O país tem 181 faculdades de Medicina, cem delas instaladas na última década. Segundo o IBGE, entre 2000 e 2009, a quantidade de médicos aumentou 27% enquanto a população brasileira cresceu 12%. Para atingir a marca que supera meio milhão de médicos, temos que dobrar a carga, distribuindo 30 mil diplomas a cada ano. A região Sudeste concentra 42% da população do país e 55% dos médicos. No Rio de Janeiro, a relação é de um médico para cada 306 pessoas – o que não implica, necessariamente, em atendimento de qualidade; 413 cidadãos paulistas têm um médico à disposição. Já no interior do Amazonas existe um médico para cada grupo de 8.944 habitantes. Em Roraima, a situação é mais dramática: um para 10.306. As incoerências continuam.

Por motivos óbvios, os estados que tivessem menos médicos deveriam ter as menores mensalidades de suas universidades e garantir um maior número de profissionais, certo? Errado! O Centro Universitário Nilton Nunes, do Amazonas, tem o curso de Medicina mais caro do país: R$ 6.224,63 mensais.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda um médico para cada mil habitantes. Mas devido às características de sua demografia – com grupos isolados em diversos estados, contrastando com a grande densidade nas capitais – o Brasil tem áreas inteiras sem um único médico.
Das 500 melhores universidades de Medicina do mundo – ranqueadas pela Universidade de Xangai – 151 são norte-americanas, 39 alemãs e 37 britânicas. O curso de Medicina da USP – o melhor do Brasil – ficou na 76ª posição. É a única brasileira no Top 100. A Medicina brasileira tem longo caminho a percorrer.

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