segunda-feira, 16 de abril de 2012

Não Recomendo!

Olá leitores! Esse é um post pessoal, vou tentar mostrar pra vocês o que houve esses dias comigo.



Dia 07 de abril de 2012. A Globo passou em sua sessão de filmes de sábado a noite, a Supercine, o filme 'Jean Charles'. Pra quem não lembra, o filme conta a história do brasileiro que foi morto por engano na Inglaterra. Baseado em uma história real, marca a 1ª co-produção Brasil e Inglaterra. Acompanhe a sinopse:

"Jean Charles (Selton Mello) é um eletricista mineiro, que vive em Londres onde tem uma extensa rede de amigos e conhecidos. Ele consegue levar sua prima Vivian (Vanessa Giácomo) para morar com ele, junto com Alex (Luís Miranda) e Patrícia (Patricia Miranda). Como tantos brasileiros que moram fora do país, Jean se vira para fazer dinheiro e ajuda muitas pessoas também, como acontece ao introduzir sua prima no mercado de trabalho ilegal. Infelizmente, alheio aos atentados que ocorriam na região, ele estava na hora errada e no lugar errado quando foi confundido com um terrorista no metrô londrino e acabou morto em julho de 2005, mudando para sempre a vida das pessoas que o cercavam." Por Adoro Cinema

PROBLEMA 1: Filme envolve histórias de brasileiros no exterior;
PROBLEMA 2: Meu pai assistiu o filme.

Mesmo sendo uma situação que eu acho difícil de acontecer comigo na Bolívia (ser confundido com um terrorista), meu pai ficou encucado com isso. Minha criação foi bem simples, tive muita atenção. Meus pais não estão preparados para me ver crescer. E acho que eles acreditam que eu não conseguirei me virar sozinho, mesmo já estando morando em outra cidade, afastado deles, há um ano. Cabeça de pai e mãe é assim mesmo, eu compreendo isso.

Nos meus planejamentos mesmo, eu já tinha três planos: o A, que era cursar medicina na Bolívia, ou o B, que era fazer cursinho aqui, e ir tentando os vestibulares por esse ano. Caso eu não passasse, viria o plano C: retornar para o curso de Psicologia em 2013. O plano C é o que mais me incomoda.

RESULTADO: Plano B em prática. Hoje visitei o cursinho Médico's, aqui em Feira de Santana. Um curso bom, ótima estrutura, mas a mensalidade é bem salgada: 700 reais. Espero que eu seja aprovado no primeiro vestibular que eu faça, 700 reais era o que eu gastava pra me manter fazendo Psicologia, e está próximo do que eu gastaria para fazer Medicina na Bolívia. O curso é exclusivo para quem quer fazer vestibular de Medicina, tem acompanhamento psicológico, aulas durante todo o dia (das 07:20 às 17:30) e aos sábados. Espero vencer o meu déficit em Química e Física. Amanhã vou assistir uma aula experimental, e na quarta também. Caso eu goste, segunda devo ir fazer a matrícula.

Eu sabia que correria esse risco. Quem quer estudar no exterior tem mais gente contra você do que à seu favor aqui no país. Todos os dias somos bombardeados gratuitamente com o mais idiota dos preconceitos. Muita gente fala sem propriedade, sem saber do que se trata. Mas só em se informar, ter esse desejo de entender o que acontece, já se sinta um privilegiado. Essa sabedoria é para poucos.

Não sei se estarei perdendo tempo (e dinheiro!) no cursinho. Passar no Brasil é ótimo, mas eu estava tão empolgado com a oportunidade do intercâmbio. Posso ser sincero que não ia somente pelo fato de cursar medicina, mas também por conhecer outra cultura, outra língua, estudar em uma universidade de qualidade, moderna, viver com um bom poder aquisitivo devido aos preços mais em conta por lá...

Enquanto eu escrevia este post, minha mãe deitou ao meu lado e me pediu pra ler o que eu estava escrevendo. Eu li. E ela me deu maiores detalhes do dia em que meu pai assistiu este filme. Ela me disse que ele ficou em pânico este dia, quase não dormiu. Me imaginou no lugar do Jean. E isso deu lugar a mil e uma suposições na cabeça dele. A principal delas: se algum dia, ele não tivesse o dinheiro suficiente para mandar para mim lá na Bolívia, e alguém chegasse e me oferecesse drogas para passar à outra pessoa (como um 'aviãozinho') em troca de dinheiro, e a polícia me pegasse, e agora? Ela enfaticamente o respondeu: Ele não tem mais 10 anos.

Cabeça de pai e mãe é fogo, meu caro! Na Bolívia tem drogas? Tem. E no Brasil? Tem também. Droga tem em todo o mundo, assim como amizades ruins. Mas quem tem juízo, quem tem foco, só se mistura com o bem, com o que há de bom. Eu me considero um bom rapaz, tenho a cabeça no lugar, mas para meus pais não deixo de ser o filho indefeso jogado ao mundo-cão. Mas tudo vai dar certo. Não é o pensamento positivo o segredo do universo?

É isso galera, vou estudar, ter foco, e cursar. Agora são apenas 2 planos: Estudar e passar por aqui neste ano. Ou ir cursar na Bolívia, ano que vem. Caso isso aconteça, serei um refugiado do vestibular com muito orgulho!

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