
A assessoria de imprensa do Ministério da Educação afirmou que todos os candidatos terão acesso à "vista pedagógica" automaticamente a partir do dia 6 de fevereiro de 2013. As redações corrigidas estão sendo digitalizadas e serão carregadas no site de resultados do Enem.

Para acessar a correção, bastará inserir o CPF ou o número de inscrição do Enem 2012 e a senha individual do candidato.

Maria Clara, porém, teme que esse prazo seja tarde demais. "Não quero esperar porque vão soltar o espelho da redação depois que já tiverem saído todos os resultados do Sisu, e aí é inviável, impossível mudar a nota."

Insegurança e sentimento de injustiça
O idealizador do grupo no Facebook é o estudante Gabriel Bieu, de 24 anos. Atualmente, ele cursa direito na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mas decidiu fazer o Enem 2012 para tentar uma vaga no mesmo curso na Federal do Paraná (UFPR). Ele afirmou ao G1 que prestou o Enem pela quarta vez e que, em 2011, havia tirado a nota máxima na redação. Na edição atual, mesmo afirmando ter observado todos os critérios utilizados pelo MEC, sua nota final caiu para 520.

"Infelizmente o MEC ainda precisa evoluir muito nesses critérios de correção de redação. Gera uma insegurança e um sentimento de injustiça muito grande com uma coisa tão séria", afirmou.

Correção aperfeiçoada
A prova de redação foi feita no dia 4 de novembro com o tema "Movimento imigratório para o Brasil no século 21". Mais de 4 milhões de candidatos realizaram o Enem 2012 e mais de 5.600 professores foram contratados para fazer a correção das provas.

A partir deste ano, a redação passou a ser corrigida por dois corretores de forma independente, sem que um conheça a nota atribuída pelo outro. A nota final é composta de cinco notas, que avaliam competências específicas do candidato.

A nota final corresponde à média aritmética simples das notas atribuídas pelos dois corretores. Caso haja discrepância de 200 pontos ou mais na nota final atribuída pelos corretores (em uma escala de 0 a 1.000), ou de 80 pontos ou mais em pelo menos uma das competências, a redação passa por um terceiro corretor, em um mecanismo que o Inep chama de "recurso de oficio".

Se a discrepância persistir, uma banca certificadora composta por três avaliadores examinará a prova. Os candidatos poderão solicitar vistas da correção, porém não poderão pedir a revisão da nota.

Em agosto de 2011, o governo firmou com o Ministério Público Federal um Termo de Ajuste de Conduta (TAC), no qual se compromete a dar vistas à redação apenas a partir da edição de 2012 do Enem. O MEC afirmou, na época, que não havia uma ferramenta digital devidamente testada que comportasse a consulta pretendida.

*G1

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Sisu 2013 irá ofertar mais de 129 mil vagas em 3.751 cursos




A consulta às vagas do Sisu (Sistema de Seleção Unificada) 2013 já está disponível no site http://sisu.mec.gov.br. Serão ofertadas 129.279 vagas em 3.751 cursos de 101 instituições públicas de ensino superior. No endereço, também é possível obter outras informações sobre o exame, que receberá inscrições entre os dias  7 e 11 de janeiro de 2013.

O candidato poderá se inscrever em até duas opções de vaga. O estudante deve ter realizado o Enem  (Exame Nacional do Ensino Médio) 2012 e não pode ter  obtido nota zero na prova de redação. Durante o período de inscrição, o estudante poderá alterar as opções de curso e também cancelar a participação no exame. 

O candidato também deverá indicar por qual forma de seleção deseja participar do processo: por meio de cotas decorrentes da Lei nº 12.711, de 29 de agosto de 2012; de outras políticas afirmativas adotadas pelas instituições participantes do sistema ou pela ampla concorrência.

Segundo a portaria publicada no Diário Oficial, o "Sisu disponibilizará ao estudante, em caráter exclusivamente informativo, a nota de corte para cada instituição, local de oferta, curso, turno e modalidade de concorrência, a qual será atualizada periodicamente conforme o processamento das inscrições efetuadas". 

Serão realizadas duas chamadas de aprovados nas seguintes datas: 

  •     Primeira Chamada: 14 de janeiro de 2013
  •     Matrículas da 1ª chamada: 18, 21 e 22 de janeiro de 2013
  •     Segunda Chamada: 28 de janeiro de 2013
  •     Matrículas da 2ª chamada: 1º, 4 e 5 de fevereiro de 2013


As instituições participantes deverão informar a ocupação das vagas de acordo com o seguinte cronograma: 

  •     Primeira Chamada: de 18 a 25 de janeiro de 2013
  •     Segunda Chamada: de 1º a 8 de fevereiro de 2013


Lista de espera

As inscrições para a lista de espera serão realizadas, no portal do Sisu, entre os dias 28 de janeiro e 8 de fevereiro. O estudante só poderá manifestar interesse na lista de espera para o curso correspondente à primeira opção.

Não poderá participar da lista de espera o candidato que tenha sido convocado para o curso de primeira opção em qualquer uma das chamadas regulares. 

A lista de espera será utilizada para preenchimento das vagas não ocupadas nas duas chamadas regulares do Sisu. A ocupação das vagas será feita segundo critérios definidos em edital próprio de cada instituição participante. 

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Jornal Nacional: Médicos formados fora do país têm dificuldades para validar o diploma

Cerca de 10% desses recém-formados passam no revalida, a prova nacional com testes, questões escritas e uma parte prática.




Durante toda a semana, o Jornal Nacional mostrou a formação dos médicos brasileiros. Neste sábado (15), na última reportagem da série especial, você conhece o desafio dos profissionais que estudaram no exterior e têm de validar o diploma no Brasil para não trabalhar na ilegalidade.

Marcos deixou a Bahia para fazer medicina na Bolívia. Lucas saiu do Paraná e se formou em Cuba. São médicos com diplomas tirados no exterior, mas que só poderão exercer a profissão por aqui depois de uma avaliação.

Marcos acha natural. “É pertinente, é um exame que deve ser feito”, diz ele.

O pernambucano Maicon Nunes Martins reclama. “Esse exame, para mim, é uma injustiça. Tenho certeza que nem os graduados no Brasil teriam condições de aprovar”, opina ele, que se formou em Cuba.

Cerca de 10% desses recém-formados passam no revalida, a prova nacional com testes, questões escritas e uma parte prática. Mas há faculdades com autonomia para fazer suas próprias provas.

Isso não é ilegal, diz o ministro da Educação, Aloizio Mercadante. Mas também não é o ideal. “Não acho um bom caminho. É muito melhor que a gente tenha um exame nacional reconhecido. Todas as universidades federais respeitam o revalida”, avalia.

Um médico prefere não se identificar por temer preconceito. Ele fez faculdade na Bolívia e a prova de revalidação foi no Rio Grande do Norte.

JN: Foram 200 perguntas, tipo teste?

Médico: É, tipo teste, múltipla escolha.

JN: Teve prova prática?

Médico: Não, não teve prova prática.

Aprovado, conseguiu um emprego no Recife.

“Trabalho no pronto-socorro e estudo para fazer a residência”, conta ele.

Ele conta ainda que vários amigos seguiram o mesmo caminho, mas que existe gente sem diploma reconhecido exercendo a profissão ilegalmente:

"Tem muita gente sem CRM trabalhando em pequenos interiores em estados do Norte."

Foi o que constatou o Conselho Regional de Medicina do Acre. Em uma blitz recente, o flagrante: duas mulheres trabalhando sem registro no município de Tarauacá. Um problema grave, denunciado também em outras regiões do país.

“É uma situação de polícia, uma situação criminosa que vem ocorrendo”, destaca Mário Jorge Lôbo, presidente do Sindicato dos Médicos de Pernambuco.

Uma situação que precisa ser resolvida. Afinal, muitos dos que estudaram longe de casa, fazendo sacrifício, não querem ser vítimas de preconceito, e sonham poder exercer a profissão de médico, dentro da lei, e com toda a dignidade.

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