sábado, 20 de abril de 2013

Diferença de até R$ 5.920 na mensalidade faz brasileiros buscarem curso de medicina na Rússia

Sonho é mais acessível àqueles que desejam estudar, diz estudante brasileira



O alto custo e a grande concorrência por vagas em cursos de medicina no Brasil fazem com que muitos candidatos busquem a especialização fora do País. É o caso de quase 30 jovens, com idade entre 17 e 23 anos, que foram para Rússia em fevereiro deste ano. 

Isso porque o governo russo dá incentivos para estudantes estrangeiros. A faculdade que custa no Brasil a mensalidade de R$ 2.325 a R$ 6.836, na Rússia custa R$ 5.500 o semestre, incluindo moradia e plano de saúde. 

Contudo, o médico formado fora do Brasil precisa passar pela prova "Revalida" para poder exercer a função em território nacional. 

Segundo a diretora da Aliança Russa de Ensino Superior, Carolina Perecini, para ingressar no curso de seis anos de duração, o estudante e seus familiares passam por entrevistas.

—Não se pode ter o pensamento de ir só para viajar e passear. Além disso, precisamos ver se o candidato tem personalidade para ser independente.

As aulas oferecidas no curso da Aliança Russa são dadas em inglês e, para que os brasileiros entendam melhor o idioma é feito um curso preparatório antes de se iniciar a faculdade de medicina.

A estudante Lorrayne Carolline Rosa Anastásio, de 25 anos, esta há um ano e dois meses na cidade de Kursk, Rússia, e conta que pode amenizar a saudade da família e dos amigos com ajuda da internet.

— Pode parecer loucura o que vou dizer e vocês vão questionar como é possível, mas eu consigo, três vezes por semana, fazer refeição com minha família por vídeo conferência. Acompanho as novelas que eu gosto, passei o meu ano novo em dois países ao mesmo tempo.

Lorrayne morava em Brasília e se formou em matemática. Ela conta que os professores na Rússia são rígidos e cobram preparação antes das aulas.

— O diferencial é que o sonho é muito mais acessível para aqueles que desejam estudar aqui do que no Brasil, país muito bom, com tantas riquezas, mas que não disponibiliza acesso a todos os que querem, tudo é muito ilusório. Se as faculdades particulares tivessem um valor dentro dos padrões da realidade e as públicas fossem destinadas realmente para quem não tem condições para pagar, talvez houvesse maior comprometimento das pessoas e menos estudantes frustrados.

*R7

Senadora Ana Amélia quer rapidez na revalidação de diplomas emitidos no exterior



A senadora Ana Amélia (PP-RS) reconheceu que a revalidação automática dos diplomas obtidos no exterior pode comprometer a qualidade dos serviços profissionais no Brasil. No entanto, ela defende um processo de reconhecimento desses certificados mais rápido e menos burocrático. 

No Plenário, a senadora citou o caso de um estudante do Rio Grande do Sul pós-graduado por uma universidade na Inglaterra na área de administração que há 10 anos tenta a revalidação do título.

Em seu pronunciamento, Ana Amélia comentou a audiência pública ocorrida na sexta-feira (12) na Comissão de Relações Exteriores (CRE) para tratar do projeto que visa a revalidação automática dos diplomas de graduação e pós-graduação emitidos por instituições no exterior (PLS 399/2011). O autor da proposta é o senador Roberto Requião (PMDB-PR), que também julgou inadequada a revalidação automática, de acordo com Ana Amélia.

Medicina - Em aparte, o senador José Pimentel (PT-CE) estimou que o Brasil precisa de 26 mil médicos para atender as demandas do Programa Saúde na Família, os programas interioranos, e disse que faltam alunos e médicos formados. Por causa disso, o governo brasileiro acaba de firmar convênio com o governo espanhol e com o governo português.

Ana Amélia, todavia, acredita que a falta de médicos é provocada muito mais pela concentração dos profissionais nas grandes cidades do que efetivamente pela ausência de formados.

– A distribuição desses profissionais é que precisa ser repensada. Muitos não vão para o interior, porque não contam com a infraestrutura básica, como laboratórios de análises clínicas ou equipamentos de raio X, ecografia, mamografia e, claro, nem se fala, ressonância magnética para exames preventivos – disse a senadora.

De qualquer maneira, para ela o caso da medicina ainda é um dos mais adiantados, já que o Ministério da Educação promove, desde 2011, o Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos Expedidos por Instituições de Educação Superior (Revalida).

- O Revalida é excelente, todos os médicos o aprovam, é uma ferramenta unificada para avaliação e revalidação dos diplomas de médicos expedidos no exterior.

De acordo com a senadora, dos 536 candidatos que fizeram provas escritas do Revalida 2011, passaram para a segunda fase apenas 96 médicos diplomados fora do Brasil. Ao final das provas, 65 profissionais foram aprovados, ou seja, 12,12% do total dos inscritos, que eram 677.

Os diplomas dos aprovados foram obtidos majoritariamente na América Latina: Cuba, Bolívia, Argentina, Colômbia, Peru, Venezuela, Equador, Nicarágua e Paraguai. Há também formados na Alemanha e outro na França.

Agência Senado

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Brasil quer contratar médicos do exterior para atuarem na Amazônia


Estratégia tenta suprir escassez de especialidades médicas.
Senador Eduardo Braga disse que médicos terão CRM provisório.


O senador e líder do Governo Federal no Senado, Eduardo Braga (PMDB), disse, na manhã deste sábado (2), em entrevista ao G1, que o Governo Federal estuda a contratação de médicos estrangeiros para atuar no interior da região Amazônica. O parlamentar comentou ainda sobre a eleição de Renan Calheiros para a presidência do Senado e assumiu voto no peemedebista.

"Nós na Amazônia temos grandes e graves carências de médicos especialistas no interior da nossa região. Não temos ginecologistas, ortopedistas, pediatras, obstetras, neurocirurgiões, anestesistas, enfim, faltam médicos especialistas no interior, e falta porque não há no país. Não adianta colocarmos salários de até R$ 25 mil porque esses médicos ganham isso ou quase isso em outras cidades e preferem morar em Ipanema do que em Tabatinga, por exemplo", disse o senador ao G1.

Segundo ele, a ideia está sendo estudada pela presidente Dilma Roussef, que já traça estratégias para que esses especialistas venham trabalhar no Brasil. "A presidente Dilma tem estudado com afinco a possibilidade de o Brasil aproveitar este momento econômico mundial para trazer médicos de Portugal, da Espanha, Cuba, Colômbia, Peru, Bolívia, que queiram vir trabalhar no interior do Brasil, concedendo a eles um CRM provisório por dois anos e estabelecendo uma bolsa de ajuda aos municípios que eles tenham condições de pagar esses médicos", completou Braga.

Eduardo Braga acredita que a estratégia de trazer médicos é necessária, pois o Brasil não pode formar médicos o suficiente para suprir a necessidade do país. "Não é um tema fácil porque tem a reação do Conselho Federal de Medicina, mas em contrapartida, nós não formaremos médicos para atender a nossa demanda nem daqui a 15 anos. Portanto, a única maneira de diminuir a dor e o sofrimento do nosso povo é nós trazermos esses especialistas de fora", enfatizou.

O líder do Governo no Senado falou ainda da estratégia para manter os médicos nas localidades para onde eles forem designados. "E temos que dar um CRM provisório, porque se ele sair de Tabatinga, por exemplo, nós temos que cancelar o CRM dele, se não ele pode vir pra Manaus ou ir pra qualquer cidade que não tem problema de falta de especialistas. Isso são mecanismos para fazer com que eles venham para atender em regiões onde nós temos extremadas carências", explicou.

*G1

Mesmo por R$ 35 mil, cidade do MA demora 1 mês para achar ortopedista


Apesar de supersalários, não há candidatos para vagas disponíveis.
No estado, há um médico para cada mil habitantes.




Uma vaga de emprego de R$ 35 mil, mas nenhum interessado. Em Açailândia, no  interior do Maranhão,  a procura por um ortopedista durou um mês. Mesmo com o alto salário, houve dificuldade pra encontrar candidatos. Foi preciso colocar anúncio até em jornais de outros estados para preencher a vaga.

Os hospitais do interior do Nordeste estão pedindo socorro de tudo o que é jeito pra encontrar médicos dispostos a deixar os grandes centros e enfrentar a rotina das pequenas cidades, que muitas vezes não têm estrutura de trabalho e oferecem pouca qualidade de vida.  Até os supersalários deixam de ser atraentes.


No último concurso para médicos em Imperatriz, a 600 km de São Luís, o salário era de R$ 4.200, para 30 horas semanais. Não houve nem sequer candidatos para algumas especialidades. No estado, há menos de um médico para cada mil habitantes, índice comparável ao de países africanos.

Em estados como Amapá, Amazonas e Roraima, há menos de um médico para cada 8 mil habitantes, segundo o Conselho Federal de Medicina. No Piauí, o prefeito de Corrente, a 900 km de Teresina , apelou às redes sociais para conseguir um médico que queira ganhar R$ 8.500 por mês e trabalhar três dias na semana.

Uma pesquisa divulgada nesta segunda (18) pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) aponta que o número de médicos para cada grupo de mil habitantes na região Sudeste é mais que o dobro do Norte. Segundo o estudo Demografia Médica, os estados do Sudeste têm 2,7 médicos por mil habitantes, enquanto no Norte o número de profissionais baixa para 1,01.

A média nacional é de 2 médicos para cada grupo de mil habitantes, de acordo com o levantamento. No Nordeste, o número de médicos por mil habitantes é de 1,23, também abaixo da média nacional. O índice é maior nas demais regiões, chegando a 2,05 no Centro-Oeste e 2,09 no Sul.

*G1


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