quarta-feira, 18 de abril de 2012

CRM do Amazonas é favorável à manutenção do exame 'Revalida'

Possibilidade de dispensa do exame de validação de diplomas está sendo discutida no Governo Federal



A possibilidade de mudanças no Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos Expedidos por Instituições de Educação Superior Estrangeiras (Revalida), que vem sendo estudada pelo Governo Federal, foi mais uma vez tema de debate no Conselho Regional de Medicina do Amazonas (CRM), às 15h30 desta terça-feira (17). O CRM se pronunciou contra a validação imediata no Brasil de diplomas de Medicina expedido pela Universidade Latino-América de Ciências Médicas de Cuba (Elam)

De acordo com o presidente do órgão, Jéfferson Jezini, a medida está fora de cogitação por colocar em risco a saúde da população. Na grade curricular da Elam não constam matérias essenciais no Brasil, como Urgência, Obstetrícia e Cirurgia.

"Trata-se de estudantes brasileiros e estrangeiros formados pela escola de Cuba, cujo currículo não é o mesmo que o currículo das escolas médicas do nosso país. É um curso  básico de atendimento à saúde, portanto, no máximo, esses estudantes seriam técnicos lá. Estamos querendo que seja mantido todas as normas do Ministério da Educação e da Saúde e que seja respeitado nosso mister", apontou Jezini.

Além de não formar médicos capacitados para atuar no Brasil, o presidente afirma que em um dos relatórios feitos pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), em visita a Elam, aponta que a as vagas para o curso privilegiam integrantes de partidos políticos e não atendem amplamente a sociedade.

Segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), na prova do Revalida em 2011, dos 667 inscritos, apenas 65 médicos foram aprovados para exercer a profissão no Brasil. Para a senadora Vanessa Grazziotin, para suprir a falta de médicos no interior das capitais é preciso achar alternativas melhores.

"Não sou a favor da queda do Revalida, mas o que estamos enfrentando vai além disso. Os médicos brasileiros não querem atuar nos interiores, assim só nos resta chamar profissionais estrangeiros. No caso da Elam, relatórios apontam que o ensino de lá é excelente.  Sabemos que a situação desses municípios não são as melhores. Acho que os próprios profissionais devem nos ajudar a achar uma solução melhor para avaliar esses estrangeiros", explicou a senadora.

Jezini aponta como solução a criação de políticas de fixação para os médicos do interior, além de melhores salários e condições de vida. "Nós defendemos sim que venham pra cá, mas que atualizem a grade, façam estágio pra completar o treinamento que tiveram,  em seguida façam prova e assim registrem o curso", concluiu.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...