sábado, 28 de abril de 2012

Era uma vez...

Olá! Para vocês que acompanharam minha última postagem pessoal (essa aqui), venho agora escrever um pouco sobre como estão sendo esses meus dias.



Então, eu fui no Cursinho Médico's na quarta. Chovia, meu pai me levou até lá de carro (senão, iria de ônibus mesmo), cheguei as 07:30, a aula havia começado a pouco. Era aula de português. O professor parecia ser legal, falava de predicado, predicativo, verbos... E meu mundo caiu.

Eu me dei conta realmente de tuuuuuudo aquilo que eu teria que rever! Minha ficha caiu, e eu comecei a ficar inquieto na cadeira. E cada palavra que o professor falava, eu engolia como um pedaço de pedra, que me feria por dentro. Saí da sala, telefonei para minha mãe: "Eu quero ir embora, não quero ficar aqui!". Ela disse: "Então tá, venha.". E eu fui. Eram 08:24 da manhã, apenas. Me lembro os minutos exatos.

Antes de ir, passei pela recepção para devolver o material que a senhora Glória havia me cedido para acompanhar às aulas do dia. Eu teria aula das 07:20 até as 16:00, com uma pausa para o almoço às 12:50. Glória é a responsável pelo cursinho, ela inclusive tem uma filha que está estudando lá também. Antes, a filha dela fazia cursinho em Salvador, 3 anos. E eu tremi ao imaginar que eu poderia ficar mais de 1 ano no cursinho! Eu devo ter alguma fobia de cursinho. Mas há quem goste disso realmente?

Na recepção, dona Glória me acolheu de uma forma muito gentil. Eu falei que se eu ficasse na sala, eu ia acabar chorando, que não dava pra mim. Confesso que a assustei um pouco, coitada. Mas eu estava em uma situação que eu nunca havia me visto. O rosto todo ardendo, embaralhando as letras das palavras que eu soltava. Ela conversou bastante comigo, me incentivou, me mostrou que se eu quero passar, que se for da minha vontade, só existia esse caminho: estudar. Mas na minha cabeça passava um filme com todos os professores das minhas últimas séries do colégio, eu tendo que revê-los forçadamente. É demais pra mim.

Eu a expliquei que antes de ter ido pra o Cursinho estava certo de eu ir cursar na Bolívia. E ela me disse que na sala tem um garoto que estava cursando por lá, e voltou com medo da prova de revalidação. E que o único problema que ele tinha visto era esse. Hoje, penso:

PROVA DE REVALIDAÇÃO: conhecimentos específicos que você aprenderá durante o curso que você quer.
VESTIBULAR: conhecimentos aleatórios que você aprendeu em toda a sua vida.

Não estaria escolhendo o mais fácil, até porque a prova de revalidação é muito mais difícil! Eu só estaria me preservando de frustrações, pois sei que minhas química e física do colégio foram bem deficientes. E se eu for reprovado nos vestibulares a que vou me dedicar esse ano, eu realmente não sei com que cara vou ficar, até porque meus pais vão demandar um investimento em mim. E eu vou considerá-lo em vão.

No vestibular não são conhecimentos só que estão em jogo. Não mede capacidade, nem nada. Pode ser questão de sorte também, quem sabe? Mas só o peso da palavra VESTIBULAR já assusta. Todos esses conhecimentos que são exigidos, até os que você não utilizará no seu curso pretendido, são desafiadores. É uma pressão psicológica terrível, e eu estou passando por isso.

Desisti desse cursinho por enquanto. Quarta-feira que vem (02/05/12) começo um cursinho com foco nas exatas (matemática, física e química). E quando estiver mais próximo dos vestibulares, entro no cursinho completo novamente. Primeiro vou tentar nivelar meus conhecimentos, corrigir meu déficit. Me desejem sorte.

Números da medicina no Brasil são incoerentes


O país tem 181 faculdades de Medicina, cem delas instaladas na última década. Segundo o IBGE, entre 2000 e 2009, a quantidade de médicos aumentou 27% enquanto a população brasileira cresceu 12%. Para atingir a marca que supera meio milhão de médicos, temos que dobrar a carga, distribuindo 30 mil diplomas a cada ano. A região Sudeste concentra 42% da população do país e 55% dos médicos. No Rio de Janeiro, a relação é de um médico para cada 306 pessoas – o que não implica, necessariamente, em atendimento de qualidade; 413 cidadãos paulistas têm um médico à disposição. Já no interior do Amazonas existe um médico para cada grupo de 8.944 habitantes. Em Roraima, a situação é mais dramática: um para 10.306. As incoerências continuam. 


Por motivos óbvios, os estados que tivessem menos médicos deveriam ter as menores mensalidades de suas universidades e garantir um maior número de profissionais, certo? Errado! O Centro Universitário Nilton Nunes, do Amazonas, tem o curso de Medicina mais caro do país: R$ 6.224,63 mensais. 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda um médico para cada mil habitantes. Mas devido às características de sua demografia – com grupos isolados em diversos estados, contrastando com a grande densidade nas capitais – o Brasil tem áreas inteiras sem um único médico. 

Das 500 melhores universidades de Medicina do mundo – ranqueadas pela Universidade de Xangai – 151 são norte-americanas, 39 alemãs e 37 britânicas. O curso de Medicina da USP – o melhor do Brasil – ficou na 76ª posição. É a única brasileira no Top 100. A Medicina brasileira tem longo caminho a percorrer.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Enquete: O Curso de Medicina precisa de um Exame de Ordem? (RESULTADO)

SIM - 85% dos votos (6)
NÃO - 15% dos votos (1)
Total de votos: 7

Agora, visto o resultado, deixo aqui o editorial da Folha de São Paulo de 05 de março de 2012, intitulado 'Medicina Doente'.


Não é de hoje que pesa contra o CNE (Conselho Nacional de Educação), cujas atribuições incluem o credenciamento de cursos superiores, a suspeita de favorecer os interesses de grupos empresariais privados. Dessa vez, as dúvidas foram levantadas por Adib Jatene, cardiologista, professor emérito da USP e ex-ministro da Saúde.

Em artigo na Folha, Jatene revela que o CNE recomendou a volta ao funcionamento, com capacidade plena, dos cursos de medicina que haviam recebido más avaliações e por isso tiveram o número de vagas reduzido, por determinação do MEC (Ministério da Educação).

A decisão do Conselho vale para sete instituições privadas, incluindo duas com avaliações insuficientes no Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes).

A diminuição das vagas havia sido feita por recomendação da Comissão de Especialistas do Ensino Médico, presidida por Jatene. Ela esteve em todas as instituições mal avaliadas, onde entrevistou professores e alunos e verificou as condições de ensino.

A burocracia educacional do CNE dá mostras de que não é capaz de sobrepor-se aos apetites do mercado, mesmo quando contrários aos interesses da população. O primeiro imperativo, no caso, deveria ser a qualidade da formação dos futuros médicos, coisa que algumas instituições não têm condições acadêmicas e clínicas de garantir, embora com o poder de credenciá-los para exercer a medicina.

Uma alternativa interessante é criar um exame de habilitação obrigatório para médicos, nos moldes daquele que já existe para advogados, com provas teóricas e práticas.

Desde 2005, o Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) já aplica aos formandos, em caráter experimental e voluntário, um teste de proficiência. Os resultados são de assustar, com índices de reprovação a variar entre 32% (2005) e 61% (2008).

Pode-se presumir que os números seriam ainda piores caso o exame fosse obrigatório para todos os concluintes. Como a prova é facultativa, a tendência é que só a façam os alunos mais preparados.

Infelizmente, são fortes as resistências à obrigatoriedade do exame -que, de resto, foi adotado em vários países. É o caso dos Estados Unidos, onde a sigla USMLE protagoniza os pesadelos dos jovens médicos, e do Canadá, onde a prova é conhecida -e temida- por outra sigla, MCCQE.

As objeções, aqui, partem de proprietários de escolas, que contam com ouvidos simpáticos em integrantes do CNE, além de muitos alunos. Mas, se não reúnem conhecimento mínimo, não deveriam ser autorizados a clinicar e operar.

Na medicina, afinal, os erros costumam ter consequências funestas.

PROVALIDA: Simepe entram na Justiça para impedir o trabalho de médicos formados no exterior




O Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe) em conjunto com o Conselho Regional de Medicina (Cremepe) e Associação Médica de Pernambuco (AMPE) entrou com uma Ação Civil Pública, na Justiça Federal, nesta sexta-feira (27.04), contra o Governo do Estado, Universidade de Pernambuco (UPE) e Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe).

As Entidades Médicas pedem a anulação do Termo de Cooperação Técnica e do edital do Provalida, que visa revalidar diplomas de graduação em medicina expedidos por instituições de ensino estrangeiras. 

O Simepe, Cremepe e a AMPE entendem que o Provalida é uma tentativa adotada pelo Governo Estadual para burlar a realização de Concursos Públicos e facilitar a entrada de profissionais estrangeiros com formação acadêmica duvidosa para atuar nos serviços de saúde pública. 

Para os representantes das entidades, falta uma política concreta de fixação dos profissionais no interior do Estado, com plano de carreira de base estadual com instrumentos que incentivem a interiorização do trabalho, investimentos adequados em estrutura física, apoio diagnóstico e rede de referência, garantindo remuneração adequada aos médicos. 

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